Publicidade
Coluna Entretenimento | Entrevista Marina Coura, diretora do Floripa TAP
18 de Abril de 2023

Coluna Entretenimento | Entrevista Marina Coura, diretora do Floripa TAP

Começa amanhã a 12ª edição do Festival Internacional de Sapateado, um dos maiores da América do Sul, e a diretora conversou com a coluna sobre o evento e o sapateado em si. Confira e divirta-se

Por Entretenimento 18 de Abril de 2023 | Atualizado 18 de Abril de 2023

Entrevista com Marina Coura Floripa TAP

A 12ª edição do festival começa amanhã (19/04), no Floripa Airport

Crédito da imagem: Sabrina Stahelin

Publicidade

 

“Minha paixão é educação e uso a dança como ferramenta transformadora, para questionar, pensar o que estamos fazendo, que discurso é esse que estamos trazendo e quais ações praticamos a partir desse discurso”, é assim que a artista, professora, diretora e dançarina, Marina Coura, se descreve em relação à dança.

E foi nesse tom de encantamento com a dança afro diaspórica, que nasceu nos EUA, o TAP, que integra o guarda-chuva de danças que é o sapateado, que a diretora do 12° Floripa Tap, Festival Internacional de Sapateado, que começa nesta quarta-feira (19/04), conversou com a Coluna Entretenimento.

Marina é a curadora artística e de formação do festival. Ela contou que procura trazer artistas locais, tanto da dança quanto da música, para compor o evento e, sempre que possível, quer ter a madrinha do evento, Maud Arnold, por perto.

Não por acaso. Além de todo o trabalho que Maud desenvolve nos EUA, que tem o objetivo de resgatar a origem do TAP, ela também é reconhecida por trabalhos com Beyoncé e por integrar o grupo Syncopated Ladies, que faz sucesso no mundo todo. No ano passado, esteve no elenco do filme Spirited (Um conto natalino), e nesta edição do Floripa TAP participará de uma aula inovadora de Afrofunk a ser ministrada em plena praia da Joaquina, no dia 22 de abril, às 11h.

Separei os trechos principais da conversa, com foco no evento, porque, na verdade, tem muito mais que foi falado e que deveria virar um podcast!

 

Crédito da imagem: Sabrina Stahelin

 

Marina, conte-nos um pouco sobre a 12ª edição do Floripa TAP e o que podemos esperar do evento.
Estamos trazendo algumas novidades, entre elas o fato de que o Festival tem duas linhas: uma de formação com oficinas e congresso, em que fazemos encontros de artistas para reciclagem com pessoas de vários lugares do Brasil.

Ainda teremos as residências artísticas esse ano, que será um processo de imersão mais profundo, durante os quatro dias de evento serão quatro horas de aula com o professor, que vai desenvolver um espetáculo pocket de 15 a 20 minutos, a ser apresentado no último dia, no palco do aeroporto.

A ideia é fomentar esse lado de criação do espetáculo, de pesquisa cênica, tanto é que vão ter algumas oficinas falando sobre produção de escrita de projetos de leis de incentivo, como captar grana; vai ter uma oficina falando sobre iluminação cênica, o que é a iluminação no palco; oficina para falar sobre sonorização… então o viés do festival nessa parte de formação, está indo muito para o lado da criação de espetáculo, da profissionalização da área.

 

Quanto mais vocês se profissionalizam, mais a sociedade enxerga que ser artista é uma profissão, certo?

Pode ser um reflexo sim, até porque muitas pessoas não têm ideia do que envolve um espetáculo. São muitas pessoas envolvidas para construir um espetáculo, é uma pesquisa mesmo. A gente não simplesmente se reúne ali e começa a dançar!

Temos uma temática, precisamos desenvolver roteiro saber se a luz tem que fazer parte. Para eu ter a luz dançando junto, tenho que ter um estudo de luz, é preciso montar e afinar a luz para o dia, não basta colocar os spots ali… então muitas pessoas não têm ideia de como é trabalhoso organizar e construir, criar um espetáculo, quantas pessoas estão envolvidas com esse trabalho.

A ideia é fomentar cada vez mais a classe em termos nacionais mesmo, a dança no Brasil é uma área pouco incentivada. Dentro da dança, o sapateado é ainda mais aquém. A minha busca é lutar por esse espaço, foi pensando nele que pensei nas oficinas desse ano.

