- Um dia, chegou um São Paulino em sua BMW num açougue e perguntou:
– O senhor tem Picanha?
– Sim.
Então pediu 20 kg e pagou com dólares.
Depois chegou um Santista em sua Ferrari e perguntou:
– O senhor tem Filé Mignon? – Sim.
Então pediu 30 kg e pagou com Euros.
Depois chegou um Palmeirense num Audi e perguntou:
– O senhor tem Salmão?
– Sim.
Então pediu 25 kg e pagou com Cartão de Crédito Especial.
Por último chegou um Corintiano num Opala caindo os pedaços escrito no para-choque: è noix ki voua bruxXxXxão, e perguntou:
– U Sinho tein braçu?
– Sim.
Então levanta pra riba kisso aqui é um assarto. (Wellington, na Internet)
- Li a piada que reproduzi aí em cima e me lembrei de um episódio que vivi no Morumbi.
Era um S. Paulo x Corinthians e o estádio estava lotado. Não sei se você já viu a torcida corinthiana em ação: é terrível a pressão que ela exerce sobre os adversários, jogadores e torcedores, inclusive.
Eu assistia ao jogo, torcendo das gerais. O ambiente era muito tenso. No intervalo, quando procurávamos aliviar da tensão, chegou-se a nós uma pessoa, com a camiseta tricolor rasgada, visivelmente alguém oriundo da classe c, e nos aconselhou:
“Fiquem nervosos não, aquilo lá é torcida de pobre. nós, que somos gente boa, vamos ganhar esse jogo”.
- Não me lembro do resultado do jogo, mas jamais me esqueci desse episódio.
E não me esqueci porque no meu quotidiano profissional, tenho vivido episódio semelhante: atendimento chega pra criação, pede um anúncio ou uma campanha. E anuncia: público alvo, masculino, classe c.
Nenhum detalhe sobre essa “classe c”.
A criação, que também não foi ao mercado para saber do que se trata, faz o melhor que pode, a campanha é apresentada ao cliente e não é aprovada.
“Isto não tem nada a ver com meu problema.Vocês não entenderam nada!”
Aí, o job volta para a agência para ser feito. Custo extra que a agências tem de engolir.
As relações entre cliente e agência se enfraquecem e começam a caminhar para o desenlace.
- Afinal, quem é o culpado?
O brief.
Mal elaborado pelo cliente, engolido com casca e tudo pela agência.
Se você é publicitário e tem alguma experiência, certamente já passou por isso.
E o que foi feito, para corrigir?
Provavelmente nada além de algumas demissões e de novas contratações, que incorrerão no mesmo erro.
- Qual a providência correta, para evitar novos problemas?
Treinamento. Só isso.
