O tempo da imprensa, por Dérick Caitano e Evelyn Santos
22 de Outubro de 2013

O tempo da imprensa, por Dérick Caitano e Evelyn Santos

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por Dérick Caitano e Evelyn Santos

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“A imprensa pode causar mais danos que a bomba atômica, e deixar cicatrizes no cérebro.” Noam Chomsky

A imprensa atual, tem sido completamente levada pelo avanço descontrolado da tecnologia, e do modo que está, está influenciando no transporte da notícia e da informação. A tecnologia tem entrado sem pedir licença na vida dos cidadãos, de modo aconteça um bombardeio de novidades a cada minuto.

A imprensa se mostra desnorteada, com a velocidade que a internet tem veiculado a informação, de modo que tem seguido essa tendência do sucinto, do rápido, do “sem conteúdo aprofundado”. O papel da imprensa, que deveria ser levar a notícia, com conteúdo, com aprofundamento, com o máximo de detalhes, tem sido substituído pelo papel que as redes sociais estão exercendo hoje.

Embora a imprensa atual, em geral a grande mídia, tem sido rápida, ainda que não suficientemente para rebater a velocidade das redes sociais, parece que as pessoas ainda sentem falta do conteúdo, e do detalhamento. Hoje, o que se vê, é um pedido de aprofundamento por parte dos cidadãos, nas investigações, nas informações, nas notícias e em qualquer outro tipo de conteúdo veiculado pela imprensa.

O caso “Amarildo”, é um exemplo dessa necessidade do cidadão, em ter esse aprofundamento por parte da imprensa. Na internet, várias pessoas pedem, que a imprensa vasculhe, vá atrás, busque e por fim, descubra o que aconteceu com Amarildo, o que os policiais fizeram, e qual foi realmente o fim dado ao jovem morador da Rocinha/RJ. As pessoas estão um tanto quanto ansiosas, para saber a verdade, ou para aproximassem ao máximo dessa dela.

O jornalista atual, parece não se preocupar tanto com o conhecimento, mas em disseminar a informação de forma rápida, e de forma a atender as expectativas dos internautas, e não da população em geral. A TV, ainda hoje, alcança o maior número de pessoas, por chegar à pontos onde ainda não é possível se ter a internet, e os jornalista parecem não se importar com essa questão. Hoje, está tudo na internet, de modo que uma única busca, revela os mais diversos tipos de informações, com o mais variado conteúdo, sobre uma mesma “notícia”. O problema é que o jornalista, tem deixado esse papel para a internet, fazendo com que o cidadão que espera por um complemento, torne-se um autodidata, e busque por si, o complemento.

O que parece hoje, é que nem o próprio detentor da informação, e do material jornalístico, o vulgo repórter ou jornalista, tem se preocupado em aperfeiçoar o seu conhecimento. O jornalista atual, parece ter se moldado a essa estrutura de velocidade, talvez por uma comodidade, ou por um costume, parecem ter se acostumado à um trabalho rápido, sem esmiuçar muito a notícia, como se esse fator, não fosse uma necessidade, mas um capricho.

 

“A imprensa livre é o olhar onipotente do povo, a confiança do povo nele mesmo, o vínculo articulado que une o indivíduo ao Estado e ao mundo, a cultura incorporada que transforma lutas materiais em lutas intelectuais, e idealiza suas formas brutas.” Karl Marx

 

Karl Marx, considera o fato de que a imprensa precisa ter a liberdade, para que possa ser onipotente, para que possa ser sincera, e clara nas informações, que passará ao povo. Esse fato nos leva a pensar, se os jornalistas atuais não sofrem de uma “autocensura”. O medo, a dúvida, a dificuldade da informação, será que esses fatores, não fazer a imprensa de hoje, prisioneira do método “internético” de levar a notícia? O papel da imprensa é abrir o olho do povo, de modo que faça com que esse mesmo povo, lute por suas próprias causas. Mas, se a imprensa de hoje tem se restringido a levar a notícia, a esmiuçar o conteúdo, como o povo saberá, conhecerá e entenderá com o que luta, se não tem as informações necessárias? Como o povo vai confiar nele mesmo, entendendo que tem força para mudar, se a imprensa, que deveria encorajar esse povo, não o faz?

Com essa “comodidade” da imprensa, o povo torna-se “analfabeto” da informação. O povo não consegue realizar combates intelectuais. O povo não consegue se enxergar grande, e poderoso.
O jornalismo, parece estar se perdendo no caminho, parece estar sendo confundido com a informação bruta, sem desfecho. Ser jornalista, está além de repassar frases, textos, leads. Ser jornalista, fazer jornalismo, é correr atrás de fatos, correr riscos, assumir responsabilidades, é levantar e ir atrás, quando todo mundo, fica sentado, esperando pelo “ovo de ouro”.
Uma reportagem da UOL, mostra que 91% dos brasileiros, acredita que a imprensa ajuda a combater a corrupção ao divulgar os escândalos, que envolvem políticos e autoridades. Por que então, a imprensa tem se restringido a apenas repassar informações momentâneas? A imprensa tem arquivado o importante, e liberado o fútil. Abrir o jornal, ou qualquer portal de notícias hoje, é abrir a própria rede social. Você vê o mesmo que acompanha na “time line”, do seu Facebook, ou do seu Twitter. Frases, resumos ou até “hashtags”. É fácil ver, o como a imprensa está acomodada. Vê-se mais notícias sobre celebridades, do que sobre informações relevantes, como a política, como movimentos sociais, como dossiês de investigações. A imprensa está pecando nesse ponto.
A verdade é que a imprensa, tem perdido espaço, mas não poder. A internet não rouba o poder da imprensa, por que esta, ainda é a mais presente. O que acontece, é que o fato de a imprensa estar transmitindo as informações como a internet vem transmitindo, tem feito com que as pessoas não percam tempo, em correr atrás das notícias, por que elas verão a mesma coisa, do que se estivessem navegando nas redes sociais. É comum, é igual, não faz diferença.
A imprensa não tem prazo de validade, como muitos imaginam. A verdade é que a imprensa só depende dela mesmo, para sobreviver. O virtual, não pode substituir o impresso, ou o televisivo. Cada qual tem seu valor, tem seu papel na sociedade de modo diferente, e com reações muito distintas. Agora uma coisa não se pode negar, o tempo atual é da internet, e nos resta aguardar para saber quando voltará, o tempo da imprensa.
Dérick Caitano e Evelyn Santos, Acadêmicos de Jornalismo – UNISUL Pedra Branca

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