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Norte-americanos não querem pagar por notícias
23 de Fevereiro de 2026

Norte-americanos não querem pagar por notícias

Desconexão sobre a saúde financeira da imprensa amplia desafios para o setor

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Os norte-americanos demonstram pouca disposição para pagar por notícias, mesmo reconhecendo sua importância.

Um evantamento do Pew Research Center aponta que apenas 8% dos adultos nos Estados Unidos acreditam ter responsabilidade direta pelo financiamento do jornalismo. Para 45%, o custeio deveria ficar a cargo de publicidade e patrocínios.

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A pesquisa, que analisou a relação complexa dos americanos com o consumo de informação, mostra ainda que somente 16% afirmam pagar ou contribuir financeiramente com veículos de comunicação, seja por meio de assinaturas, doações ou programas de членas.

Por que o financiamento do jornalismo importa

Dados do Pew Research Center indicam que a receita publicitária da indústria de jornais foi de US$ 9,7 bilhões em 2022, último ano com números consolidados divulgados pela entidade. Em 2006, esse valor se aproximava de US$ 50 bilhões. O crescimento digital, segundo análises do setor, dificilmente compensará perdas dessa magnitude.

Outro fator de pressão é o bloqueio de palavras-chave, que já impacta 30% do inventário publicitário de notícias nos Estados Unidos, conforme relatório recente da WARC sobre tendências globais de mídia.

O estudo também mostra fragmentação no consumo de informação: dois terços dos americanos deixaram de acompanhar ao menos uma fonte específica de notícias, e seis em cada dez reduziram o volume total de conteúdo consumido.

Caso o jornalismo confiável continue a perder sustentabilidade financeira, especialistas alertam para consequências amplas, que vão da polarização e disseminação de desinformação à erosão da confiança pública. Embora anunciantes não sejam os únicos responsáveis por esse cenário, seu papel no ecossistema midiático torna-se cada vez mais relevante.

Principais resultados

  • 46% afirmam que as notícias os fazem sentir-se mais informados;
  • 52% dizem sentir esgotamento diante da quantidade de notícias disponíveis atualmente;
  • 48% consideram que a maior parte do conteúdo noticioso que consomem não é relevante para suas vidas;
  • 29% declaram estar muito confiantes e 50% razoavelmente confiantes de que saberiam verificar a precisão de uma notícia;
  • Apenas 3% estão muito confiantes e 22% razoavelmente confiantes na capacidade de outras pessoas de checar a veracidade de uma informação;
  • 71% acreditam que as empresas jornalísticas estão financeiramente “razoavelmente bem ou extremamente bem”, evidenciando uma percepção distante da realidade econômica do setor.

Influenciadores de notícias em ascensão

O investimento publicitário tem migrado de forma crescente para conteúdos gerados por usuários (UGC). A WARC projeta que, até 2026, os gastos com UGC superarão os destinados à mídia profissional. Parte significativa dos orçamentos também está sendo direcionada a influenciadores de notícias.

Plataformas como TikTok impulsionam a ascensão de jornalistas criadores, capazes de produzir e publicar conteúdo em poucos minutos, alcançando altos níveis de engajamento. Movimento semelhante ocorre em plataformas como Substack e Patreon, baseadas em assinaturas.

Muitos desses criadores constroem audiências fiéis, que interagem com seus conteúdos de forma mais intensa do que com veículos tradicionais, tendência que ganha força. Pesquisa recente do Reuters Institute for Journalism aponta que 79% dos entrevistados utilizam redes sociais como fonte de notícias.

No entanto, a questão central permanece a confiança. Diferentemente da cobertura tradicional, esses novos formatos operam com menos mecanismos editoriais de controle. Diante disso, marcas precisarão avaliar cuidadosamente os riscos ao patrocinar ou estabelecer parcerias com influenciadores de notícias que atuam fora das estruturas jornalísticas convencionais.

Foto: Freepik

Fonte: WARC

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