Alegria, um negócio muito sério
12 de Dezembro de 2013

Alegria, um negócio muito sério

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          1. O professor está almoçando no restaurante de uma Universidade.
Chega o Joãozinho com sua bandeja e senta-se ao seu lado.
O professor diz:
– “Um porco e um pássaro não se sentam juntos para comer.”
O Joãozinho responde:
– Pois então, eu saio voando – e troca de mesa.
O professor “roxo” de raiva, decide vingar-se na próxima prova, mas o Joãozinho responde todas as perguntas brilhantemente.
Então o professor lhe faz a seguinte pergunta:
– “Você está caminhando pela rua e encontra uma bolsa, dentro está a sabedoria e muito dinheiro,
Qual dos dois você pega?”
E o Joãozinho responde sem titubear:
– “O dinheiro.”
E o professor lhe diz:
-“Eu, em seu lugar, teria agarrado a sabedoria. O que acha?”
-“Cada um pega o que não tem” – responde Joãozinho
O professor, já histérico, escreve em uma folha da prova:
“Idiota” E a devolve ao Joãozinho.
Joãozinho pega a folha e se senta.
Depois de alguns minutos se dirige ao professor e diz:
-“O senhor assinou minha prova, mas não me deu a nota.”
18. Volta e meia alguém na pergunta:

Por que você sempre começa com artigos e crônicas com uma piada engraçada, costumam me fazer essa pergunta.

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Porque eu sou sério, respondo sempre, para desconcerto de alguns.

Você está me gozando?

Não, nada de gozação.

 

Aprendi que quando a gente está mais descontraída conversa mais, troca de ideias constantemente saca mais criativamente as coisas.

 

2.  Trabalhei na Almap.
Éramos 14 duplas de criação – 28 criativos.

A brincadeiras eram constantes. Sempre havia alguém fazendo uma molecagem, contando piada nova, mas nem por isso travávamos ou atrasávamos mos algum trabalho. Ou deixamos de contribuir para que a Almap fosse uma das agências mais criativas do Brasil. Como é hoje, aliás.

Lembro-me de um dia, alguns meses anos de ter sido contratado pela Almap, o Plínio, um baita redator, me interpelou:

“Você é aquele cara que faz colunas de publicidade?”

“Incrível, a gente achava que você era sério demais com suas críticas, e nós não queríamos que você fosse contratado, porque ia estragar o ambiente.”

Não estraguei, fiz um monte de amigos e a Almap nunca deixou de ser o que é hoje.

E teve Norton, onde também trabalhei, e o GTM&C, que ajudei a dirigir.

 

3.  Nesta última agência, inclusive, vivi um episódio muito interessante, que passo a narrar.

A pessoa que me contratou me deu carta branca.

“Tem lá uma dupla de garotos inexperientes. Se quiser, eu os demito antes de você assumir e você leva pra lá a sua equipe.” 

Eu não quis. Tenho horror de injustiças.

Assumi e logo em seguida recebi um job. Informei-me a respeito, chamei a dupla, passei o trabalho pra dupla.

Quando me apresentaram, fiquei horrorizado.

“Isso é o melhor que vocês podem fazer?”, perguntei.

“Não, mas o patrão não gosta de peças criativas.

      Disse que aqui não é lugar para brincadeirinhas. E

     Ameaçou nos mandar embora, caso insistíssemos.”

 

    Fiz, então, um desafio:

“Vamos fazer uma coisa: façam o melhor que puderem.

   Se ele quiser mandar alguém embora, serei eu.”

 

O resultado foi sensacional. A campanha que eles criaram tinha um nível excelente.

 

4.  Onde está o segredo da Almap, da Norton daquela época, no GTM&C?

No talento, claro, mas principalmente no bom humor.

Para gerar boas ideias, as pessoas têm de ser alegres. Precisam brincar, rir, contar e ouvir piadas e boas histórias. É daí que nascem as grandes ideias.

E grandes ideias são desconcertantes, como o Joãozinho da piada que contei no começo destas mal traçadas.

Infelizmente, não é isto com que você que tenho visto por aí.

 

5.  Nas agências que tenho visitado observo o pessoal hipnotizado pelo computador. Nenhuma brincadeira, nenhuma piada, nada rolando. É terrível.

 

6.  O resultado é isso que estamos vendo na nossa TV, por exemplo. Uma publicidade triste, sem histórias, mera repetição dos briefs.

É malho puro, de todo jeito.

 

7.  Já ouvi dizer que hoje isso ocorre porque não há mais tempo. Papo furado: falta de tempo sempre aconteceu. Com uma agravante – não tínhamos as ferramentas disponíveis hoje.

 

8.  Minha tese é: precisamos avacalhar. Transformar o trabalho da agência em uma grande brincadeira.

Fazer com que a alegria volte a ser a alma do negócio.

Do nosso negócio, mas também do anunciante, que vai vender mais.

E do consumidor, que passará, de novo, a prestar atenção nos intervalos comerciais.

 

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