Ao contrário das redes móveis públicas, acessíveis a qualquer pessoa mediante contrato, as redes privativas são desenvolvidas sob medida para atender exclusivamente às necessidades de quem a demanda, geralmente empresas que necessitam de conexão mais robusta.
Entre os benefícios, estão a confiabilidade, a previsibilidade e o total controle sobre a rede – o que permite decidir quem pode acessá-la, quais dispositivos podem se conectar e como os dados são gerenciados, oferecendo um nível mais alto de segurança. Esse modelo está sendo sugerido como uma solução cada vez mais atrativa, especialmente, para se lidar com o grande volume de dados gerado pela digitalização da indústria e para conectar diversas unidades de uma empresa, de forma eficiente.
Expansão da modalidade
Com o amadurecimento da tecnologia 5G no Brasil e no mundo, estima-se proporcionalmente uma maior adoção de redes privativas pela indústria nacional. Até agora, grande parte das redes móveis privativas licenciadas no país está relacionada aos padrões tecnológicos mais antigos, como o 4G.
No entanto, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aposta no momento na expansão dessa modalidade de serviço com o uso de frequências certificadas internacionalmente para a quinta geração (5G), nas faixas de 2,39 gigahertz e 3,7 gigahertz. O 5G traz alta velocidade, maior largura de banda e baixa latência, garantindo operações críticas em tempo real, essenciais para os modelos operacionais e de negócio da Indústria 4.0, além de fundamentais para a sustentabilidade e competitividade da nova indústria brasileira.
Embora as redes privativas no padrão 5G ainda avancem timidamente em território nacional, já se verificam bons resultados.
A catarinense Unifique tem liderado trabalhos de referência em parceria com a gigante WEG, no segmento de bens industriais, obtendo respostas acima do esperado. A planta fabril WEG-V2COM foi considerada o ambiente ideal para se efetuarem avaliações sobre uma rede privativa 5G industrial, visando a capacidade de produção e demanda de casos diversificados que dependem de comunicação sem fio.
Cobertura da rede
Para maximizar os testes, realizados na região matriz da WEG, em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, a Unifique se uniu à Zhongxing Telecom Equipment (ZTE), que forneceu equipamentos 5G e o gerenciamento avançado da rede. Juntas, Unifique, WEG-V2COM e ZTE completaram os protocolos e observaram um desempenho superior aos processos industriais. Os testes tiveram como objetivo principal verificar a viabilidade de uma rede 5G privativa em uma fábrica nacional, medindo a conectividade de vários dispositivos e a cobertura da rede na área fabril.
Usando o padrão Release-16 do 3GPP, de 80 MHz, adquirido pela Unifique no leilão da Anatel em 2021, os testes perceberam menor atraso e menos perda de dados, fundamentais para a alta performance da indústria. A implementação da rede 5G também melhorou significativamente a eficiência e a agilidade dos processos na fábrica da WEG-V2COM, com uma cobertura ampla e sinais fortes, mesmo em locais de difícil acesso. Foram observadas melhorias notáveis na velocidade e estabilidade, especialmente em testes de equipamentos e no uso de robôs VR (realidade virtual). O aumento na velocidade de troca de informações foi outro dos benefícios experimentados.
“A implementação de uma rede 5G industrial provou ser um passo importante para tornar a cadeia de produção mais eficiente”, afirma Gabriel Amâncio, Diretor de Inovação e Transformação Digital da Unifique. O resultado positivo aponta que a rede 5G privada permitirá usos inovadores de aplicações industriais, que não eram possíveis anteriormente com redes menos robustas e estáveis, como o Wi-Fi. “Com a rede privada 5G, as indústrias terão, por exemplo, a capacidade de controlar robôs remotamente e gerenciar gigas de dados de testes e linhas de produção sem o receio de perder a conexão. Essa tecnologia vai transformar a forma como operamos, proporcionando maior eficiência e confiabilidade em nossas operações diárias”, completa Amâncio.

Foto: Daniel Zimmermann
