Uma série de iniciativas têm sido tomadas no sentido de tornar mais “sustentáveis” as nossas cidades. Entram na lista as propostas de ciclovias, incentivo ao uso de energias renováveis, disciplina para construções, transporte coletivo de qualidade, reordenação do espaço urbano, e daí por diante.
Permeando essa gama variada de proposições, há um eixo que delineia os caminhos para um mesmo objetivo – promover uma harmonização entre o modo de vida urbano com o uso equilibrado e ecologicamente viável do meio ambiente.
No entanto, para além dessas importantes medidas técnicas e políticas em torno de soluções menos agressivas e poluentes, e da intenção de reduzir os impactos ambientais, há outras ’sustentabilidades’ a serem construídas. Especialmente a que se refere a estabelecer laços comunitários – que passam pela empatia, pela ajuda mútua, pela liberdade de expressão e senso crítico, pela cultura, e que repercutem profunda e intensamente na “sustentabilidade” do existir humano (que é dependente da ecologia com o planeta).
É aí que entra a discussão o uso dos espaços públicos de convívio, onde o acesso seja realmente igualmente franco e reine livre a diferença, eis que eles se diferenciam qualitativamente dos ambientes privatizados.
Ocorre que é nesse nível que, efetivamente, têm início as grandes mudanças de postura e de onde podem surgir alternativas às insustentabilidades a que estamos submetidos, e que são tantas.
Precisamos de praias limpas e de livre acesso, de hortos, hortas e parques, de praças e alamedas arborizadas, de um pouco de silêncio onde falem as ondas e farfalhem as folhas, de passar horas observando sem pressa nem pressão. Precisamos de pouco.
Estamos carentes de comunidade, da sensação de pertença, de um sorriso despretensioso e de gestos gentis – que nos reconheçam irmanados na mesma teia da Vida.
Em 2014 cultivemos a arte do convívio!
