O nome do evento já sugere a batida do coração! Não por acaso, o TUM Festival chega à quinta edição, em 2022, com o mote “Escute seu coração”. Afinal, foi fazendo exatamente isso que a idealizadora, Ivanna Tolotti, o concebeu em 2015 e, dois anos depois, nascia o TUM, no Centro Integrado de Cultura, em Florianópolis.
De acordo com ela, foi na edição em que o evento se consolidou, em 2019, que perceberam que ele está baseado nas dores da cadeia produtiva da música, mas também nas soluções necessárias para implementar na cidade, e em Santa Catarina, o desenvolvimento da cadeia musical. Assim, música, inovação e tecnologia, fazem parte do TUM que tem o papel de capacitar e profissionalizar a cena musical do estado, o ano todo.
Além de negócios, Ivanna falou, também, sobre representatividade feminina no setor, novos músicos, relembrou as atrações nacional e internacionalmente conhecidas do TUM Festival 2022, entre eles, João Bosco, Mart’nália e a banda Pato Fu, que estarão no evento entre os dias 10 e 15 de novembro, para celebrar a arte e a resistência cultural.

Ivanna Tolotti, idealizadora do TUM Festival | Crédito: Sandra Puente e Nilva Damian
Leia a entrevista completa com Ivanna Tollotti e divirta-se!
Ivanna, o que você já percebeu que mudou desde o primeiro evento, em 2017, até este que acontecerá em daqui a duas semanas?
Olha, Leticia, a gente entendeu que para que seja possível abrir novos mercados, gerar negócio, precisa fazer um trabalho mais profundo, falar de gestão de carreira, mentoria, planejamento estratégico com artistas e bandas ao longo do ano inteiro.
O festival é um evento de convergência, em que se reúne músicos e produtores em formação, com músicos e produtores profissionais, e essa troca entre eles é maravilhosa. Foi a partir dela que percebemos que precisávamos preparar a cena, inclusive recebendo representantes de eventos e espaços como o Rock In Rio, o Circo Voador, o Women Music Event, o RAP In Cena e tantos outros.
Desde o pitching dos artistas até a apresentação da banda no mercado nacional dentro do TUM, que é uma alavanca para o mercado, estamos caminhando junto a estes artistas.
Você já participou, inclusive, do Cocreation LAB realizado pela Associação Catarinense de Imprensa. Como foi e quais as conquistas neste sentido?
É importante ressaltar que o TUM está sempre buscando uma atitude inovadora e quando fomos selecionados para participar do edital, pudemos mergulhar no mercado de inovação e de start up, já que nos consideramos uma start up, e reforçar essa relevância de um gestor de hub ter conhecimento sobre tecnologia. Estar por dentro de blockchain, metaverso, NFTs… Procuramos sempre estar atentos à tendência.
Além disso, fomos escolhidos pelo British Council do Reino Unido e pelo edital Oi Futuro, entre outras seis empresas de todo o Brasil, para trabalhar questões de sustentabilidade no Festival, visando a construção de um mundo melhor social e ambientalmente falando.
O objetivo é que esses seis festivais escolhidos implantem ações de sustentabilidade e de clima para serem propagadores dessas mensagens e fazer parcerias com outros festivais mundo afora. Entre as ações que vamos realizar, estão: painel de sustentabilidade com moda e consumo responsável e um mini lab de upcycling com utilização de tecido descartado pela indústria têxtil de Santa Catarina.
Este foi um grande reconhecimento para nós, porque é a primeira vez que Santa Catarina ganha este edital.
O TUM foi semifinalista do Prêmio Profissionais da Música 2021, e ganhei o prêmio na categoria “Produtora de Evento”. Além disso, fui indicada ao Women’s Music Event na categoria “Empreendedora Musical”, em que concorro com grandes nomes da música brasileira, então só a indicação já é um reconhecimento da carreira.
Como você disse, o TUM vai além da edição maior, realizada por ano. Como surgiu a ideia dos eventos menores?
Os eventos feitos em praças e parques, ao longo do ano, estão dentro do recorte de formação de plateia, de educação musical de dar ingresso gratuito à população para ter acesso a música de qualidade. Tanto para músicas e artistas novos serem apreciados quanto para artistas validarem seu produto.
