O mercado global de dispositivos móveis segue em transformação, impulsionado por novas estratégias de monetização, pelo avanço da inteligência artificial generativa e por mudanças nos padrões de atenção dos usuários.
Embora redes sociais e aplicativos baseados em IA continuem dominando o ecossistema digital, um segmento específico ganhou protagonismo em 2025: os aplicativos de séries e dramas curtos.
Segundo levantamento da Sensor Tower, o tempo gasto nesses aplicativos cresceu 5,78 bilhões de horas em comparação com o ano anterior, refletindo a consolidação do formato entre consumidores que buscam conteúdos rápidos e de fácil consumo.
No volume de downloads, a categoria de dramas curtos registrou o segundo maior crescimento do mercado, com aumento de 1,66 bilhão de instalações em relação ao período anterior. Aplicativos voltados para microdramas, como o ReelShort, destacaram-se ao apresentar expansão de 115% na receita anual.
O segmento alcançou US$ 2,98 bilhões em receita dentro dos aplicativos, configurando o terceiro maior crescimento em faturamento entre as categorias analisadas em 2025.
De acordo com a Sensor Tower, o desempenho expressivo está diretamente ligado a estratégias de monetização mais eficientes, que combinam compras internas, modelos híbridos de assinatura e publicidade integrada, alinhadas ao consumo acelerado de conteúdo em formato curto.
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“Ter uma estratégia que visa apenas conquistar muitos usuários rapidamente… Isso não funciona a menos que você também tenha um acompanhamento com as estratégias de retenção e monetização”, afirmou Johnathan Briskman, diretor de insights de mercado da Sensor Tower.
A declaração reforça uma das principais conclusões do relatório State of Mobile 2026, que analisa o desempenho do setor de aplicativos móveis e aponta que crescimento sustentável depende não apenas da aquisição acelerada de usuários, mas da capacidade de mantê-los engajados e gerar receita consistente ao longo do tempo.
O estudo reúne dados da plataforma Mobile App Insights da própria empresa, além de números de downloads da App Store do iOS e estimativas de receita do Google Play, cobrindo o período de 1º de janeiro de 2014 a 31 de dezembro de 2025.
O levantamento também incorpora métricas complementares que ajudam a mapear tendências de consumo, modelos de negócios e a evolução do mercado global de aplicativos.
A receita gerada por aplicativos móveis avançou de forma significativa em diversos setores, refletindo a preferência crescente dos consumidores por plataformas digitais na hora de adquirir produtos e serviços. Dados da Sensor Tower indicam que as redes sociais registraram alta de 17% na receita anual, alcançando US$ 12,9 bilhões em 2025.
No segmento de streaming, plataformas como a Netflix apresentaram crescimento de 5% em relação ao ano anterior, somando US$ 11,6 bilhões em receita no período.
Entretanto, algumas categorias superaram amplamente esses resultados, com taxas de expansão de três dígitos.
Aplicativos de inteligência artificial generativa e assistentes virtuais movimentaram US$ 4,33 bilhões, o que representa um salto de 254% na comparação anual. Entre os destaques do segmento está o ChatGPT, apontado como líder da categoria e principal motor do avanço expressivo no faturamento.
Apesar do avanço expressivo em diversas frentes do mercado mobile, nem todas as 20 categorias analisadas apresentaram crescimento em 2025, segundo a Sensor Tower.
O segmento de livros e quadrinhos, liderado pela Audible, movimentou US$ 4,2 bilhões em receita dentro de aplicativos, o que representa uma retração de 1% em relação ao ano anterior. Já os aplicativos de transmissão ao vivo registraram queda ainda mais acentuada, de 9%, totalizando US$ 899 milhões em faturamento no período.
Para Johnathan Briskman, diretor de insights de mercado da Sensor Tower, os dados ajudam a compreender a nova dinâmica de consumo digital. “É bom ver para onde está indo o dinheiro dos consumidores”, afirmou. “Os consumidores estão mais à vontade para gastar seu tempo, o que já sabíamos, mas também agora gastando seu dinheiro em dispositivos móveis.”
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