Coluna Ligia Fascioni | Inovação na Ásia e na Alemanha

14 de Maio de 2019

O que significa e como se transformar numa organização à prova de futuro

Haus der Deutschen Wirtschaft

 

Hoje participei da Asia Pacific Berlin Week : Conference on Innovation, evento patrocinado por um projeto de cooperação entre os países asiáticos da costa do Pacífico e a Alemanha.

 

Para quem estuda inovação há tempo, não tinha muita coisa nova, mas foi bom para ver que as informações que estou compartilhando em palestras, textos e vídeos estão perfeitamente atualizadas.

 

A primeira palestra, de Ruo-Mei Chua, uma consultora baseada em Singapura, falou sobre o que as empresas precisam para continuar relevantes no mercado. Basicamente o que sempre falo nas minhas palestras sobre inovação: a ênfase na empatia e na criatividade do ser humano. Aliás, ela fechou com uma frase de Li Kai Fu que achei ótima: “Deixe os robôs serem robôs, e os humanos, humanos”.

 

Depois teve um painel com debatedores da China, Singapura e Alemanha sobre o que significa e como se transformar numa organização à prova de futuro.  Mais do mesmo: ênfase no humano, na educação, e, para surpresa de ninguém, destaque para a filosofia e as ciências humanas/sociais.

 

A palestra seguinte foi do consultor em Design Thinking Nav Qirti, um indiano que dirige uma empresa em Singapura. Ele falou sobre o que mata a inovação: a miopia (falta de imaginação); a mente de macaco (que pula direto para a solução; é um termo budista que se refere ao superficial, que copia sem refletir, nervoso, confuso) e a inércia (não agir por medo de falhar).  Para cada um dos problemas, ele sugere uma nova abordagem. Ver e observar com atenção, pode corrigir o problema da miopia; parar, pensar e refletir, pode controlar a mente de macaco. E, principalmente, sair da inércia, fazendo coisas e realizando projetos com a participação de outros (co-criação). Que, não por acaso, descrevem os principais passos do design thinking: entender, idear e iterar (com prototipação rápida e testes).

 

Ele enfatizou que crescemos, desde crianças, com proibições: não se pode desobedecer regras, não se pode questionar, não se pode perguntar muito. E depois de adultas, cobram das pessoas que sejam inovadoras; aí fica difícil. Para fechar, ele enfatizou que a empatia é a chave para solucionar efetivamente problemas.

 

Em seguida, mais um painel de debates sobre como os governos podem usar a tecnologia para aumentar a participação da socidade nas decisões e na busca pela solução dos problemas, com exemplos de aplicativos na Alemanha, China e Taiwan.

 

Para finalizar, uma palestra sobre inteligência artificial e outra sobre Internet das Coisas. Ambas mostraram conteúdo que já apresentamos nos programas sobre os respectivos temas no nosso canal do Youtube Berlim Tech Talks.

 

A mensagem final, repetida com ênfase por todos os palestrantes e debatedores é que os governos precisam investir pesado em pesquisa de base e educação. E também que sem estudos aprofundados em filosofia e ciências humanas, seremos atropelados pelo futuro.

 

No painel que mostrava as dezenas de países que estavam na corrida, nem uma bandeirinha do Brasil…

mulher oriental apresentando uma palestra em Conferência Asia-Alemanha, em Berlin

Ligia Fascioni

  • imagem de ligia
    Ligia Fascioni é consultora e palestrante nas áreas de marketing, identidade corporativa, liderança, inovação e atitude profissional. É engenheira eletricista, mestre em automação e controle industrial, especialista em marketing e doutora em engenharia de produção e sistemas com foco em gestão integrada do design. Autora de vários livros, incluindo “DNA Empresarial: identidade corporativa como referência estratégica” (Integrare, 2010) e "GPS para curiosos" (e-book, 2013). Seu blog (www.ligiafascioni.com.br) foi selecionado como um dos 10 melhores em língua portuguesa pela Deutsche Welle em 2013. Desde 2011, mora em Berlin, Alemanha, onde é sócia de uma start-up de tecnologia.