Nesta semana a humanidade transpõe mais uma vez os umbrais do apocalipse com um quê de ansiedade e decepção, como se toda uma história estivesse realmente prestes a chegar ao fim prometido e não cumprido.
Vivemos um estranhamento interior, um esgotamento das rotinas de sobrevivência e uma vontade pulsante pelo novo (que às vezes se confunde com a curiosidade mórbida pelo fim). Peculiares nós, os seres humanos.
As angústias e dúvidas desse nosso tempo voltam-se para o próprio homem, que então se obriga ao autoconhecimento. A novidade é que a aventura que se desencadeia não obedece aos contornos do indivíduo, extrapola, extravasa, interpõe, contrapõe e incandesce na alteridade.
A descoberta dos ”outros” como partícipes da construção individual e a mudança de perspectiva quanto à formação da identidade dos sujeitos, são algumas das chaves dessa nova compreensão sobre a humanidade e sobre a vida. Graças ao desenvolvimento das ciências naturais, da filosofia, da psicologia e da antropologia, hoje o homem é percebido como um ser aberto e em constante elaboração, e que se realiza física e mentalmente ao relacionar-se com os outros, e pois reconhece a existência de “outros” em si mesmo.
A sustentabilidade surge nesse processo, re-ligando as pessoas à realidade para além do individualismo, renovando valores esquecidos como a responsabilidade, a colaboração, a solidariedade; relembrando que a vida depende da simplicidade: de água, de sol, de natureza e cuidado.
A existência assim compartilhada entre os seres humanos, comunicantes por natureza, não encontra limites intransponíveis, não espera pelo fim. Ao contrário, tece redes de sustentação com amor e sabedoria. Essa é a novidade que queremos ver desabrochar neste Natal, em cada dia de 2013 e pela Vida a fora.
