por Dérick Caitano e Evelyn Santos
“A imprensa pode causar mais danos que a bomba atômica, e deixar cicatrizes no cérebro.” Noam Chomsky
A imprensa atual, tem sido completamente levada pelo avanço descontrolado da tecnologia, e do modo que está, está influenciando no transporte da notícia e da informação. A tecnologia tem entrado sem pedir licença na vida dos cidadãos, de modo aconteça um bombardeio de novidades a cada minuto.
A imprensa se mostra desnorteada, com a velocidade que a internet tem veiculado a informação, de modo que tem seguido essa tendência do sucinto, do rápido, do “sem conteúdo aprofundado”. O papel da imprensa, que deveria ser levar a notícia, com conteúdo, com aprofundamento, com o máximo de detalhes, tem sido substituído pelo papel que as redes sociais estão exercendo hoje.
Embora a imprensa atual, em geral a grande mídia, tem sido rápida, ainda que não suficientemente para rebater a velocidade das redes sociais, parece que as pessoas ainda sentem falta do conteúdo, e do detalhamento. Hoje, o que se vê, é um pedido de aprofundamento por parte dos cidadãos, nas investigações, nas informações, nas notícias e em qualquer outro tipo de conteúdo veiculado pela imprensa.
O caso “Amarildo”, é um exemplo dessa necessidade do cidadão, em ter esse aprofundamento por parte da imprensa. Na internet, várias pessoas pedem, que a imprensa vasculhe, vá atrás, busque e por fim, descubra o que aconteceu com Amarildo, o que os policiais fizeram, e qual foi realmente o fim dado ao jovem morador da Rocinha/RJ. As pessoas estão um tanto quanto ansiosas, para saber a verdade, ou para aproximassem ao máximo dessa dela.
O jornalista atual, parece não se preocupar tanto com o conhecimento, mas em disseminar a informação de forma rápida, e de forma a atender as expectativas dos internautas, e não da população em geral. A TV, ainda hoje, alcança o maior número de pessoas, por chegar à pontos onde ainda não é possível se ter a internet, e os jornalista parecem não se importar com essa questão. Hoje, está tudo na internet, de modo que uma única busca, revela os mais diversos tipos de informações, com o mais variado conteúdo, sobre uma mesma “notícia”. O problema é que o jornalista, tem deixado esse papel para a internet, fazendo com que o cidadão que espera por um complemento, torne-se um autodidata, e busque por si, o complemento.
O que parece hoje, é que nem o próprio detentor da informação, e do material jornalístico, o vulgo repórter ou jornalista, tem se preocupado em aperfeiçoar o seu conhecimento. O jornalista atual, parece ter se moldado a essa estrutura de velocidade, talvez por uma comodidade, ou por um costume, parecem ter se acostumado à um trabalho rápido, sem esmiuçar muito a notícia, como se esse fator, não fosse uma necessidade, mas um capricho.
“A imprensa livre é o olhar onipotente do povo, a confiança do povo nele mesmo, o vínculo articulado que une o indivíduo ao Estado e ao mundo, a cultura incorporada que transforma lutas materiais em lutas intelectuais, e idealiza suas formas brutas.” Karl Marx
Karl Marx, considera o fato de que a imprensa precisa ter a liberdade, para que possa ser onipotente, para que possa ser sincera, e clara nas informações, que passará ao povo. Esse fato nos leva a pensar, se os jornalistas atuais não sofrem de uma “autocensura”. O medo, a dúvida, a dificuldade da informação, será que esses fatores, não fazer a imprensa de hoje, prisioneira do método “internético” de levar a notícia? O papel da imprensa é abrir o olho do povo, de modo que faça com que esse mesmo povo, lute por suas próprias causas. Mas, se a imprensa de hoje tem se restringido a levar a notícia, a esmiuçar o conteúdo, como o povo saberá, conhecerá e entenderá com o que luta, se não tem as informações necessárias? Como o povo vai confiar nele mesmo, entendendo que tem força para mudar, se a imprensa, que deveria encorajar esse povo, não o faz?

