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Porque os anunciantes não estão ouvindo
09 de Abril de 2014

Porque os anunciantes não estão ouvindo

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1. Um homem deixou as ruas frias do inverno de Curitiba para umas férias na ensolarada Fortaleza. A esposa estava viajando a negócios e combinou encontrá-lo no Ceará, no dia seguinte.

Quando chegou ao hotel, o homem resolveu enviar-lhe um e-mail, mas como não anotara o endereço eletrônico, tirou da memória o que lembrava e ficou torcendo para que estivesse correto. A memória falhou, e a mensagem foi parar no computador de uma senhora cujo marido havia morrido recentemente.

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Quando leu o e-mail que não era pra ela, tomou um choque estava escrito:

“Querida, Acabei de chegar. Foi uma longa viagem. Apesar de só estar aqui há poucas horas, já estou gostando muito. Falei aqui com o pessoal e está tudo preparado para sua chegada amanhã. Tenho certeza que você também vai gostar. Beijos do seu eterno e amoroso marido. PS: Está fazendo um calor infernal aqui !!!!’ Acabou de ler, desmaiou.

2. Li não sei onde essa história e me lembrei, imediatamente, de uma questão que temos discutido muito na Latin Partners: será que as Agências de publicidade catarinenses estão falando corretamente com seu principal público-alvo? A conclusão é sempre a mesma: “Não.”

Claro que os consumidores dos produtos e serviços dos Clientes delas são prioritários. Só que o principal público-alvo das Agências é o Cliente ou o prospect delas. É com ele que as Agências têm de dialogar para conquistar seu respeito e admiração. Se não fizerem isso e se limitarem a dar recados individualmente, eles sempre chegarão na pessoa errada. Que não entenderão nada. Ou, se entenderem, desmaiarão… de rir.

3. Nessa hora é bom dar uma olhada na história da propaganda brasileira e ver como ela ganhou isso do mercado. Se fizermos isso vamos ver que lá atrás, décadas de 40 e 50 sete agências concorrentes perceberam uma coisa muito importante: antes de conquistar um Cliente era indispensável conquistar os Clientes. E começaram a trabalhar juntos.

Juntos regulamentaram a profissão, estabeleceram regras de convivência com os Clientes, criaram o Cenp etc. E nunca deixaram de competir entre eles.
Pena que depois a publicidade venha vindo perdendo aquela forma e respeito perante os Anunciantes.

Infelizmente as gerações que se sucederam não aprenderam a lição. Num verdadeiro vale-tudo passaram a cuidar apenas do seu próprio negócio.

O resultado está aí: anunciantes impondo critérios de remuneração a seu bel prazer, agências aceitando qualquer negócio para garantir uns trocados a mais, Clientes deitando e rolando. Em Santa Catarina não é diferente. Mas pode ser.

4. Santa Catarina tem dado, na área da Comunicação, grandes exemplos para o Brasil: o trade, Entidades como ACAERT, ADI e Adjori, Levantamento do Mercado da Veiculação Publicitária no Estado e agora mesmo o Partv são exemplos de que realmente pode.

É só entender que divergir faz parte do jogo; colocar as mágoas em um segundo plano; conter excessos de vaidade; exercer, cada um, sua capacidade de superação; e conversar.  Conversar sobre problemas comuns e buscar soluções para eles. Se forem capazes de fazer isso – e são – o resto do Brasil vai morrer de inveja.

 

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