
Crédito: Imagem do site darioforzatomusic.com
Ser divertido é, aparentemente, uma das principais características para o músico Dario Forzato realizar um trabalho. Pelo menos foi o que ele mostrou durante a entrevista que a Coluna Entretenimento realizou com o italiano radicado em Los Angeles, nos EUA, em sua rápida visita em Florianópolis (a primeira na América do Sul), para ministrar a oficina “A música do filme: O outro lado de fazer o filme”, durante o Festival Internacional de Cinema Florianópolis Audiovisual Mercosul, o FAM, ainda em setembro de 2022.
Dario, que conversou em inglês e arriscou um português de vez em quando, tem no portfolio músicas escritas para National Geographic, FOX, Netflix, Discovery Channel e MTV, para citar algumas emissoras; além de já ter participado de turnês com artistas como The Scorpions e Macy Gray, entre tantos outros.
Recentemente, foi indicado ao Hollywood Music in Media Awards, premiação de música para cinema, TV e videogames, incluindo recursos dramáticos, ficção científica/fantasia, documentário e animação.
Dê o play em uma das músicas nomeadas ao prêmio, a “Two Under”, e, em seguida, leia a conversa com Dario:
Então você está aqui no Brasil, na América do Sul, pela primeira vez. Está se divertindo?
Estou bastante animado por estar aqui pela primeira vez! Definitivamente precisamos de mais tempo para realmente aproveitar, mas o pouco que estou conhecendo da cultura, estou amando.
… e o que você tem feito?
Muita coisa bacana no FAM, com certeza! O Festival é um ótimo lugar para conhecer cineastas e pessoas que trabalham na indústria do audiovisual, poder se reunir e trocar ideias, contatos, fazer amigos assistir filmes… tem sido uma experiência muito legal!
Vi nas suas redes sociais que você foi a um samba! Gostou? Você já conhecia, né?
Com certeza! Foi ótimo. Sou um grande fã da música sul-americana em geral e do samba, claro! Quem não conhece samba?! Talvez seja a primeira coisa que se pensa quando se trata de Brasil, né?!
Futebol e samba?
Sim, mas como sou músico, acho que prefiro o Carnaval. (Risos)
Justo! Vi, também, que você experimentou a polenta brasileira…
Sim! Sou de Milão, da Itália, e um dos pratos típicos de lá é a polenta. Então eu conheço muito bem esse prato e posso dizer que a brasileira e a italiana são diferentes e ambas muito boas.
Maravilha! Mas, Dario, conte-nos mais sobre o EP que você acabou de lançar, o “Anomalie”.
Este é um projeto que fiz em poucos meses, no início deste ano. São cinco composições, que eu tinha em mente há um bom tempo. Queria experimentar certos sons e certas combinações de sons, para experimentar novos instrumentos, com a ideia de transpassar algumas barreiras e criar algo que eu ainda não tivesse ouvido por aí. Foi um desafio, porque eu ouço muita música, mas sentia que era algo que eu poderia apresentar e acho que consegui. Vou deixar as pessoas tirarem as próprias conclusões, mas tenho muito orgulho do que fiz! Consegui tirar muitas ideias que tinha e estavam guardadas, e gravar algo que não soa como nenhuma outra música sul-americana que eu conheça.
Você se inspirou em algum gênero musical para esse novo trabalho?
Sim, a ideia era algo que pudesse funcionar em um ambiente cinematográfico. Meu outro objetivo era escrever algo que estimulasse a mente de pessoas criativas, cineastas especificamente, mas em geral pessoas criativas tentando encontrar algo inédito mesmo. Eu acho que nós, criadores, às vezes temos estéticas diferentes, parâmetros diferentes, estamos sempre tentando encontrar algo novo para estimular nossa criatividade ainda mais, sabe? Pra mim, pelo menos, funciona muito assim. Quando ouço ou vejo algo que não conhecia me sinto muito energizado. Então a ideia é mesmo estimular isso.
E você tem certo conhecimento sobre o assunto. Afinal, escreveu uma música que estava na série “Os Simpsons”. Certo?
Sim, alguns anos atrás trabalhei bastante com o departamento de TV, então eu produzi uma série de músicas e composições para “Os Simpsons”, “Family Guy”, “Duncanville”, entre outros trabalhos para o setor. Sendo um grande fã de “Os Simpsons”, principalmente das primeiras temporadas, foi um sonho quando o produtor me enviou uns cinco minutos de Homer Simpson dizendo sua expressão característica “doooouugghh” de todas as maneiras possíveis, ainda tenho o arquivo no meu computador, inclusive.
E às vezes você ouve?
