Exposição “Amazônia Viva”, em cartaz até o dia 1º de maio

Foto feita por José Manuel Sanchez, que compõe a exposição “Amazônia Viva”
Esta é a última semana para ver a exposição “Amazônia Viva”, de José Manuel Sanchez, em cartaz na galeria de artes do Shopping Itaguaçu. O artista espanhol, radicado no Brasil há muitos anos, fez cinco mil registros durante expedição na região amazônica, em 2013, quando registrou as belezas naturais e os povos indígenas da região.
A coluna conversou com Sanchez sobre a mostra que é um convite a sentir e vivenciar a exuberância de uma Amazônia poética e realmente viva. Acompanhe a conversa.
Você é um profissional com vários anos dedicados à carreira bancária e que, simultaneamente, se especializou em TI, certo? Você investiu em viagens para fotografar a Amazônia?
É uma longa história, mas meu interesse por conhecer mais da nossa história enquanto humanidade começou no banco em que trabalhei por alguns anos. O contato diário com a tecnologia emergente na época, a internet, me fez empreender na área de TI, mas as artes visuais entraram na minha vida muito cedo.
Dos 9 aos 25, inclusive eu pintava quadros e aos 15 anos me apaixonei pela fotografia. Não demorou para eu migrar da pintura para a fotografia, até pelas demandas do trabalho em si.
Para mim, fotografar sempre foi registrar a natureza, os ecossistemas… o Brasil é um espetáculo em termos de biomas. Essa expedição para a Amazônia aconteceu em 2013 e foi uma experiência transcendental. Eu tinha o desejo de registrar a Amazônia, mas sob uma ótica que muitas pessoas não conhecem.
O resultado está nessa exposição que fica na galeria de artes do Shopping Itaguaçu até o dia primeiro de maio.
Muita gente já fotografou indígenas na Amazônia. Até o cantor Sting… (risos) qual o propósito da sua busca na região?
Meu maior interesse surgiu depois que convivi por dias seguidos com o carnavalesco Joãosinho Trinta. Entre diversas teorias que ele tinha, com as quais me identifico, ele também era apaixonado pelo Festival de Parintins.
Por alguns anos eu tentei registrar este festival, mas sem sucesso. Foi quando resolvi fazer essa expedição pela Amazônia, em 2013. Passei quatro dias por lá, que culminaram em mais de 5 mil fotos, na curadoria chegamos a 150 obras que estão à venda no site.
O fato de enxergar o potencial da nacionalidade brasileira, foi o que me moveu a fazer a exposição agora. O mundo está numa trajetória péssima, então tudo que podemos mostrar para refletir sobre o momento em que estamos vivendo, é bem-vindo.
Durante o período em que a exposição está em cartaz, você tem realizado encontros/conversas, certo? Como tem sido esses encontros?
A ideia é justamente contar para as pessoas como chegamos na ideia da Amazônia, reforçar sobre a história da humanidade estar atrelada ao poder, à riqueza, a história da América Latina é de exploração… e essa mesma história continua no mundo, no Brasil.
A arte te dá a oportunidade de trazer uma mensagem, além de mostrar a beleza natural fantástica do nosso país.
A história da Amazônia e dos povos ancestrais podem servir, de alguma forma, para nos fazer refletir sobre o que está certo e o que está errado na sociedade atual.
E você trabalha com uma equipe nas suas expedições fotográficas?
Eu sou a equipe de uma pessoa só, percorro o Brasil todo fazendo registros. Ano passado (2022), fiz uma viagem longa pelo Brasil e a minha esposa fez todo o bastidores. Eu fotografo muito, artistas visuais são obsessivos e eu acabo fazendo muitos registros.
Qual a próxima parada da exposição?
Ainda estamos estudando para onde ela vai, mas deve seguir viagem sim.
Você tem alguma outra expedição e exposição em mente?
Em 2022 fiz quatro viagens para Urubici, na serra catarinense, que resultaram em 10 mil registros, que ainda passarão por uma curadoria para se transformar na exposição “Urubici, uma viagem no tempo” que conta a história da cidade, falando inclusive sobre o extermínio dos indígenas na região, os Xokleng.
A mostra “Amazônia Viva” está na Galeria Itaguaçu + Arte, no piso L2 do Shopping Itaguaçu, que fica na Rua Gerôncio Thives, 1079 – Barreiros, São José – SC. Acesso à galeria é gratuito, sempre de segunda a sábado, das 10h às 22h; aos domingos das 12h às 20h. A produção cultural é de Chris Ribeiro.
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