É preciso botar os pontos nos seus devidos lugares
04 de Dezembro de 2013

É preciso botar os pontos nos seus devidos lugares

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1. Um homem, sentindo-se morrer, pediu papel e pena e escreveu assim:

Deixo os meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres

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Sem tempo para pontuar, morreu.

A quem ele deixava a fortuna? Eram quatro os concorrentes.

Chegou o sobrinho e fez estas pontuações numa cópia do bilhete:

Deixo os meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga as conta do alfaiate! Nada aos pobres!

A irmã do morto chegou em seguida, com outra cópia do escrito. E pontuou-a deste modo:

Deixo os meus bens minha irmã. Não a meu sobrinho! 

Surgiu o alfaiate que, pedindo a cópia do original, fez estas pontuações:

Deixo os meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres.”

O juiz estudava o caso, quando chegaram os pobres da cidade. Um deles, mais sabido, tomando outra cópia, pontuou-a assim:

Deixo os meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Aos pobres.

(www.novomilenio.inf.br\idioma\20010302)

 

2. Claro que você conhece essa antiga história. Resolvi, porém, ressuscitá-la aqui, por considerá-la apropriada para o momento.

Como você sabe, acontece neste momento, no mundo da comunicação, um embate entre os Clientes e as agências que os atendem.

Começou lá atrás com a questão do BV, assunto aparentemente resolvido. Aí, o problema se voltou para a mesa de negociação.

Por imposição dos Clientes, os orçamentos passaram a ser analisados, discutidos e aprovados – ou não! – pelo Departamento de Compras. Que está pouco se lixando para o valor das ideias. Assim equiparadas aos parafusos, elas não significam nada.

Atacando em outra frente, os Clientes discutem remuneração. Quanto menor ela for, melhor. Não querem pagar nem a criação e aceitam, no máximo, um fizinho.

Agora, acabem de inventar mais uma: a dilatação do prazo de pagamento. Nada de trinta dias. Querem 60, 90…

 

3. Penso que os anunciantes que agem assim, estão pontuando

de forma errada. Ao invés de exigirem qualidade, e assim faturarem mais com as mensagens que veiculam, tiram o oxigênio das agências, impedindo-as de contratarem mais gente competente para atendê-los. Sobrecarregam o pessoal que já tem, uma vez que na busca de recursos, elas precisam de um número cada vez mais clientes.

O resultado, só não vê quem não quer: peças de comunicação de péssima qualidade, muitas, inclusive impossível de ler, de entender.

 

4. Acho que os anunciantes precisam repensar e pontuar corretamente o problema. Antes que seja tarde demais.

 

 

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