Segundo Heráclito, filósofo grego, “ninguém se banha duas vezes nas mesmas águas do rio!” Com esta frase Heráclito nos propõe o entendimento de que a água corrente nunca será a mesma e, tal qual a mudança estará, permanentemente, em movimento.
Resistir à mudança tem sido um padrão constante na história da humanidade que o faz pelo não reconhecimento de sua existência, pelo comodismo e pela ignorância. Independente das consequências é mais fácil resistir do que aceitar as mudanças; só que elas são inevitáveis e não pedem licença à humanidade para cumprir seu propósito.
De épocas em épocas a humanidade passa por mudanças significativas que alteram sua dinâmica de funcionamento. Hoje, vivemos um destes períodos! Aceitar ou resistir? Como conviver com o crescimento inevitável da Inteligência Artificial? Com a automação? Com a robotização? Como entender que o que acreditamos, por anos e anos, está perdendo seu significado? Há pouco tempo o Uber surgiu e, ao mesmo tempo, que interferiu no serviço oferecido pelos táxis, permitiu que milhares de trabalhadores obtivessem seu sustento enquanto desempregados estavam. Pois, agora, o Uber oferece seu serviço com carros autônomos onde a necessidade do motorista deixa de existir (isto já está acontecendo nos EUA). A rapidez da mudança assusta e cria dúvidas nos jovens sobre que caminho seguir em busca da criação de suas histórias de vida.
Ainda ontem, enquanto caminhava, passei pelo “campus” de uma Universidade e vi um grupo de jovens com camisetas do curso de Biblioteconomia. Pensei cá com meus botões “será que estes jovens sabem o que estão fazendo?” Provavelmente as funções exercidas pelos bibliotecários, em algum momento próximo, serão substituídas pela Inteligência Artificial. Isto vale para tantos cursos que hoje são ofertados pelas Universidades, que parecem não perceber o futuro sendo construído de uma forma totalmente diferente da que, até então, era possível ser imaginado.
A revolta, omissão, o faz de conta de muitos jovens em relação à vida está ligada, também, a insegurança em relação ao futuro. Haverá trabalho? Será para todos? Como será a organização da sociedade? Qual sistema de seguridade será construído para suportar o envelhecimento das populações?
Há alguns anos os jovens olhavam para frente e conseguiam divisar um futuro. Enxergavam que através dos estudos poderiam ascender social e profissionalmente, construindo sua história e legando à humanidade um exemplo de vida bem construída.
Hoje…
Enquanto nosso sistema de ensino continuar formando jovens para a sociedade industrial, continuaremos desperdiçando talentos e gerando frustações tão comuns nos tempos que vivemos. Heráclito estava mais certo do que nunca quando nos aconselhou a “esperar o inesperado”, pois o inesperado acontece a cada dia!
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