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Coluna Eduardo Boechat | O Brasil inserido no contexto internacional dos juros altos
21 de Março de 2023

Coluna Eduardo Boechat | O Brasil inserido no contexto internacional dos juros altos

O que nós deveríamos estar fazendo?

Por Eduardo Boechat 21 de Março de 2023 | Atualizado 21 de Março de 2023

 

O mundo está entrando em uma fase complicada de seu ciclo econômico. Países começam a dar sinais de recessão, porém com inflação em alta. Quais foram as causas disso e quais consequências conseguimos enxergar logo ali na frente?

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A resposta dos países no combate aos efeitos sociais da pandemia foi um aumento gigantesco dos gastos públicos. Com as pessoas tendo que ficar em casa e as empresas demitindo em massa, coube aos Tesouros o papel de suportar financeiramente boa parte da população e das empresas. Quantidades nababescas de dinheiro foram impressas e distribuídas. Somando isso aos gargalos provocados na produção industrial, tivemos um efeito forte nos preços dos produtos e serviços.

Com o fim da covid (ou pelo menos da sua fase mais aguda), os gargalos foram aos poucos sendo resolvidos, de modo que hoje pode-se dizer que a indústria e o setor de serviços voltaram ao normal. Porém, a quantidade gigantesca de dinheiro impresso segue circulando. Com muito dinheiro à disposição, seu valor cai. As mercadorias passam a custar mais. E essa consequência segue até que os próprios países tomem medidas de contenção.

Via de regra, só existe uma medida que pode ajudar nesse processo: tirar dinheiro de circulação. Todas as demais medidas são acessórias, para potencializar os efeitos da diminuição do dinheiro disponível na economia. Para isso, é necessário encarecer o custo do dinheiro, na tentativa de diminuir o consumo das empresas e famílias. O Brasil foi pioneiro nesse ponto. O Banco Central agiu rapidamente e puxou os juros de maneira mais célere que todos os demais Bancos Centrais. Nós temos um passado não muito distante de inflação alta, de modo que todos têm na cabeça os efeitos nocivos da desancoragem dos preços. Já os países desenvolvidos não viam nada parecido há pelo menos 40 anos. E seus Bancos Centrais encontraram dificuldades nesse processo de subida de juros.

Com um sistema bancário alavancado (muito mais alavancado que o brasileiro), começamos a ver bancos quebrando nos EUA. Com efeito cascata na Europa. Reação imediata foi a injeção, novamente, de dinheiro, para dar tranquilidade ao sistema. Movimento foi tão forte que trouxe dúvidas sobre o real tamanho do problema mundo afora. Por enquanto, vemos mercados ainda tranquilos, poucas oscilações bruscas, aguardando mais desdobramentos.

No Brasil, o governo precisaria sinalizar mais austeridade nesse momento. Assim o Banco Central poderia cortar juros tranquilamente, sem maior impacto no preço do dólar e trazendo um horizonte melhor para os investimentos privados. Porém, as primeiras ações do governo vão na direção oposta. O ajuste fiscal proposto é quase que exclusivamente pautado no aumento de receitas. Não existem propostas sobre a mesa para corte de gastos, ou pelo menos, de uma maior racionalização do dispêndio público. Impostos bizarros como a sugestão de cobrança sobre exportação de petróleo, não somente ferem o ambiente de negócios, como também mudam os marcos legais que trouxeram os investimentos lá atrás. E outra: qual será o próximo setor que sofrerá esse tipo de cobrança? Isso foi feito na Argentina, nos mesmos moldes, e provocou uma diminuição gigantesca de sua produção agrícola. A insegurança jurídica somente aumenta. E, obviamente, isso é péssimo para investimentos e criação de empregos, que o Brasil tanto precisa.

A crença estapafúrdia de que o Estado que deve ser o indutor de crescimento, tantas vezes jogada por terra ao longo dos anos, voltou com força. E isso pode nos custar muito caro em um ambiente internacional hostil, como parece ser o que nos espera. Durante os primeiros mandatos do PT no governo, tivemos um ambiente internacional extremamente favorável, com China crescendo a taxas próximas a 10% ao ano. Isso mascarou, e muito, os erros de condução das políticas econômicas. Quando o mundo perdeu esse ímpeto, a conta chegou para todos nós, nos governos Dilma. Agora, o mundo tropeça novamente. Será que o governo terá a coragem de fazer o que tem que ser feito?

O mundo é dinâmico. Temos fatos novos todas as semanas. Deixo o convite para vocês assistirem ao meu programa semanal no YouTube da ActivTrades. O programa se chama “Markets Warm Up”, onde faço literalmente um aquecimento para a semana, todas as segundas, ao vivo, às 09 da manhã. Deixem comentários, perguntas, sugestões. Vamos fazer juntos um espaço em que possamos discutir idéias e alternativas para o Brasil, além de comentar operações que possam ser lucrativas.

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