A neurose jornalística
29 de Outubro de 2013

A neurose jornalística

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A estudante de Jornalismo da Unisul, Débora Laurindo, nos fez, em sala de aula, uma observação oportuna: a internet roubou a função de noticiar da imprensa. E agora?

É verdade. Mas não dá para entender a insistência, principalmente dos jornais impressos, de permanecerem estigmatizados pela notícia, furo de reportagem, numa perseguição aloucada pelos leitores das novas gerações, os nativos e residentes do ciberespaço.

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É importante lembrar que a história da imprensa no Brasil não contempla os jovens e muito menos crianças como leitores assíduos, exceto aqueles garotos de meia-idade que viviam enfeitiçados e alguns convictos nos movimentos de esquerda ou até de extrema-direita. Ora, se naquela época, em que rádio, tv e jornais eram os únicos meios de comunicação, os jovens liam menos, por que essa esquisitice de querer tê-los hoje como seus usuários, se eles vivem alegres, perspicazes e atrevidos na instantaneidade?

A solução mais fácil é o jornalismo parar de querer competir com os usuários no processo da instantaneidade. Basta! Se continuarmos na neurose de concorrer desta forma, com certeza, em breve, muitos dos usuários irão requerer na Delegacia do Trabalho a sua carteira de jornalista.

Acredito que se um jornal ousar desconstruir-se, afastando-se do velho e surrado modelo da notícia, e tornar-se uma fábrica de conhecimento, reflexão e entretenimento, o seu impresso terá uma grande sobrevida, podendo ser planejado com antecedência de até cinco ou mais dias. A tendência natural é o jornal e tv saírem da formalidade que os prende à notícia. Não há mais espaço, por exemplo, para um telejornal de sábado à noite e nem mesmo um jornal impresso de sábado. Uma edição de fim de semana já poderia iniciar o processo de desconstrução, com um jornal recheado de discussões, conhecimento, lazer, etc.etc. E não precisa querer adivinhar o que o jovem quer ler. Um jornal é feito ao gosto da sociedade, sem que seus editores precisem pressagiar o apetite de cada leitor.

O jornalismo do terceiro milênio está fascinado e, ao mesmo tempo, perdido na instantaneidade. Imagine que o jornal impresso quer até ser interativo. Como? Pare de loucuras! A menos que haja uma maquininha em cada esquina, em que o leitor possa pôr uma moeda, retirar um exemplar e inserir a sua opinião. Mesmo assim a defasagem seria tão grande que os usuários da internet estariam bem à frente provocando-o com ataques de ironia.

Inté.

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