O Mercado não se surpreendeu com a nova alta da Selic operada dias atrás. Aparentemente o Banco Central sinaliza que está por encerrar esse ciclo de alta para conter a inflação.
Após ter atingido 1.90% ao ano em Novembro de 2020, esses 13.75% atuais estão amarrando o consumo para tentar barrar o aumento de preços em geral. Essas monstruosas mudanças em 2 anos provoca muitos danos da economia, desencadeando desiquilíbrio em toda a cadeia produtiva e gerando paralização em muitos setores.
Com isso, o desempenho de todo o segmento de varejo está amargando uma queda de vendas acentuada no período de Janeiro a julho deste ano. E isso se reflete automaticamente para a indústria de bens de consumo que dança na mesma balada, apenas com ciclos de tempo diferenciados.
Perspectivas para os últimos 5 meses do ano ?
Com a possível queda da Selic, em parcos movimentos de baixa, com os agentes econômicos apostando em uma taxa de 7% para 2023, podemos prever uma retomada do consumo nestes últimos meses do ano. Vão colaborar para isso os gastos com a campanha eleitoral (afinal, os R$ 5 Bilhões do famoso Fundo Eleitoral irão circular no mercado) mais o auxílio emergencial, mais as compensações de impostos para alguns setores.
Vamos lembrar que o primeiro semestre de 2021 ainda foi bem movimentado no consumo. A queda começou exatamente em agosto do ano passado, com o ciclo perdurando até agora. São 12 meses de contenção, com o consumidor colocando seu dinheiro para reduzir a inadimplência cujos índices aumentaram em todo o país.
Assim, muitos segmentos deverão terminar o ano de 2022 no zero a zero, no mínimo com um empate técnico, talvez com leve aumento de vendas e leve aumento de margem em relação ao ano passado.
O final de 2022 servirá para rever projetos de expansão engavetados desde a pandemia e buscar espaço num mercado que andou de lado neste ano mas poderá abrir muitas oportunidades em 2023.
Hermes Ghidini – Consultor de Empresas
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