1. Em Jerusalém , uma repórter da TV vai ao “Muro das Lamentações” para entrevistar um velho palestino. Chegando ao local, vê que ele está rezando. Depois de uma hora, o ancião pára de rezar e quando se prepara para deixar o local, ela o aborda:
“Bom dia, senhor! Eu sou da TV Al Jazira e queria entrevistá-lo. O senhor é a pessoa mais antiga que vem diariamente rezar aqui no muro. Há quanto tempo o senhor vem aqui para rezar”?
“ Ahh… Há uns 80 anos — responde o provecto senhor.
“Nossa! 80 anos! E o senhor rezou pedindo o quê, nestes anos todos?”
“Rezo pela Paz entre judeus, muçulmanos e cristãos, rezo para que o ódio pare e que nossos filhos cresçam juntos em Paz e Amizade.”
“E como o senhor se sente após 80 anos de orações diárias?”
“Sinto-me como se estivesse falando com a parede…” (Fonte:internet)
2. Em um domingo destes o Estadão publicou entrevista em página dupla, com o professor André Martins Carvalho, doutor em filosofia pela Universidade de Nice e em teoria Psicalanalística pela Universidade do Rio de Janeiro, membro do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro e autor, entre outros, de Pulsação de Morte? Assunto: acidentes e violências, sobretudo as ocorridas ultimamente no Rio de Janeiro.
Entre outras coisas, o professor Martins disse, na entrevista, ter a sensação de que tudo é feito hoje no país apenas para montar uma fachada que esconde nossos problemas mais profundos.
“Isso é perigoso e favorece junto a pessoas com menos estrutura psíquica a ideia de que esta é uma terra de ninguém, onde tudo pode ser feito, inclusive crimes hediondos.”
Outros trechos dessa importante entrevista:
“… Para usar um termo que tem origem na filosofia política do século XVII, o Brasil pode até ter um contrato social, mas ele está muito corrompido.”
“E o que não temos é um pacto social, não existe um discurso de construção de fato de um país para todos.”
(…) O que se percebe é uma falta de identificação com o outro.
Essas pessoas (…) manifestam uma perversidade e indiferença para com o outro. O processo com indiferença com o outro se dá ao longo da vida, mas fundamentalmente na infância.”
3. Outro dia defendi aqui a tese de que, neste momento é indispensável acontecer, uma campanha de comunicação capaz de contribuir fortemente para acabar com a violência que acontece toda hora no país.
Afirmei que, mais do que polícia, as chamadas regras legais ou o que você afirmar, é fundamental pregar o respeito, porque sem ele não tem jeito.
4. Todo profissional envolvido de alguma forma com a comunicação de marketing deve ler a entrevista do dr. André Martins para entender o momento que estamos vivendo.
Senão, antes de chegar aos 80 anos, muito antes, assistiremos tragédias muito maiores do que as que assistimos agora, porque façamos o que fizermos para acabar com isso, passaremos o tempo todo batendo com a cabeça na parede.
Insisto: fora da comunicação, não há salvação.
