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Coluna Ozinil Martins | Como a história se repete!
09 de Maio de 2023

Coluna Ozinil Martins | Como a história se repete!

"Quem tem muito a perder e está percebendo o surgimento de um governo com viés totalmente autoritário é a classe média"

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 09 de Maio de 2023 | Atualizado 09 de Maio de 2023

Há um filme chamado “A Onda” que, por dever profissional, já assisti inúmeras vezes. Este filme foi feito, baseado no livro homônimo do escritor americano Todd Strasser, com estudantes do ensino médio.

É a estória de um professor de História que, no decorrer de uma aula sobre a Segunda Guerra Mundial, o nazismo e a ascensão de Hitler ao poder com todas suas consequências, é questionado por uma aluna sobre o motivo do povo alemão ter permanecido indiferente aos acontecimentos.

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Sem resposta o professor decide realizar uma experiência utilizando-se dos próprios alunos e das técnicas praticadas pelos nazistas para submeter o povo alemão aos seus interesses. O resultado? A turma toda, com exceção de uma aluna, aderiu ao modelo de gestão proposto pelo professor, desde a saudação criada para identificar os membros do grupo até a opressão sobre os demais alunos que não aderiam e questionavam o que estava acontecendo.

Há uma frase dita por ele que mostra a ansiedade dos estudantes em seguir a liderança: “é impressionante como eles gostam que tomemos decisões por eles!”. Esta frase, no meu entendimento, sintetiza o sentimento da maioria do povo que não quer se incomodar e se acomoda aos modelos impostos, sem discuti-los ou sequer analisá-los. Alunos que até então eram inexpressivos passaram a exercer papel de liderança e a ter ascendência sobre os demais da turma, principalmente, pela imposição física.

Brasil, ano 2023; 7% da população segundo o IBGE é analfabeta (14 milhões de pessoas), 30% da população é analfabeta funcional, lê e escreve, mas não entende o que lê ou escreve (60 milhões de pessoas), 21 milhões de famílias utilizam da ajuda governamental através do programa Bolsa Família (se considerarmos a média das famílias com 4 pessoas estamos falando de mais de 80 milhões de pessoas), portanto milhões de habitantes alheios a tudo que acontece na política e economia; a maioria destas pessoas está interessada no que comerá durante o dia e, se haverá algo para comer nos dias subsequentes.

Estas pessoas não têm noção do que seja Fake News, taxa Selic, reforma tributária, censura dos meios de comunicação ou o que seja. Estão interessadas nos benefícios que poderão usufruir do governo. Este povo, em sua imensa maioria, não está preocupado com a liberdade de expressão, pois nunca foram ouvidos ou tiveram seus anseios atendidos.

Continuarão sendo párias da sociedade com qualquer tipo de governo que se instale no país, pois não foram educados para exercerem a cidadania, mas através de votos orientados, a elegerem os “sinhozinhos de engenho”, que continuam a possuir seus feudos eleitorais fruto da péssima educação que proporcionam aos eleitores. José Lins do Rego e o retrato dos coronéis e seus engenhos de açúcar estão mais vivos do que nunca!

Quem tem muito a perder e está percebendo o surgimento de um governo com viés totalmente autoritário é a classe média. Possuidora de um padrão educacional mais qualificado enxerga a criação das bases de um governo de exceção, como na Alemanha nazista e, com vozes discordantes, tenta se fazer ouvir através de alguns meios de comunicação que ainda resistem e de parte dos parlamentares eleitos. Porém, a grande maioria ainda se encontra inerte e sem grande interesse em tudo que está acontecendo.

Espero que não cheguemos ao retratado no Caminho com Maiakoski

“Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão.
e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta e, já não podemos dizer nada”.

Foto:Freepik

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