Para os músicos participarem dos projetos do TUM, mesmo os eventos menores, eles precisam preparar seus materiais. Assim, o evento é um laboratório para saberem como participar de outros eventos e editais.
Temos a parte de negócio da música, inclusive os artistas podem ter orientação do Sebrae para as questões jurídicas da empresa e como participar de editais e ser contratado em diferentes oportunidades.
Qual é a importância de trabalhar a parte negocial da música?
É necessário trabalhar com a questão da falta de clareza, no Brasil, de que a música pode e deve ser encarada como um negócio. A arte em si pode ser um negócio. Sabemos que não é errado cobrar pelo seu produto, mas só consegue cobrar quem é profissional e quer profissionalizar sua entrega.
No nosso País, a gente tem a ilusão de que só um produto artístico é o suficiente, mas o nosso trabalho vem nessa direção, mostra que uma vez feito o planejamento de carreira, é ele quem vai ditar o sucesso do seu produto. Basta pesquisar cases de sucesso: Emicida, Liniker… para perceber qual foi o caminho das pedras que eles percorreram.
Também é necessário dar tempo para as coisas acontecerem. Existem artistas – assim como em todas as outras profissões – que levam anos para construírem suas carreiras e serem reconhecidos.
Ao investir um tempo em planejamento, é possível se organizar e trabalhar melhor. E nós damos esse suporte para eles com um trabalho que é 360º na gestão de carreira do músico, quando ele participa dos projetos do TUM, tem acesso a tudo o que ele necessita para decolar a carreira dele.
Nossa maior força é para tratar a música como negócio e quando a gente consegue é muito bacana. A Dandara Manoela é um exemplo que depois de ter participado das rodadas de negócios do TUM está tocando inclusive na Europa.
Como acontece a curadoria do Festival?
É uma curadoria baseada nos pilares da sustentabilidade social. Levamos em consideração a região dos artistas, a diversidade de estilos musicais, a igualdade de gênero dando acesso às minorias todas, prezamos, inclusive, por diversas faixas etárias.
Sempre temos a representativa de alguém, dando uma voz maior para mulheres, afinal temos uma diretora artística, que é um gênero que não se vê tanto no setor, exercendo essa função.
Em 2019, o TUM reuniu 10 mil pessoas na beira-mar norte ouvindo mulheres no line up. A MC Versa disse que é muito importante subir num palco como o nosso. A partir disso a gente realmente começou a criar uma cena e ter essa ousadia de puxar a fila falando que aqui a mulher exerce todas as funções no setor da música sim, canta o gênero que for mais seu perfil, seja ele qual for.
Procuramos, também, privilegiar as bandas catarinenses que estão despontando na cena, e trazemos outros artistas para mais perto. Afinal, se queremos ser recebidos em outros estados, precisamos ser os anfitriões e ainda envolver os artistas da cena local. Neste ano, inclusive vamos receber artistas da França, Inglaterra, Chile, Argentina e Portugal.
E como é a dinâmica de fazer essa seleção, Ivanna? Quanto tempo leva?
Então, o TUM não é um evento apenas de entretenimento, mas de formação da cena. A gente dá palco para bandas iniciantes, como a catarinense Portão Azul, passamos pelo reconhecido Luciano Bilu chegando a artistas como Zalon, que foi backing vocal da Amy Winehouse.
Fazemos um equilíbrio dentro da curadoria para poder ser mais inclusivo possível, por isso temos categorias de idade/estrada dentre os gêneros contemplados no Festival.
O tempo da curadoria depende do volume de bandas, entre o planejamento, lançar o edital e analisar as bandas, em torno de 90 dias.
Já pode adiantar alguma novidade do TUM?
Estamos nos unindo a vários parceiros que trabalham com metodologias novas: metaverso, blockchain e NFTs, ainda não posso dizer quais, mas aguardem novidades dentro do TUM Festival.
A gente milita pela cadeia produtiva da música e pela construção da cena musical do estado de Santa Catarina. Muitos artistas novos já entendem este cenário todo, porque é uma geração muito conectada e sabe como trabalhar em conjunto, em redes criativas. Sabemos que este estado tem tudo para ser um celeiro de grandes talentos para o País e para o mundo.
Foto em destaque> Sandra Puente e Nilva Damian.
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