Jornalismo e humor
13 de Dezembro de 2012

Jornalismo e humor

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Se você é mais um dos que estavam em dúvida entre Administração ou Veterinária – ou qualquer outra opção – e acabou optando por Jornalismo, não se desespere. É possível sobreviver. E ainda dá tempo, também, de repensar. Mas, se você já concluiu o curso de  Jornalismo, há anos batalha por frilas mal pagos (quando pagos!), faz assessoria de imprensa ou se desdobra para executar jornadas extenuantes nas redações cada vez mais enxutas, não tem mais jeito: rir é o melhor remédio.

Foi o que fizeram os irmãos gêmeos Anderson e Emerson Couto, nascidos em 1972, em Santo André (SP). Formados, trabalharam no jornal O Estado de S. Paulo, e escreveram para diversas publicaCapações. Como eles mesmos dizem, “cansados da vida pobre de jornalistas”, decidiram em 2009 “apostar na vida pobre de escritor de ficção”, criando o personagem Duda Rangel e o blog Desilusões Perdidas.

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Deu certo! O blog, que comenta com humor o dia a dia e as atribulações dos jornalistas, ganhou milhares de leitores e rendeu também um convite, em 2012, para que colaborassem  na redação do programa de humor Sensacionalistas, do canal Multishow. Também neste ano publicaram o livro A vida como ela é, com alguns dos melhores textos do blog, que mistura contos, crônicas, poemas e paródias.

O livro só pode ser comprado pela internet. Mais detalhes no blog.

Segundo o Dicionário de Duda Rangel, jornalista é um substantivo masculino, feminino e GLS. É o “profissional da comunicação que, quando não está desempregado, trabalha na imprensa”.

O livro tem muitas listas, como “Dez bons motivos para ser jornalista”. Um deles: “Falar mal do novo disco da Preta Gil e ainda ser pago para isso”.

Para os autores, “jornalista vive buscando uma vida serena, mas duvido que conseguiria viver sem um pouco desse desassossego”. A explicação? “Jornalismo é como colesterol ruim. Tá no nosso sangue.”

Há várias paródias musicais – inclusive marchinhas de Carnaval. Do Raul Seixas: “Prefiro ser esse repórter ambulante, do que ter aquela velha pauta chata via Google”.

Como tantas outras, é uma profissão que passa por grandes mudanças. Por isso, vários tipos de jornalistas estão em extinção. Um deles é o “jornalista-que-lê-muito, espécie raríssima nas redações brasileiras”, que tem como predador o “jornalista-alienado-do-iPod-dourado, espécie cujas atividades intelectuais principais são ouvir música com fone de ouvido”.

Também estão em extinção o “jornalista-de-vida-desregrada”, em contraponto à ascensão do “jornalista-natureba-do-rabo-malhado”, que “adora restaurantes sem gordura trans”, e o “jornalista-que-vive-na-rua”. Hoje, o jornalista “vive preso nas redações” e “apura matérias por telefone, faz entrevistas por email e tem no Google a principal fonte de consultas”.

E assim, brincando e falando sério, Duda Rangel traça um perfil das delícias e dos perrengues da profissão. Para o alterego dos irmãos Couto, “jornalista vive sem plano de carreira, sem reajuste salarial decente, sem folga, mas jamais sem a máquina de café por perto”, porque ela tem “o poder de acabar com os nossos bloqueios criativos. Ao seu lado, nascem ideias de pauta, de leads, de manchetes”.

Por isso, faz um alerta: “Que nenhum patrão ouse retirar uma máquina de café de uma redação. Seria o mesmo que um diretor de presídio proibir a visita íntima aos encarcerados. Sem a máquina, os jornalistas se rebelariam. Ameaçariam colocar fogo em suas mesas, sequestrariam os assessores de imprensa que estivessem no local e matariam um por um, a cada 30 minutos. Começando pelos mais chatos.”

A vida de jornalista como ela é, é assim, divertidíssima.

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