A enorme responsabilidade da ACAFE
02 de Setembro de 2013

A enorme responsabilidade da ACAFE

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1.  Num dos planetas que giram em volta da estrela chamada Sírio, vivia um jovem muito dotado que tive a honra de conhecer quando de suas última viagem ao nosso pequeno formigueiro. Chamava-se Micromegas, nome adequado a todos os grandes. Tinha oito léguas de altura, isto é, 48.000 metros.

Quanto à sua mente, era uma das mais cultas. Ele não atingira ainda a idade de 250 anos, quando adivinhou, pela força de sua imaginação, cinquenta das proposições de Euclides.

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Conhecia todas as leis da navegação e todas as forças atrativas e repulsivas, Usava-as tão habilmente que, graças ora a um raio do sol, ora ao movimento de um cometa, passava de globo em globo, ele e a família, como um pássaro esvoaçava de ramo em ramo.

Certo dia chegou a Saturno, e embora acostumado à variedade do universo, não pôde reprimir um sorriso de superioridade ao ver a pequenez daquele planeta e de seus habitantes.Pois, afinal, Saturno é apenas novecentas vezes maior que a Terra e os cidadãos daquele planeta são anãos que só têm Milk toesas de altura, isto é, menos de 2.000 metros.

Reproduzirei aqui, para edificação do leitor, uma conversação singular que Micromegas manteve com o Secretário da Academia de Letras de Saturno.

“Devemos reconhecer”, disse Micromegas, “que a natureza é muito diversificada.”

“Sim, a natureza é como um jardim cujas flores…”

“Oh”, disse Micromegas, deixa aí teu jardim.”

“Ela é”, recomeçou o acadêmico, “como uma assembléia de louras e morenas cujos adornos…

“Oh, não. O que tenho a ver com tuas louras e morenas?”

“Então, ela é como uma galeria de pinturas cujas cores…”

“Não, mais uma vez”, interrompeu novamente o visitante.  “A natureza é a natureza. Por que procuras comparações?”

“Para agradar-te”, respondeu o saturnino.

“Não quero que me agradem. Quero que me instruam.

Quantos sentidos possuem os homens do teu bloco?”

Possuem 72 sentidos; e queixamo-nos todos os dias por não termos mais. Nossa imaginação supera nossas necessidades. E apesar de todas as paixões que resultam de nossos 72 Sentidos, temos tempo para nos ajudar.”

“Acredito”, disse Micromegas. “Pois em nosso globo possui-mos cerca de mil sentidos. Assim mesmo, temos não sei que anseios vagos, que inquietação permanente. Acreditamos que somos pouca coisa e que há seres mais perfeitos do que nós. Viajei bastante. Conheci mortais muito abaixo de nós e outros muito acima de nós. Mas nunca encontrei quem não tivesse  mais desejos que necessidades ou mais ambição que satisfação”

“Quanto tempo se vive no seu globo”, perguntou o siriano após um momento de reflexão.

“Oh, muito pouco”, respondeu o pequeno homem de Saturno.

“Só vivemos quinze mil anos. É quase morrer ao nascer. Nossa existência é um sopro; nossas permanência neste mundo, um instante fugaz.”

“Se não fosses um filósofo, recearia mortificar-te ao te revelar que a nossa vida é setecentas vezes mais longa que a vossa. Mas bem sabes que, quando chega a morte, tanto faz ter vivido uma eternidade ou ter vivido um dia. Visitei países ode se vive mil vezes mais do que  no nosso e verifiquei que ainda se queixavam.”

Enfim, após terem comunicado um ao outro um pouco do que sabiam e muito do que não sabiam, os dois amigos decidiram fazer, juntos, uma pequena viajem filosófica.

Passaram de lua em lua e, um dia, perceberam ao longe uma luz tênue: era a Terra. Tiveram pena de uma coisinha tão minúscula. Assim mesmo, quiseram conhecê-la. Aproveitaram a cauda de um cometa e desembarcaram no Mar Báltico a 5 de julho de 1737;

Após descansar algum tempo, puseram-se a percorrer o pequeno planeta para conhecê-lo.  O passo normal do siriano era de 9.150 metros; o anão de saturno seguia de longe, ofegante.