(Riso) Não! Pra falar a verdade eu nunca escuto, mas eu tenho, só por precaução… na verdade, com este arquivo, pude ter inspiração para tentar incorporar a expressão de forma criativa na faixa. Foi um projeto divertido de trabalhar. A mesma coisa com “Family Guy”. Neste caso eles não me enviaram nenhuma faixa, mas acabou sendo algo muito divertido também. Projetos rápidos costumam ser divertidos de fazer e os produtores, as promoções feitas colaboram muito para o trabalho ganhar destaque, e as pessoas são muito receptivas. Foi uma experiência legal.
Recentemente você foi indicado para o Hollywood Music In Media Awards, certo?
Sim! Acabei de receber a indicação. Duas das músicas do Anomalia foram indicadas para a 13ª edição do Hollywood Music In Media Awards, a “Two Under”, na categoria Ação/Aventura, e a “One of a Kind”, na categoria Drama/Crime. É um prêmio bastante conhecido, ele que começa a temporada de premiações. Depois disso tem Globo de Ouro, Oscar, Grammy, entre outros. Para mim é ótimo ser reconhecido entre tantos músicos fantásticos que podem ser indicados.
E como está a expectativa para o prêmio?
Não espero ganhar! Risos. Ganhar é uma coisa totalmente diferente de ser indicado. Existem muitos fatores para vencer. Para mim, ser indicado já é divertido e vamos acompanhar, ir ao evento, conhecer pessoas… Mas se eles decidirem que eu vou ganhar, eu aceito, com certeza! Risos. Será uma honra!
Com certeza! Boa sorte. E sobre o FAM, que você está participando agora, há algum tipo de festival na América ou na Europa, semelhante a este?
Bom, moro em Los Angeles e, tanto nos EUA, em geral, quanto em L.A., tem muitos Festivais, mas acho que esse aqui é diferente, porque vai além de um festival de cinema, é também uma conferência, um mercado do audiovisual, é um grande guarda-chuva de realizações, networking, negócios e eu acho muito emocionante porque às vezes no Festival você encontra cineastas e atores, mas você não encontra outras pessoas como executivos de TV, por exemplo, pessoas relacionados ao negócio, em si. Então o FAM é um pouco menos terno e gravata e mais “mão na massa”, mesmo. Claro que em LA temos muitos festivais diferentes, dos pequenos aos grandes, mas eu realmente gostei deste. Na minha experiência, pelo menos, sempre foi uma visão diferente, Festival e convenção, e o FAM tem os dois.
E como foi ministrar sua oficina “A música do filme: O outro lado de fazer o filme”, no FAM?
Foi muito divertido. Fiz um workshop de dois dias, sendo que no terceiro dia fizemos encontros individuais. Foi ótimo ter a chance de vir aqui, compartilhar algumas coisas que aprendi ao longo do meu caminho, da minha carreira até agora . Acho que foi bom para os cineastas e músicos daqui terem uma ideia de como fazemos as coisas em Hollywood, não é a única maneira de fazer negócios, mas o setor por lá é muito desenvolvido, há muitos anos, então há práticas e padrões que podem ser muito úteis, pelo menos foram muito úteis para mim.
Durante a oficina, conversamos sobre o lado empresarial de fazer música. Procuro sempre ministrar workshops sobre assuntos que eu gostaria de ter conhecido quando estava no início da minha carreira. É mais fácil encontrar informações sobre música hoje em dia, como escrever, como gravar e coisas mais técnicas, mas há uma pequena lacuna entre ter o conhecimento musical e ter um negócio, um business, que depende disso.
Precisamos sempre lembrar que como compositores somos o nosso próprio negócio, temos que fazer dar certo, encontrar clientes, oportunidades, trabalho…. então é importante ter esse conhecimento e é ótimo poder compartilhar o que eu aprendi, para que os profissionais daqui possam se adaptar a esse mercado, se necessário, descobrir seus mercados e ter suas próprias carreiras.
Tenho a impressão que, por ser um trabalho criativo, às vezes, os artistas têm dificuldade de entender quando é arte e quando é negócio. É assim mesmo?
São duas coisas diferentes. Arte é arte e negócios são negócios. A questão é: se você quer ganhar dinheiro com sua arte, então ela se torna um negócio. Se você quer apenas fazer arte pela arte, fazer música ou pintar ou qualquer outra atividade artística, e não se importa em monetizar e se sustentar tendo isso como trabalho, é outra escolha válida. Não estou dizendo que não é, mas se escolher dessa forma, não se pode esperar ser um artista bem-sucedido enquanto empreendedor nesta carreira.
Em geral, digo que para o músico, fazer música é a parte mais fácil, porque é a parte que a gente gosta, é natural, a gente cresce com isso. A outra parte é mais difícil, não tão natural, mas se quisermos fazer disso um negócio, temos que aprender e entender mais sobre o assunto.
Saiba mais sobre o artista em suas redes sociais, @darioforzatomusic.
Crédito da foto em destaque: Eduardo Lopes.
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