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A Violência e o Marketing
08 de Janeiro de 2014

A Violência e o Marketing

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1. “BRIGA NO ESTÁDIO: NISSAN DEIXA O VASCO DA GAMA

O Vasco sofreu mais um duro golpe no dia 16/12. Por meio de uma nota oficial, a Nissan anunciou que rompeu seu contrato de patrocínio com o clube.

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A alegação da montadora japonesa é que o recente caso de violência envolvendo a torcida cruz-maltina no jogo diante do Atlético-PR, pela última rodada do Campeonato Brasileiro, em Joinville (SC), “É incompatível com os valores e princípios sustentados e defendidos pela empresa em todo mundo”.

A parceria entre Vasco e Nissan havia sido iniciada em julho de 2013 e tinha previsão de duração de quatro anos.

O presidente do Vasco da Gama, Roberto Dinamite apresentando a nova camisa do Vasco em julho de 2013 quando da assinatura do contrato de patrocínio da Nissan (Foto: Divulgação/Vasco da Gama).

O Vasco receberia R$ 7 milhões por ano pelo contrato. Então, deixará de embolsar R$ 21 milhões até 2017. A marca é estampada na parte de trás da camisa do time de futebol, em uniformes de esportes olímpicos e nas sedes do clube.

“Não vejo fundamento jurídico para que o contrato seja rompido. A responsabilidade da segurança do jogo não era do Vasco. E apesar de alguns indivíduos terem se envolvido na briga, eles não representam o Vasco”, afirmou Gustavo Pinheiro, diretor jurídico do Vasco.

Mais cedo, a diretoria recebeu a notícia de que o presidente do STJD, Flavio Zveiter, rejeitou pela segunda vez o recurso para obter os pontos por meio de impugnação da partida contra o Furacão e manteve o rebaixamento do clube para a Série B sem haver julgamento. Em ação paralela, ainda houve a perda de oito mandos de campo e multa de R$ 80 mil.

Polêmica Recente e Crítica do Governador

Em novembro, houve polêmica envolvendo uma suposta opinião do diretor Murilo Moreno em uma palestra. De acordo com o jornal “Monitor Mercantil”, ele afirmou que seria “melhor ainda” se o Vasco caísse pelo destaque de um grande na Série B e também por dar à empresa o status de patrocinador do acesso. A declaração foi negada pela montadora, e o clube tentou minimizar.

Quem aproximou as partes foi o governador Sérgio Cabral, torcedor cruz-maltino, que esteve em contato direto com os representantes no ano passado sobre a inauguração da fábrica da montadora no Estado.

Cabral, no entanto, não está nada satisfeito com a diretoria do Vasco e alfinetou Roberto Dinamite esta semana ao dizer que “São necessários 350 quilos de dinamite para derrubar uma parede, enquanto bastou um “Dinamite” para derrubar um time inteiro”. O político fez a analogia logo após uma implosão para abrir um túnel na obra da Linha 4 do metrô.” (Promoview)

2. Tenho comentado, insistentemente, sobre a necessidade de o marketing esportivo deixar de ser apenas de negócio, para se tornar também social.

“Isso não rende dinheiro”, tenho ouvido. Não rende mas conserva, se quisermos ficar no caso da Nissan.

Mas vou adiante para afirmar: rende sim, na medida que o marketing social contribui – e muito para a paz no estádio.

Outro dia, o jornal Valor Econômico publicou matéria sob o título

Violência põe em risco o avanço do marketing

e reproduz as declarações de Ricardo Hinrichsen, diretor de negócios da consultoria esportiva CSM Brasil:

“A violências torna as empresas mais reticentes”, disse ele. “O patrocínio é um investimento. Quanto maior o risco, maior é o retorno que se exige. Se a percepção de risco para as empresas aumenta, o valor percebido pelo patrocínio cai”.

Na mesma matéria, as seguintes declarações do gerente de crédito do Itaú BBA, Cesar Grafietti:

“Não me surpreenderias se alguns patrocínios não fossem renovados, se víssemos empresas não querendo veicular o nome ao esporte… “Muitos clubes passaram boa parte do ano sem contrato de patrocínio, e acho que é a tendência para 2014.”

“… Quando a Inglaterra tirou a violência do futebol, criou a liga mais forte do mundo. Isso tem a ver com a capacidade de manter a ordem. O estádio deve ser uma vitrine.”

Mas, a julgar pelas declarações de Marcos Alvito, um estudioso do modelo de policiamento naquele país, a situação é tão tranquila por lá.

“A polícia inglesa trata cada jogo como uma tragédia em potencial”, disse ele à Folha de S. Paulo. “Os estádios têm um corredor de ambulância para dar acesso ao hospital. O perímetro ao redor fica interditado. Existe um sistema de câmera com monitoramento de remédio, polícia, bombeiro.”

Tradução: ajudou, mas não resolveu.

Como não vai resolver por aqui.

A não ser que clubes e entidades coloquem o marketing social em ação.

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