ARTIGO | Medo do vírus? Ou vírus do medo?
06 de Abril de 2020

ARTIGO | Medo do vírus? Ou vírus do medo?

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por Daniel Argolo*

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Estamos diante de algo inédito, incontrolável e amedrontador. Vivemos um momento em que as incertezas dominam a todos. Como será a reconciliação humana, interativa, diante de todo esse isolamento? Não me refiro, até aqui, sobre o coronavírus. Trago à tona a reflexão sobre a tênue linha entre os reais efeitos da pandemia e a sobrevivência da economia. Conseguiremos reduzir a curva e o pico do desemprego? Daremos conta de abraçar a população faminta? Ressuscitaremos o espírito empreendedor de pessoas que viram seus negócios entrarem em óbito por síndrome respiratória aguda grave (SARS)? Como vamos recuperar o fôlego da economia mundial? O que as estatísticas apontam a médio e longo prazo? O que será mais letal?

Sei que não há uma resposta pronta, segura, muito menos unânime para tal provocação. Mas precisamos começar a falar sobre. Não podemos ficar à espera de um milagre, muito menos reféns das decisões exclusivas do governo. Creio que esse seja um papel de todos: olhar para a realidade dos fatos com a responsabilidade de autores do destino. Não podemos seguir como meros leitores de uma história, em pleno desenvolvimento, cujo final vai interferir diretamente na minha e na sua vida.

Longe de banalizar a gravidade do COVID-19, quero trazer aqui alguns números que fui pesquisar. Uma natural curiosidade sobre dados que a própria OMS (Organização Mundial de Saúde) divulga em seus canais. Sabia que a influenza sazonal, também conhecida como gripe, hospitaliza 772 mil pessoas por ano, levando a óbito cerca de 72 mil pessoas por suas complicações na Região das Américas? E que o tabaco, “aquele raro prazer”, mata mais de 8 milhões de pessoas por ano? No panorama geral, as doenças cardiovasculares são a principal causa de mortes no mundo. Estima-se que 17,7 milhões de pessoas morreram do coração em 2015. O suicídio ceifa cerca de 800 mil pessoas todos os anos; o HIV acumula mais de 35 milhões de mortes; o câncer registrou 9,6 milhões de óbitos em 2018; e o uso nocivo do álcool leva mais de 3 milhões de pessoas todos os anos. Como bem disse Noel Rosa: viver é um risco.

Penso que não há espaço para polarizações partidárias no atual momento, apesar de ver os movimentos políticos ao redor do mundo tentando prever as cenas dos próximos capítulos a fim de levantar o troféu de salvador visionário. Acho que isso o coronavírus já nos ensinou: estamos, todos, na mesma embarcação. Somos seres relacionais, interdependentes, que compram e vendem, servem e são servidos, contaminam e são contaminados. Logo, precisamos dar as mãos – ainda que figurativamente – para buscar o equilíbrio entre o medo do vírus e o vírus do medo.

 

*Daniel Argolo tem mais de 20 anos de mercado, trabalhando em grandes agências nas áreas de atendimento e planejamento. Atuou em diferentes frentes de negócios, contribuindo para a construção e consolidação de relevantes marcas.
Ao longo da carreira, passou pelas agências Z. Publicidade, OpusMúltipla, Next Direct, além dos grupos Ogilvy e Propeg. Em Santa Catarina, foi Diretor de Planejamento na D/Araújo. Argolo traz em seu histórico profissional o atendimento de marcas, como: HSBC, FIAT, Extra Hipermercados, Ford, Votorantim, Electrolux, Tigre, GVT, Liquigas, entre outros.
Como profissional de planejamento, sempre buscou a criatividade como diferencial. Atualmente é proprietário da Love Brand, empresa especializada em branding estratégico e planejamento de comunicação.

 

 

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