– Pode entrar, Marina, sinta-se como se a casa fosse sua… até uma rede mandei instalar!
– Eduardo, não me fale em rede, por favor. O tombo foi grande.
– Entre, não repare a bagunça. Não deu tempo de organizar uma festa, foi tudo tão de repente. Como a senhora disse que nenhum desses partidos a representava, já tínhamos perdido as esperanças.
– Pior pra mim, que perdi a rede. Tudo culpa dos cartórios.
– Mas, cá entre nós, a senhora não acha que também teve alguma culpa no cartório?
– Eu não, Eduardo. Sempre fui uma moça tímida, evangélica, casada na igreja. Apenas não tinha ainda conseguido arrumar um bom partido, mas aí, com jeitinho, você tocou no meu ponto fraco.
– E qual é?
– É derrotar a velha política deste país. Posso não ter conseguido fundar um partido – afinal, não é tarefa fácil; temos só 32! –, mas sinto-me preparada para governar o Brasil.
– Calma, Marina, vamos com calma. Sobre isso a gente conversa depois… deixe-me apresentar nossos companheiros. Este é Jorge Bornhausen, que trouxe também o filho (o neto ainda não tem idade hehehe!).
– Bornhau… Bornhausen? Que surpresa! Não sabia que você tinha se tornado socialista.
– É a política, Marina, sempre mudando. Mas sempre me interessei pelo Capital.
– O Capital, de Marx?
– Não, o meu capital. Como é enorme, eu costumo citá-lo em maiúscula, entende?
– Não muito, ainda… mas estou recém-chegando, não é, Eduardo?
– Exato, Marina, você verá que estamos levando a mensagem do socialismo a todas as pessoas. A começar pelos mais renitentes, que são justamente os capitalistas. Ah, este é Heráclito Fortes, que você conhece do Congresso.
– Heráclito? Você também aqui?
– Pois é, Marina, uma hora tô aqui, outra ali. É a minha trajetória, que começou na Arena, depois PMDB, depois PFL, depois o DEM e agora aqui no Partido Socialista Brasileiro, onde finalmente encontrei velhos companheiros.
– Mas e aquelas conversas reveladas pelo WikiLeaks, em que você sugeria ao governo norte-americano estimular a produção de armas no Brasil para conter supostas ameaças de Venezuela, Irã e Rússia?
– Justamente, precisamos conter o comunismo e estimular o socialismo ao estilo brasileiro, moreno, alto, bonito e elegante como Eduardo Campos. Você fez uma ótima opção, seja bem-vinda!
– Eduardo, e quem mais vai estar conosco nessa disputa eleitoral. Eu preciso saber. Tem colega que não posso ver nem pintado.
– Pintado, não, nunca. No máximo caiado. Estamos tentando trazer o Ronaldo Caiado, outro jovem com muito futuro no socialismo.
– Mas Eduardo, ele sempre votou contra o meio ambiente. Como é que fica o meu discurso?
– Ô Marina, é só fazer umas pequenas adaptações. Muda uma vírgula aqui, umas 30 páginas ali e pronto. Relaxa, Marina, o Caiado é aliado do PSB em Goiás e defende adesão integral do DEM ao projeto socialista.
– E você garante que esse projeto tem sustentabilidade? Sinto falta do apoio de uma rede…
Não se preocupe, a Rede Globo estará conosco! Somos o novo. E o que é novo é verde. Verde… meio ambiente…, viu, temos muito em comum. Se você me der licença, tenho uma reuniãozinha rápida com a bancada ruralista sobre o Código Florestal. Se quiser deitar na rede, fique à vontade!