Sem esquecer a formação de plateia e o acesso à arte e à cultura.

 

E o que você destacaria da programação do Festival este ano?
Então vamos ter um palco no aeroporto de Floripa, que está nos apoiando pela segunda vez. A programação começa lá, amanhã (19) e é toda gratuita. A abertura oficial do evento é com o Luiz Gustavo Zago Trio, então sapateado e banda serão presenciais e ao vivo que é a forma original dessa dança mesmo.

Além, de diversos convidados. Eu me apresento também, o suíço Daniel Borak, Lucas Santana, Yasmin Borough… são 30 trabalhos coreográficos que passaram pelo processo de seleção, de vários lugares do Brasil. Temos as oficinas no SESC; o espetáculo “Vida”, do grupo Jovens do Coração, em que a pessoa mais nova tem 62 anos e a mais velha, 85; tem o Black is on Tap, o primeiro grupo de sapateado de pessoas pretas no Brasil, com o “Tap é história”.

Aliás, a dica para saber sobre a história do sapateado é garantir seu lugar no dia 20, às 20h30 no aeroporto, gratuito, que eles trazem a história do sapateado pela dança.

Depois, às 21h tem o “Se não agora, quando?” da companhia que eu dirijo, a Trupe Toe, que fala sobre respeito, igualdade, também com música ao vivo, com a Dandara Manoela, na voz e composições feitas para o espetáculo. No mesmo dia, tem show da Ana Rosa e do Chico Martins, do Dazaranha.

A programação é extensa e está toda lá no nosso site.

 

Vocês estão com um elenco absurdo, né?! Tá muito bacana!!

Sim! Aliás, a Noite de Gala deste ano está super especial! Vamos contar com a participação da Marisol Mauabá, uma compositora do Congo, radicada em Florianópolis, que participou do álbum Amarelo, do Emicida, além de grupos do Rio de Janeiro, de São Paulo, realmente está incrível esse ano. Eu diria: não perca!

A Noite de Gala é no sábado (22) e é a única que vende ingresso, por ser no teatro. Os ingressos estão à venda.

Marina, qual você diria que é o maior desafio para quem tenta fazer o TAP?
Eu sempre brinco que o primeiro passo é ensinar a transferência de peso, porque é difícil fazer isso. Para quem nunca fez a transferência de peso, ela é difícil, porque se você pisar na hora errada, você faz um som e você não tem o que fazer!

E aí tem conserto?
Você vai assumir o erro e isso também está ligado à origem do TAP, que é uma brincadeira do improviso. Errou? Brinca, faz uma outra nota e assume o erro, porque aí ele deixou de ser erro! risos.

Só você vai saber que foi erro, para quem está assistindo está perfeito, se você não mostrar que é erro. Pode ser que você pise errado em um momento que vai soar estranho, mas brinca, continua, porque faz parte.

 

O sapateado pode ser inclusivo, também?
O sapateado é para todas as pessoas, mesmo! Ele é uma manifestação popular, é uma forma de se comunicar. Claro que cada um tem uma facilidade, uma dificuldade, uma habilidade e uma desabilidade. O processo de inclusão é lidar com as diferenças. Então não posso esperar de você o que eu espero de uma outra pessoa, independente de vocês terem ou não algum diagnóstico. É preciso respeitar o que cada corpo traz na sua identidade, na sua história. Trabalhamos conforme a expressão de cada corpo.

 

Já podemos adiantar alguma novidade para o ano que vem?
Teremos uma surpresa muito especial, mas que ainda não podemos falar! risos.

Por hora, convido a todos a prestigiarem o 12º Floripa TAP e se inspirarem a dançar e se divertir!

 

Espetáculo “Se não agora, quando” | Crédito da imagem: Toia Oliveira

 

 

Crédito da imagem em destaque: Toia Oliveira.

 

Envie sugestões de entrevistas para [email protected].

WhatsApp
Junte-se a nós no WhatsApp para ficar por dentro das últimas novidades! Entre no grupo

Ao entrar neste grupo do WhatsApp, você concorda com os termos e política de privacidade aplicáveis.

    Newsletter