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Tempestade à vista.
17 de Março de 2014

Tempestade à vista.

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  1. Uma vez por ano eu ia, com minha mãe e minhas irmãs, a São Paulo visitar tios e primos que viviam na Vila Matilde. A gente chegava, eu logo me juntava com outros garotos da mesma idade, e íamos nadar em um riozinho da região.

 

(Aquilo não era novidade pra mim. Na minha terra, em Cachoeira Paulista, eu fazia isso no Pocinho da Volta, onde várias gerações de cachoeirenses também se banharam).

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Naquele ano tinha chovido muito. O riozinho estava cheio, mas eu, meu primo Eli e mais três garotos não quisemos saber. Chegamos lá, e começamos a nos preparar para nadar.

 

Em fui o primeiro. Tirei rapidamente a roupa, pulei na água. Pelado mesmo. Aí, percebi que aquele rio, normalmente calmo, estava em franca ebulição. Mas era tarde. Eu já tinha me atirado nele.

 

Apesar dos meus esforços, a torrente me levava de camburão. De vez em quando eu conseguia botar a cabeça pra fora, e gritava, mas meus colegas achavam que eu estava brincando. E riam.

 

Enfim, uma cerca me salvou. Havia sido arrancada pelas águas. Dela sobrou somente um fio de arame farpado. Foi através dele que me safei.

 

Instintivamente, agarrei-me nele. E pouco me importando se as farpas penetravam nas minhas mãos fui, como um artista de circo, me pendurando nele até à margem. Só então meus colegas, vendo-me estendido no chão, mãos sangrando, exausto, deitado na beira do rio, perceberam o que me havia acontecido.

 

  1. 2014 não vai ser um ano fácil. Carnaval, Semana Santa, Copa do Mundo, eleições, vão deixar o rio dos negócios repletos de inundações. Exigirão, de anunciantes e agências, senso de oportunidade, muita imaginação. E, provavelmente, esforços extras.

 

  1. Vai ser necessário que de um lado e de outro sejam tomadas medidas capazes de evitar eventuais tormentas.

 

De lado das agências, uma cuidadosa análise dos seus métodos de trabalho.  Não é preciso adivinhar para saber, que nessa hora verificarão quanto elas perdem com retrabalhos, por exemplo. E quanto dinheiro vai para o ralo nesse vai-e-vem Cliente-Agência-Cliente. Se buscarem as causas, verão que a principal delas se chama brief.

 

Brief mal passado, mal escrito, mal compreendido, mal checado.

 

  1. E se a agência for mais fundo compreenderá que lhe faltaram iniciativas capazes de contribuir com o desenvolvimento dos negócios dos Clientes. Para tanto é preciso gastar a solados sapatos, esfregar a barriga no balcão, abrir os dois ouvidos, prestar a atenção no ambiente, informa-se sobre o que vem por aí, conversar com o consumidor o que por alguma razão, os profissionais que trabalham para ela se inibiram ou foram inibidos de ir adiante. Ou não foram preparados para esse novo momento.

“O cliente quer assim”, alguém vai dizer.

  1. Outro dia vi uma agência defender, junto ao Cliente, a necessidade de uma pesquisa.

“Não precisa”, disse o Cliente, sei tudo o que o público pensa. E o que ele quer.”

A agência tirou o time e fez uma campanha igualzinha os outras.

 

Certa vez uma empresa de Jaraguá do Sul contratou uma consultoria. Tinha sérios problemas de imagem e venda.

 

Os consultores fizeram uma pesquisa interna e constataram, horrorizados, que o púbico interno da empresa, diretoria inclusive, não tinham o menor conhecimento dela.

 

Apresentaram um diagnóstico ao presidente e propuseram um plano de ação.

 

“Isso não me interessa empregado não tem de saber nada da empresa, e a área de venda tem de se limitar a vender, sentenciou o presidente.

 

A Empresa não existe mais. Foi engolida por uma enxurrada de surpresas desagradáveis.

 

Em uma reunião da área de marketing de uma empresa, alguém, depois de analisar o plano de mídia, arriscou:

 

Tem um novo meio aí que, pelo que sei, está dando excelentes resultados.”

 

O diretor da área foi curto e grosso:

 

É muito caro”. E mudou de assunto.

 

  1. Existem verdades que infelizmente, a maioria dos anunciantes, especialmente os de médio e pequeno porte, não querem acreditar:

 

a)   O que eles pensam não é, necessariamente, o que o consumidor pensa.

b)  O consumidor mudou e muda contínua e rapidamente.

c)    O consumidor é o dono do produto – e sabe disso.

d)  Ou o anunciante confia na agência ou é melhor dispensá-la. Se confiar, ouça o que ela diz.

e)    Uma agência bem remunerada rende mais e melhor.

f)     Ao encurtar a remuneração da agência o Cliente retira o oxigênio dela. Que, para sobreviver, é obrigada a, ao mesmo tempo, enxugar a equipe e buscar novos Clientes. Isto significa menos dedicação, menos ideias para o desenvolvimento dos negócios do Cliente. Trocando em miúdos: pague bem, mas exija ideias novas.

g)   Não trate sua agência como um fornecedor qualquer. Ela é sua parceira, inclusive nos momentos difíceis, e precisa estar preparada e estimulada para esses momentos.

 

  1. Insisto: o rio de novidades chegou e está aumentando. Se a agências e clientes não souberem nadar neles, vão passar grandes apuros. Terão de se agarrar em algum arame farpado se não quiserem se afogar.

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