Queriam saber se este globo era habitado. Olharam em toda parte, abaixaram-se, apalparam; mas suas mãos e seus olhos não eram feitos para os seres miúdos que rastejam por aqui, e não chegaram a perceber que nossos confrades e os outros habitantes deste planeta temos a honra de existir. Julgaram este globo tão mal feito que o siriano concluiu:

“Na verdade, acho que esta globo é inabitado, pois não imagino que pessoas de bom senso aceitem nele morar.

“Não são provavelmente pessoas de bom senso que aqui habitam”, retrucou o outro.

Finalmente, usando de habilidade excepcional, os dois visitantes descobriram os átomos que somos.

“Vamos examinar estes átomos”, disse Micromegas.

Sacou uma tesoura que tinha no bolso, cortou um pedaço de uma de suas unhas e fez dele uma espécie de trombeta falante em forma de funil que introduziu no ouvido.

Podia assim ouvir o zumbido dos insetos que somos. Ele e o siriano morriam de curiosidade para conversar com esses insetos.

Graças a tais precauções e outras, Micromegas começou seu discurso.

“Átomos invisíveis, que a mão do Criador achou por bem fazer Nascer no abismo do infinitamente pequeno, eu não menosprezo ninguém  e ofereço-vos a minha  proteção.

A surpresa dos habitantes da Terra foi imensa. Não sabiam de onde vinha a voz. Um padre recitou preces de exorcismo.

O anão de Saturno, cuja voz era mais melodiosa que a do MicroMegas, informou-os então de quem se tratava. Perguntou-lhes  se sempre viveram neste estado miserável, se se multiplicavam e se tinham uma alma.

Um cientista, indignado de que se duvidasse da existência de sua alma, observou o interlocutor com binóculos astronômicos e disse: “Pensa, senhor, que por medir mim toesas da cabeça aos pés, é um…”

“Mil toesas!” interrompeu o anão cheio de admiração. “Como conseguiu calcular minha altura? Não se enganou em uma poledada. Este átomo me mediu!”

Então, Micromegas pegou a palavra:

“Vejo mais do que nunca que não devemos julgar os seres na base de suas dimensões aparentes. Ô Deus, que destes inteligências e substâncias que parecem tão insignificantes, o infinitamente pequeno  custa-vos tanto quanto o infinitamente grande.”

A conversação se desenvolveu então entre os infinitamente grandes e os infinitamente pequenos. Micromegas disse:

“Ô átomos inteligentes, deveis sem dúvida provar as alegrias mais puras em vosso globo. Pois, tendo pouca matéria e parecendo feitos de espírito, deveis passar vossa vida a amar e pensar. Não encontrei a felicidade em parte alguma. Mas ela deve existir por aqui.

Todos os filósofos sacudiram a cabeça; e um deles, mais franco que os outros, confessou que, com poucas exceções, os habitantes da terra são um agregado de loucos, criminosos e infelizes.

“Temos mais matéria do que necessitamos”, acrescentou, “para fazer o mal, se é que o mal vem da matéria, e muito espírito, se o mal vem do espírito. Basta saber que, neste momento, 100 mil loucos de nossa espécie, cobertos de chapéus, massacram 100 mil outros loucos,cobertos de turbantes, ou são por eles massacrados, e que assim tem sido desde o começo dos tempos.”

“Ah! Infelizes”, disse Micromegas decepcionado. “Mas pelo menos conheceis bem  a vossa alma que, um dia, talvez vos salve.”

Os filósofos falaram então todos ao mesmo tempo; mas cada um tinha uma teoria própria sobre a alma, em contradição com a teoria dos demais. Quando um deles afirmou aos visitantes, citando S

Todo para o homem, Micromegas e o siriano riram abertamente.

No fim da longa conversação, Micromegas ofereceu aos filósofos da terra um livro de filosofia, dizendo-lhes que nele descobriram a verdade das verdades.

