O escritor Carlo Manfroi é autor da obra “Um pedacinho de terra – Pitadas de poesia em uma horta urbana” (editora Story Studio) que celebra uma relação de amor com Florianópolis, em especial com o Parque da Luz.
O lançamento está marcado para a próxima terça-feira (21/3), Dia Mundial da Poesia, às 17h30, na Casa da Literatura Catarinense Poeta Cruz e Sousa.
Quem adquirir o livro, além das poesias, recebe um marcador de páginas feito com papel artesanal, composto com sementes, e pode ser plantado e transformado em rúcula.
A escolha do título “Um pedacinho de terra” para seu primeiro livro de poesia é uma homenagem ao compositor Zininho e seu “Rancho de Amor à Ilha”. A capa tem pintura especial do renomado artista plástico Luciano Martins e as ilustrações internas são de Josiane Fonseca. No prefácio, o pintor, desenhista, gravador, escritor e professor Jayro Schmidt destaca a “constelação poética simples e densa em percepções e recados sobre o Parque da Luz, que em si mesmo tem poesia necessária, telúrica e lúdica, desde que seja vista e dita assim, sem perder o seu olhar dizer crítico”.
Carlo Manfroi escreveu metade das poesias em 2018, a lápis, em um bloco de papel jornal guardado em uma gaveta. “Escondi tão bem, que só foram encontradas na pandemia, na arrumação da casa”, conta. Ao ler as anotações, o autor entendeu que aqueles textos, esquecidos na gaveta, mereciam ser trabalhados e publicados. Passou a escrever outras poesias e complementou a obra.
A paixão e o projeto
Em poemas curtos, Carlo Manfroi traduz sua relação com a cidade, com o Parque da Luz e com o projeto que tornou realidade a criação de uma horta comunitária no local, no Centro da capital catarinense. “Sou um apaixonado por Florianópolis desde que a conheci”, conta este gaúcho de Porto Alegre (RS), que desde os 15 anos decidiu que queria fazer sua vida na cidade.
Ao vivenciar o risco de violência no parque, ao mesmo tempo lindo e pouco visitado, refletiu: “se eu e outras pessoas abríssemos mão do parque, aí sim a criminalidade tomaria conta do espaço”. Foi então que procurou a Associação dos Amigos do Parque da Luz, iniciando com o grupo um trabalho voluntário. Em 2014, com a abertura das inscrições para uma mentoria para desenvolvimento de projetos inovadores pelo Social Good Brasil Lab, Carlo Manfroi foi um dos selecionados para desenvolver o seu, que tinha o Parque da Luz como objeto de estudo e experimentação. Nasceu ali o Parque Ideias, uma iniciativa para ocupar e melhorar os parques e praças da cidade.
A agenda inicial contemplou a criação de três grupos que contavam com interação presencial no parque e também em grupos na internet. Eram os Cachorreiros, o Futeboluz e Hortaluz, horta que foi criada e aberta à comunidade. Esse último grupo deu vez também ao evento Festival de Troca de Mudas e Sementes, atraindo centenas de pessoas de diversas cidades.
Ao cursar a disciplina isolada Complexidade e Conhecimento na Sociedade em Redes, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento da UFSC, o publicitário e escritor conheceu mais sobre autopoiese, um conceito de autocriação e autogestão, que experimentou na Hortaluz. “Queria saber se a horta, sem coordenação específica de alguém liderando, poderia sobreviver, crescer, se adaptar e dar novos frutos a partir daquele sistema já iniciado. Após dois anos sem contato direto com a horta, Carlo Manfroi constatou que ela continua se reproduzindo, gerando interações humanas e novos frutos. Sou muito grato a tudo o que o parque me proporciona. Esse livro de poesias é uma forma de agradecimento. Que cada página traga uma nova semente de alegria, solidariedade e desenvolvimento comunitário”, conclui.
Poesias
entre caninos
um a um
os cachorros
arrastam seus donos
obrigando-os a dar
bom dia
ao parque
semeando
em torno da horta
criamos raízes
de amizades profundas
ponte de luz
o parque fez as pazes
com a ponte
ela foi restaurada
depois foi reinaugurada
agora está reparqueada

Créditos: Estúdio Zoom
