A Meta anunciou que começará a testar, a partir de 18/3, o recurso Community Notes, um modelo de moderação de conteúdo baseado em colaboração coletiva.
O sistema permitirá que usuários adicionem contexto a postagens e avaliem as notas de outros participantes em plataformas como Facebook, Instagram e Threads.
A iniciativa se inspira no Community Notes do X, lançado originalmente em 2019 sob o nome Birdwatch, e utilizará um software de código aberto desenvolvido pela própria plataforma de Elon Musk.
“Inicialmente, usaremos o algoritmo de código aberto do X como base para nosso sistema de classificação. Isso nos permitirá aprimorar a tecnologia ao longo do tempo para melhor atender às nossas plataformas”, explicou a Meta em um comunicado oficial publicado na última quinta-feira (12/3).
A empresa pretende coletar feedback e se apoiar em pesquisas acadêmicas sobre a tecnologia do X para realizar ajustes contínuos no algoritmo.
Fim dos Checadores de Fatos e novo modelo de moderação
A implementação do Community Notes acontece apenas dois meses após o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, anunciar o fim das parcerias com checadores de fatos terceirizados. Segundo ele, a decisão visa reduzir a censura e resgatar os princípios originais da empresa.
Apesar de reconhecer que o novo sistema não será uma solução perfeita para a moderação de conteúdo, a Meta acredita que o modelo será “menos tendencioso” do que o programa de checagem de fatos que está substituindo.
Para minimizar possíveis vieses, as notas só serão publicadas quando usuários com diferentes perspectivas concordarem com o conteúdo. Além disso, os autores das notas não serão identificados.
Desafios e críticas ao novo sistema
No entanto, especialistas questionam a eficácia desse modelo. Um estudo publicado em outubro de 2024 pelo The Washington Post e pelo Center for Countering Digital Hate revelou que a maioria das notas do Community Notes no X nunca chega a ser exibida. O motivo é a exigência de consenso entre usuários de diferentes espectros políticos. Segundo a pesquisa, 74% das notas verificadas como corretas—ou seja, que estavam alinhadas com checagens independentes—não foram exibidas ao público. Enquanto isso, postagens enganosas relacionadas às eleições acumulavam 2,9 bilhões de visualizações.
A Meta introduziu parcerias com checadores de fatos em dezembro de 2016, após ser criticada por permitir a disseminação de desinformação durante as eleições presidenciais dos EUA daquele ano. Agora, a empresa busca um novo caminho para lidar com o problema.
Expansão e implementação gradual
Até o momento, cerca de 200 mil usuários já se inscreveram para atuar como colaboradores do novo sistema, e a empresa está incentivando mais pessoas a se cadastrarem em uma lista de espera.
O Community Notes será lançado inicialmente nos Estados Unidos, em versões em inglês, espanhol, chinês, vietnamita, francês e português. No futuro, a Meta pretende expandir a ferramenta para mais idiomas e mercados ao redor do mundo.
Por enquanto, a checagem de fatos por terceiros continuará em operação fora dos EUA, até que a empresa esteja segura de que o novo modelo está funcionando conforme o esperado.

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Fonte: AdWeek
