No dia 11 de novembro foi comemorado o Dia do Solteiro, na China. Não podemos mais ignorar este dia aqui no Brasil, principalmente, quem atua no e-commerce B2C. Explico o porquê. O fato novo é que desde abril de 2014 nenhum site de comércio eletrônico vende tanto no Brasil quanto o AliExpress, integrante do grupo chinês Alibaba.
De acordo com dados do Ibope E-commerce, a empresa é líder de vendas online no Brasil, tendo realizado onze milhões de pedidos entre julho e setembro deste ano. Para termos uma ideia, o grupo brasileiro B2W, das marcas Americanas.com e Submarino, comercializaram no mesmo período 7,2 milhões de unidades.

Apesar de figurar bem à frente no quesito quantidade de unidades vendidas online, o ticket médio do AliExpress é de R$ 33, aproximadamente um décimo do valor de outros sites de e-commerce brasileiros. Mesmo assim, o chinês faturou R$ 330 milhões em vendas no terceiro trimestre deste ano apenas no Brasil e, se seguir nesta batida, o AliExpress deve atingir uma receita de R$ 1 bilhão em vendas em terras brasileiras em 2015. É um número relevante e que exige estudos por parte de quem investe em comércio eletrônico no Brasil.
O Black Friday e o Cyber Monday totalizaram US$ 2,9 bilhões em vendas em 2013, segundo levantamento da comScore. Enquanto isso, no ano passado, a promoção do Grupo Alibaba levantou US$ 5,8 bilhões pelo sistema de pagamento online Alipay. É a maior corrida de compras online 24 horas do mundo. Isso tudo com um investimento de mídia e divulgação de apenas US$ 300 mil por mês.
A informação chega aos consumidores pelo boca a boca. A demora na entrega dos produtos (meses) parece não incomodar os consumidores brasileiros. A Alibaba garante a devolução do dinheiro caso o cliente, no Brasil, um público de 60% mulheres, não tenha recebido o produto. O AliExpress opera no modelo marketplace, uma reunião de centenas de lojistas físicos em torno de uma mesma plataforma. A lição que podemos tirar desse fenômeno de vendas online: o lojista brasileiro é conservador e está subestimando o poder do e-commerce.
É sem dúvidas um movimento econômico que deve mexer com a política tributária internacional Brasileira nos próximos anos.
Aguarademos as cenas dos próximos capítulos.
