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Coluna Ozinil Martins | O Vietnã nos ensinando a importância da Educação!
28 de Junho de 2023

Coluna Ozinil Martins | O Vietnã nos ensinando a importância da Educação!

"Os estudantes vietnamitas tiveram pontuações mais altas em leitura, Matemática e Ciências do que estudantes de países desenvolvidos, entre eles Estados Unidos e Inglaterra"

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 28 de Junho de 2023 | Atualizado 28 de Junho de 2023

Sempre que o nome Vietnã vem à cabeça as recordações remetem-nos à guerra contra os Estados Unidos. A fronteira da luta entre o capitalismo e o comunismo aconteceu quando, o país dividido entre Vietnã do Norte e Vietnã do Sul, colocou o mundo em sobressalto com a perspectiva da ampliação da guerra e do envolvimento de outros países. Eram tempos de guerra fria!

A guerra que começou em 1955 e só terminou em 1975; foram 20 anos de uma luta insana, pois enquanto as forças americanas atuavam com soldados regulares os vietnamitas se utilizavam de técnicas de guerrilhas, que ficaram famosas no mundo todo, através dos temidos vietcongues. Uma guerra em que aconteceu de tudo, desde bombardeio de civis (a imagem da adolescente nua e queimada permanece até hoje na memória de quem viu) até o uso do agente laranja e das bombas de napalm. Agente laranja que, além dos efeitos sobre as pessoas, tinha um resultado devastador sobre o meio ambiente e seus efeitos perduram até hoje. A bomba de napalm era uma bomba de alto poder incendiário e, em contrapartida, os vietnamitas utilizavam-se de técnicas de guerrilhas, as mais letais e improváveis possíveis.
Importante lembrar que o Vietnã havia sido uma colônia francesa e só conseguiu sua libertação em julho de 1954, após a derrota francesa na batalha de Dien Bien Phu. Portanto, um país que só viveu em guerra até 1975.

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Hoje, o Vietnã é uma República comunista, com partido único, 98 milhões de habitantes e com economia essencialmente rural, especialmente na produção de algodão; seus principais produtos de exportação são roupas, calçados, eletrônicos e petróleo bruto, entre outros. Talvez o tênis que você esteja usando seja produzido por lá, já que, praticamente, metade da produção de calçados da Nike é feita no país.

Mas, a que vem recordar as guerras por que passou o Vietnã? A surpresa que tive ao ler a informação de que o Vietnã surpreendeu a todos na última prova PISA – Programa para a Avaliação Internacional de Alunos – despertou o interesse em saber mais sobre a atual situação do país e seu povo. Na primeira participação do Vietnã na prova organizada pela OCDE, os estudantes vietnamitas tiveram pontuações mais altas em leitura, Matemática e Ciências do que estudantes de países desenvolvidos, entre eles Estados Unidos e Inglaterra.

O segredo do milagre? Comprometimento do governo priorizando a Educação, plano de estudo muito bem definido e forte investimento nos professores. Em 2010 o governo investiu 21% de toda a arrecadação em Educação e este número vem se mantendo acima da média do que gastam os países da OCDE; o plano de estudo elaborado, foca nas habilidades básicas (língua nativa, matemática e ciências) e o modelo propõem, não só o domínio destas disciplinas, mas como transformar conceitos em prática. A concentração em poucas disciplinas permite o aprofundamento dos assuntos com ganhos consideráveis para os alunos.

Os professores têm um papel crucial no modelo porque vai além do papel de ensinar, mas serve de apoio aos estudantes e seu bem-estar. Além destes aspectos é esperado que, os professores realizem seu próprio desenvolvimento. Importante ressaltar o valor que a Educação tem, junto às famílias vietnamitas e, o apoio incondicional que é dado aos filhos estudantes.

Importante ressaltar a autonomia das escolas em montar seus planos de ensino de acordo com as peculiaridades e necessidades locais exatamente o contrário do que se pratica no Brasil. É um país que ainda tem muito a caminhar na área, principalmente, pelo número de estudantes em idade escolar fora das salas de aula, mas que segue a risca o princípio de: “àqueles que dizem que não dá para fazer que saiam da frente daqueles que estão fazendo!”

Que os exemplos da Coreia do Sul, Polônia e, agora, Vietnã permitam às autoridades educacionais do Brasil entender que só há uma saída para a eliminação da pobreza: Educação!

Foto de Alexandre Van Thuan/Unsplash

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