1. O guarda manda o sujeito parar o carro. –
“Seus documentos, por favor. O senhor estava a 130km/h e a velocidade maxima nesta estrada é 100.”
“Não, seu guarda, eu estava a 100, com certeza.”
A sogra dele, sentada no banco de trás, corrige: –
“Ah, Chico, que é isso! Você estava a 130 ou mais!”
O sujeito olha para a sogra com o rosto fervendo.
“E a lanterna direita do carro não está funcionando”…
“Minha lanterna? Nem sabia disso. Deve ter pifado na estrada.”
A sogra insiste:
“Ah, Chico, que mentira! Você vem falando há semanas que precisa consertar a lanterna!”
O sujeito está fulo e faz sinal à sogra para ficar quieta.
“E o senhor está sem o cinto de segurança.”
“Mas eu estava com ele. Eu só tirei para pegar os documentos!”
“Ah, Chico, deixa disso! Você nunca usa o cinto!”
O sujeito não se contém e grita para a sogra:
“CALA ESSA BOCA!”
O guarda se inclina e pergunta à senhora:
“Ele sempre grita assim com a senhora?”
Ela responde:
“Não, seu guarda. Só quando ele bebe.” (do site Piadas Engraçadas)
2. Entrei no elevador do meu prédio, as duas mulheres estavam conversando. Cumprimentei:
“Bom dia!”
Uma delas respondeu:
“Bom dia!”.
A outra sequer se deu ao trabalho de me olhar. Continuou falando.
3. Saí da garagem, preparava-me para entrar na rua. Um carro apontou na esquina, acelerou. Tive a impressão de que ele fez isso para evitar minha manobra para ganhar a rua. E para impedir que um pedestre atravessasse a rua. Na faixa.
4. Na estrada, congestionada como sempre, um carro, em alta velocidade, veio cortando os demais, fazendo coisas de arrepiar o Massa.
Mais adiante, vi dois motoristas trocando desaforos.
5. Fim da tarde cheguei em casa, vi, na Band, o Datena noticiar uma série de crimes.
6. Por que estou relatando isso? Porque essas coisas estão relacionadas. Se você ignora seus vizinhos, tratando-os como objetos que não contam, imagina na rua, na estrada.
7. Dia desses fiz uma bobagem na rua. O cara que vinha logo atrás, ficou puto da vida, começou a me xingar. Felizmente eu estava de bom humor. Desci do carro, e vendo que ele levava a família, disse: “Que é isso, companheiro? Um sábado desses, com sol e um baita convite à praia, você vai estragar o dia da sua família por causa de uma bobagem que eu fiz? Desculpe, foi sem querer.”
Voltei para o meu carro, ainda com tempo de ouvir a vaia da garotada.
8. Acho, meu caro leitor, que não se pode protelar mais. Está faltando uma baita campanha de comunicação que, apesar de institucional, mas enfática, ensine o cidadão que tudo começa onde moramos.
9. Ensinando que nossos vizinhos não são nossos inimigos. Que precisamos, se não amar, como recomendam os mandamentos, pelo menos respeitar o próximo.
10. Lembro-me das minha infância e juventude lá em Cachoeira Paulista. A gente conhecia os vizinhos, quando gostava deles os freqüentava e era freqüentada por eles. Quando não gostava, ignorava-os, mas os cumprimentávamos, sorriamos pra eles. Mas ódio – esse ódio que hoje leva ao crime – não havia.
11. Já passou da hora de criarmos uma campanha de comunicação lembrando que, vizinhos ou não, somos humanos. Como tal, devemos nos respeitar. Em casa, nos corredores do nosso prédio, na estrada ou na rua ou no escritório.
12. Estamos vendo, neste momento, governos, empresas de economia mista, autarquia etc, investindo pesado para mostrar seus valores.
Pergunto: há um valor maior do que ensinar as pessoas que tudo começa dentro de casa, no relacionamento com nossos vizinhos. Porque, assim, a gente aprende que todos somos humanos e que com uma boa conversa se resolve tudo.
Tomara que alguém – publicidade, homem ou mulher pública, burocrata que seja – tome a iniciativa. Antes que seja tarde demais, porque a coisa terá atingido aquele ponto onde não há mais retorno.
Aí, ao invés de gritar, teremos de matar a sogra.
