Um novo conceito deve ganhar espaço em 2026: o consumo estratégico.
O termo descreve o hábito de se alimentar com foco em metas nutricionais específicas, uma lógica semelhante à segmentação precisa do marketing, aplicada agora à alimentação. Embora o nome seja recente, a prática não é exatamente nova. Tendências ligadas à alimentação funcional, ao bem-estar e ao consumo consciente já vêm se consolidando há anos. A novidade está em reunir esses comportamentos sob um mesmo conceito, ajudando a explicar os hábitos alimentares contemporâneos.
O consumo estratégico funciona como um termo guarda-chuva para fenômenos como a valorização das proteínas, bebidas funcionais, biohacking e tendências impulsionadas pelas redes sociais, como cowmaxxing, fibremaxxing e outros movimentos do universo “#maxxing”.
Embora o termo também possa se referir a escolhas de consumo alinhadas a valores materiais e financeiros, essa abordagem específica ganhou destaque em uma reportagem do New York Times sobre tendências alimentares para 2026.
Em um sentido mais amplo, o consumo estratégico vai além da alimentação e passa a refletir um estilo de vida. Ele já influencia o desempenho de marcas, especialmente aquelas que não acompanham as novas exigências dos consumidores. Um exemplo é a dificuldade enfrentada por redes tradicionais de pizza, pressionadas por um público cada vez mais atento a opções consideradas mais saudáveis.
Essa mudança de mentalidade também começa a impactar políticas públicas. No Reino Unido, por exemplo, a proibição recente de anúncios de alimentos ultraprocessados reflete a demanda por medidas que enfrentem problemas de saúde recorrentes, como a obesidade.
O New York Times também destacou outras tendências alimentares que devem ganhar força nos próximos anos. O consumo de repolho tende a crescer, acompanhado de uma enxurrada de receitas nas redes sociais. O vinagre deve assumir novos usos, desde bebidas sem álcool até aplicações associadas ao bem-estar. Já a chamada kitchen couture aponta para cozinhas cada vez mais estéticas, onde até garrafas de azeite se tornam elementos de expressão pessoal.
Outro destaque é a palavra “valor”, apontada como um dos conceitos centrais do ano. Não se trata apenas de preço baixo, mas de qualidade, experiências diferenciadas e sustentabilidade, fatores cada vez mais relevantes para consumidores exigentes.
O consumo estratégico se diferencia de modismos passageiros por estar ancorado em valores duradouros, como intencionalidade, propósito e sustentabilidade. São princípios que resistem ao tempo e moldam escolhas de longo prazo.
O relatório Marketer’s Toolkit 2026, da WARC, reforça essa visão ao apontar novos marcos no comportamento do consumidor como um dos principais temas do período. Segundo o estudo, marcas precisarão responder a uma nova combinação de necessidades e desejos que desafia modelos tradicionais. Identificar novos pontos de entrada nas categorias, construir plataformas flexíveis e compreender o contexto de vida do consumidor serão fatores decisivos para se manter relevante.

Foto: Freepik
Fonte: WARC
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