Em função do conturbado momento político que vive o país vale a pena relembrar fatos marcantes que vivi em uma pequena ilha caribenha administrada por um sistema de governo arbitrário desde 01.01.1959. Na primeira viagem que fiz à ilha, das inúmeras vezes que lá fui, encontrei um representante de uma renomada empresa de tintas do Brasil, que lá estava com o sentido de fazer negócios, pois a necessidade de tintas saltava aos olhos das pessoas menos avisadas.
Caminhando pelas ruas da cidade era visível o desgaste natural e a não manutenção de casas e edifícios da cidade. Sem pinturas, janelas quebradas, o abandono fazia-se sentir em todos os aspectos. A única avenida que apresentava condições de habitabilidade era a 5ª Avenida onde se situam as embaixadas, restaurantes e outras áreas importantes para o andamento das atividades comerciais. Na própria Avenida Malecon, com seus 8 km de extensão e costeando o mar do Caribe, a situação era deplorável pelo abandono de suas edificações. Se isto ocorria no cartão postal da cidade é possível imaginar nos bairros mais afastados.
Nos prédios a situação era pior, pois além dos elevadores estarem estragados (rotos como dizem os locais), havia dificuldades com o abastecimento de água, o que deixava os banheiros sem condições de uso. Importante salientar que, há muitos anos, já havia racionamento de energia elétrica com revezamento entre os bairros. O lado comédia da tragédia é que, na época, a novela brasileira Mulheres de Areia era transmitida no país e os cubanos, beneficiados com a presença da energia, recebiam telefonemas dos não beneficiados para acompanharem, por narrativa, o andamento da novela. Recentemente, com a passagem do furacão Ian e os estragos produzidos na ilha, a falta de energia elétrica agravou-se e o que era planejado passou a ser constante e por horas intermináveis. Este fato tem provocado manifestações entre o povo e a reação tem sido pesada.
Importante salientar que o lixo também era um sério problema na vida das pessoas, pois não havia coleta regular do mesmo. O que faziam as pessoas? Depositavam o lixo em uma das esquinas do bairro até que um caminhão (comum) o recolhesse. Importante salientar que em um gesto de solidariedade este local sofria um processo de revezamento para que os vizinhos prejudicados não fossem sempre os mesmos.
Como durante a campanha política atual em nosso país cita-se frequentemente o uso social da terra e da moradia é importante frisar que em Cuba isto foi posto em prática com as consequências desastrosas que só é acontecer em casos assim. A história é rica em exemplos. A grande fome da China (agência de notícias Xinhua – Jornalista Yang Jisheng informa 38 milhões de mortos), os mortos ucranianos pela fome, mais de 3 milhões, no episódio conhecido como Holomodor, são exemplos clássicos da implantação de sistemas que diluem a responsabilidade e retiram o direito a propriedade. O que se vê em Cuba é isto! Como a propriedade não existe e tudo pertence ao Estado ninguém realiza nenhum trabalho de manutenção, pois este é papel do Estado; como este não tem capacidade financeira para tal a deterioração é a consequência imediata.
A eleição atual coloca, frente a frente, dois sistemas de governo completamente diferentes. Ao eleitor cabe a escolha pelo futuro do país. Depois será administrar as consequências. Seja consciente!
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