Por Luis Claudio Allan*
Quando comecei a trabalhar com assessoria de imprensa há 35 anos, sequer imaginava a criação de uma rede mundial de computadores.
Na época, início dos anos 90, cheguei a escrever com uma Olivetti Praxis 20, presente de formatura da minha mãe, e gerávamos um prejuízo razoável nas redações com toneladas de papel de fax recebendo nossos releases.
O pobre do estagiário preenchia um a um os cabeçalhos com o nome do jornalista e editoria e, do outro lado, outro infeliz recortava cada texto para entregar nas mesas dos editores e repórteres.
Jornais, revistas, rádios e TVs eram os únicos meios de comunicação para divulgação de notícias. Para comprar a Folha ou o Estadão nas bancas era preciso um carrinho de mão para carregar as edições dominicais.
A WWW chegou para quebrar esta lógica de uma mídia unidirecional em que o único espaço reservado para audiência era a coluna de Carta do Leitor para, com a mídia digital, dar vez e voz a qualquer um que queira expressar sua opinião e criar sua própria mídia com um perfil nas redes, uma newsletter no Substack ou um canal no YouTube.
O nome do jogo agora é (in)fluência de narrativas entre todos os canais.
Agora não basta estar na mídia (PR).
É preciso reverberar através da voz dos c-levels e dos colaboradores (marca pessoal e marketing de conteúdo).
É essencial amplificar através das vozes de Influenciadores B2B (Creator Marketing).
E, acima de tudo, a métrica de sucesso não está tão somente nos números de clippings, impressões e likes de posts, mas especialmente quando sua campanha se despe das vestes de publicidade sem alma e se humaniza para gerar conversas genuínas, criar comunidades, virar assunto na mesa de bar, fazer história, tornar-se inesquecível.
Para chegar lá, o caminho é uma estratégia multicanal, promovendo uma fusão entre earned media (RP), owned media (social media, blogs, newsletters, podcasts…) e paid media (influenciadores, branded content…) para disseminar sua narrativa, envolver e emocionar a audiência em cada ponto de presença e contato.
Com esta combinação poderosa, sua mensagem deixa de invadir e incomodar para persuadir, inspirar, engajar, compartilhar e, acima de tudo, conectar.
“As pessoas não querem ver um anúncio polido. Elas querem se identificar, ouvir vozes reais e sentir que aquilo se encaixa em suas vidas”, escreveu Khushi Sharma em artigo no Agency Reporter.
“O que mais amo é que a integração coloca os humanos no centro. O público está cansado de ser alvo de marketing. Eles querem algo que pareça real. Eles querem histórias com as quais possam se identificar”, acrescentou.
Aqui na FirstCom e na People2Biz construímos um case com a Favikon que comprovou esta tese. Quando o CEO Jeremy Boissinot me procurou pedindo para organizar uma ação com influenciadores durante sua visita ao Brasil, sugerimos estruturar uma pesquisa sobre a indústria de Creator Marketing no Brasil a partir de dados extraídos da plataforma.
Ele comprou a ideia e nos entregou um levantamento minucioso que se tornou uma ótima munição para gerar impacto em diversos canais.
A partir daí, integramos uma série de ações on e offline:
RP e Data Marketing
Divulgamos os dados da pesquisa na imprensa e conquistamos uma grande cobertura de mídia.
Marketing de Relacionamento
Organizamos um evento híbrido com influenciadores B2B e c-levels de agências presentes no estúdio e fizemos um streaming pelo YouTube e LinkedIn da Favikon. Promovemos também um happy hour seguido de jantar com os painelistas e influenciadores embaixadores da Favikon na noite anterior ao evento, além de encontros individuais do Jeremy com sócios e executivos de algumas das principais agências de influencer marketing do Brasil.
Influencer Marketing
Apresentamos os resultados da pesquisa na abertura do evento e uma agenda de painéis com creators e executivos do mercado de influencer marketing, o que gerou uma forte repercussão com dezenas de posts publicados no LinkedIn e no Instagram.
Community Marketing
Criamos uma comunidade no WhatsApp e estimulamos o debate entre os participantes em torno dos temas discutidos no evento, além de incentivarmos o engajamento nos conteúdos nas redes sobre a pesquisa e o evento.
O resultado?
- Mais de 30 matérias publicadas na imprensa, que geraram um valor equivalente publicitário de mais de R$ 900 mil.
- Mais de 60 posts publicados por influenciadores no LinkedIn e Instagram, que totalizaram mais de 4 mil reações, mais de 2 mil comentários e cerca de 150 mil impressões.
Você ainda trata suas ações de comunicação em silos?
Sugiro começar a repensar sua estratégia para não cair no esquecimento.
O ROI somente virá com integração e colocando as pessoas no centro.
Pegou a visão?
*CEO da FirstCom e da People2Biz
Foto: Freepik
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