Os filósofos levaram o livro à Academia de Ciências, em Paris. Mas quando o secretário o abriu, achou que ele só continhas folhas brancas. (Voltaire. Fonte: Antologia Internacional do Riso, de Mansour Chalita)

 

2.  Outro dia o meio universitário foi sacudido por uma notícia de grande repercussão: a rede norte-americana Laurente, dona da Anhembi Morumbi comprou, por um bi, a FMU.

Com isso, as cinco maiores universidades brasileiras já são donas de 33,1% de um mercado que possui 188 universidades, segundo a Folha de S. Paulo. E não pretendem ficar por aí.

Arthur Sperandéo de Macedo, vice-reitor executivo da FMU, por exemplo, disse ao Estadão que planeja triplicar o número de alunos, e que 60% do crescimento da companhia nos próximos anos virão do ensino à distância. O ocorrerá em outras regiões, além de S. Paulo.

E confessa: a política agressiva de preços que a instituição vem adotando não mudará.

Para completar, reproduzo, na íntegra, notícia publicada pela Exame:

 

São Paulo – Mais um negócio pode ser anunciado no setor de educação. Desta vez, a Estácio estaria negociando a compra de 100% da Affero, empresa de educação corporativa. A operação deve ser fechada por 206 milhões de reais, de acordo com reportagem do Valor Econômico, desta sexta-feira.

Segundo o jornal, a proposta de compra está sendo avaliada pelo conselho de administração da Estácio. A Affero tem como principal sócio a destora BR Investimento, que tem 40% das ações da companhia.

A operação, no entanto, pode enfrentar duas barreiras: a primeira é que a Affero estaria negociando paralelamente uma parceria com a Lab SSJ, do mesmo ramo de educação corporativa. Outro obstáculo seria a objeção de um grupo de minoritários da Estácio. De acordo com o Valor, eles não apoiam a operação.

Recentemente, Virgílio Gibbon, diretor financeiro e de relações com investidores da Estácio,  afirmou que a companhia planeja fechar aquisições com mais instituições de ensino de pequeno e médio porte ainda neste ano.

 

3.  Hoje, enquanto esse negócio não é anunciado, a situação está assim:

 

1º. – Anhanguera e Kroton, com 839.000 alunos, isto é 16,2% do mercado;

2º. – Estácio, com 272.000 alunos, isto é, 5,3% do mercado:

3º. – Unip, com 238.000 alunos, isto é, 4,6% do mercado;

4º. – Laurete + FMU, 213.000 alunos, isto é, 4,2% do mercado:

5º. – Uninove – 147.000 alunos, isto é, 2,5% do mercado.

O Sistema  Acafe, que reúne 17 Universidades catarinenses, possuía, em 2011, 151.775 alunos. A Unisul, a maior delas,  29.740 alunos. Mal comparando: de um lado, o Macromegas, de outro, os habitantes da Terra.

 

4.  Acafe, para quem não sabe, é a Associação Catarinense das Entidades Educacionais.  Sua missão:

“Desenvolver o ensino, ciência, tecnologia e inovação pelo

Compartilhamento de aços e competências para assegurar o

Fortalecimento das IES associadas em prol da educação

superior em Santa Catarina.”

 

Sua visão:

“Ser reconhecida nacional e internacionalmente como um sistema de educação superior integrado e sinérgico, capaz de produzir resultados para a IES e para a sociedade na produção de conhecimento da ciência, da tecnologia e da inovação.”

 

5.  E agora?

 

Desnecessário lembrar que as Instituições de Ensino Superior estão de olho gordo em Santa Catarina. Algumas delas já estão aí, provocando um estrago nos planos de desenvolvimento das Instituições catarinenses. Outras vão chegar. Agressivamente,

Some a isso, algum as Instituições de renome, como a ESPM, a GV e o Sesi que estão comendo um pedaço do nosso bolo.

Competir em termos de preço nem sempre é possível.

Então, para que os Macromegas não as engulam, as só resta um caminho: o do reconhecimento da qualidade – por isso escrevi, em negrito, nacional e internacionalmente.

O do orgulho. Pais e alunos precisam dizer, de peito estufado, que estudam em uma das nossas Instituições. E porque.

Pra isso, só tem um caminho: o da implantação imediata de

Uma política de branding. Assunto que fica para uma próxima conversa.

 

 

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