1. Um homem, sentindo-se morrer, pediu papel e pena e escreveu assim:
Deixo os meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres
Sem tempo para pontuar, morreu.
A quem ele deixava a fortuna? Eram quatro os concorrentes.
Chegou o sobrinho e fez estas pontuações numa cópia do bilhete:
Deixo os meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga as conta do alfaiate! Nada aos pobres!
A irmã do morto chegou em seguida, com outra cópia do escrito. E pontuou-a deste modo:
Deixo os meus bens minha irmã. Não a meu sobrinho!
Surgiu o alfaiate que, pedindo a cópia do original, fez estas pontuações:
Deixo os meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.”
O juiz estudava o caso, quando chegaram os pobres da cidade. Um deles, mais sabido, tomando outra cópia, pontuou-a assim:
Deixo os meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Aos pobres.
(www.novomilenio.inf.br\idioma\20010302)
2. Claro que você conhece essa antiga história. Resolvi, porém, ressuscitá-la aqui, por considerá-la apropriada para o momento.
Como você sabe, acontece neste momento, no mundo da comunicação, um embate entre os Clientes e as agências que os atendem.
Começou lá atrás com a questão do BV, assunto aparentemente resolvido. Aí, o problema se voltou para a mesa de negociação.
Por imposição dos Clientes, os orçamentos passaram a ser analisados, discutidos e aprovados – ou não! – pelo Departamento de Compras. Que está pouco se lixando para o valor das ideias. Assim equiparadas aos parafusos, elas não significam nada.
Atacando em outra frente, os Clientes discutem remuneração. Quanto menor ela for, melhor. Não querem pagar nem a criação e aceitam, no máximo, um fizinho.
Agora, acabem de inventar mais uma: a dilatação do prazo de pagamento. Nada de trinta dias. Querem 60, 90…
3. Penso que os anunciantes que agem assim, estão pontuando
de forma errada. Ao invés de exigirem qualidade, e assim faturarem mais com as mensagens que veiculam, tiram o oxigênio das agências, impedindo-as de contratarem mais gente competente para atendê-los. Sobrecarregam o pessoal que já tem, uma vez que na busca de recursos, elas precisam de um número cada vez mais clientes.
O resultado, só não vê quem não quer: peças de comunicação de péssima qualidade, muitas, inclusive impossível de ler, de entender.
4. Acho que os anunciantes precisam repensar e pontuar corretamente o problema. Antes que seja tarde demais.
