Coluna Fernanda Bornhausen de Sá | As empresas que não se tornarem Data Driven não sobreviverão nos próximos 5 a 10 anos

12 de Dezembro de 2017

O Fórum Econômico Mundial declarava, em 2011, que os dados são uma nova classe de ativo econômico particularmente valioso. A revista londrina “The Economist” aumentou a aposta, afirmando que nos próximos anos, os dados se tornarão recurso mais valioso que o petróleo. O que estamos assistindo hoje é que as empresas que conseguem lidar com os dados - que se determinam a ser Data Driven - tem transformado os mesmos em conhecimento valioso para suas estratégias e investimentos em marketing, vendas e relacionamento com os seus clientes e seus mercados. E aquelas que ainda não iniciaram nesse caminho estão correndo sério risco de serem ultrapassadas pela concorrência. Na nossa jornada de inovação trabalhando com dezenas de empresas ao longo de 2017, no Brasil, nos EUA e na Europa, podemos dizer com convicção que as empresas não se tornarem Data Driven provavelmente não sobreviverão em um futuro bem próximo. E para compartilhar nosso conhecimento nesse mundo fascinante do Data Driven Business resolvi escrever uma série de colunas sobre o tema em 2018, iniciando por essa para encerrar 2017.
 

Importância dos dados

Geramos dados à toda hora. Toda interação, utilização ou transação gera algum tipo de dado que, quando processado, pode ser transformado em algum tipo de padrão identificável. 

Quanto maior a organização, maior tende a ser o volume e histórico de dados gerados e teoricamente maior é o ativo da mesma. O problema é que, por incrível que pareça, a maioria das empresas ainda não percebem o valor desses padrões, seja para decisões básicas de marketing e vendas, à implicações financeiras e movimentações estratégicas e, por isso, não os aproveitam. Ter dados, nesse caso, não adianta muito. 

É importante ressaltar: "dados não são informação, informação não é conhecimento, conhecimento não é entendimento, e entendimento não é sabedoria."
 

 

Os dados sozinhos não garantem vantagem alguma. Quando processados em um fluxo lógico e interpretados, geram aí sabedoria para tomada de decisão - uma das grandes vantagens competitivas das empresas estabelecidas em relação às startups, por exemplo. 

Trabalhar com dados permite antecipar mudanças no mercado e ações dos competidores, descobrir novos ou potenciais competidores e clientes, aprender com os sucessos e as falhas dos outros, conhecer melhor possíveis aquisições/parceiros, novas tecnologias, produtos ou processos que tenham impacto no seu negócio, rever suas próprias práticas de negócios ou entrar em novos negócios, auxiliar na implementação de novas ferramentas gerenciais, entre outros benefícios. 
 

Empresas Data Driven vs. Não Data Driven

Empresa Data Driven são negócios cujas decisões e ações são guiadas principal ou exclusivamente pelas informações reunidas ao longo do tempo. Elas podem vir do mercado, de dados abertos, dos clientes ou de dentro da própria empresa. 

Grandes grupos como Unilever e P&G tem feito aquisições e grandes ações para explorar uma riqueza de dados. Porque você acha que a Amazon tem tanta força? Ela é Data Driven desde o nascimento, assim como as maiores empresas do mundo atualmente. 

A busca por informações relevantes para estratégias mais certeiras não é algo novo, os modelos de Business Intelligence e o próprio uso do Big Data não são novidade. O uso de dados para tomada de decisão existe sim em quase todo negócio. 

Porém, o diferencial está em como conversa-se com os dados no processo de tomada de decisão nos mais variados níveis de uma organização (do estratégico/executivo ao operacional), e como esse direcionamento está implantado nas culturas organizacionais.

Em um outro nível, está a forma como aproveita-se os mais variados tipos de dados disponíveis, dos bancos de dados internos às bases externas, e como criam-se novos mecanismos para captar ainda mais dados que possam ser relevantes e sistemas para processá-los e transformá-los em conhecimento aplicável. 

Empresas assim interpretam uma ampla gama de dados estruturados e não estruturados para aplicar o conhecimento gerado ao planejamento de negócios, orçamentos, previsões e apoio às decisões de forma muito mais eficaz do que as técnicas tradicionais com base em relatórios estáticos. Criam dashboards relevantes e oportunos para medir o sucesso e direcionar a estratégia e utilizam dados, analytics e IA para vendas e marketing preditivos.

Por essas e outras empresas, Data Driven são mais competitivas, rápidas e inteligentes que aquelas que não entraram nesse mundo ainda.

 

Conclusão
De forma geral, o Data Driven não é um sistema específico, mas, sim, uma filosofia de atuação. Se a sua companhia reúne dados e os armazena em um local de fácil acesso para todos, já está inserida nesse estilo de gestão.

Você pode estar se perguntando: mas como faço para me tornar Data Driven? Afinal, o ponto principal deste artigo foi que empresas que não se tornarem Data Driven não sobreviverão!
 

Nas próximas colunas escreverei mais sobre como efetuar um diagnóstico de dados, montar uma estratégia de dados e trarei alguns cases de clientes e parceiros para maior embasamento, mas deixo uma reflexão: tornar-se Data Driven não é tão caro ou fora do alcance, depende de decisão estratégica e de ter os parceiros certos.  Cerca de 90% dos dados do mundo foram produzidos nos últimos 2 anos e, desses, apenas 20% estão concentrados em bancos de dados externos - os outros 80% estão dentro das empresas (palavras de Ginni Rometti, CEO Global da IBM)! Pense que muitos deles estão nas empresas estabelecidas e que isso pode ser uma enorme vantagem para você. 

Você pode começar identificando seus objetivos de negócio e avaliando como sua empresa está em relação a eles, e em seguida identificando como pode explorar seus bancos de dados internos para gerar informações que auxiliem em melhores decisões.

Temos clientes que um trabalho de 3 meses em suas bases de dados aumentaram as vendas em 40% apenas conhecendo e direcionando ofertas para seus próprios clientes. 

Lembre sempre, quando você inicia um caminho Data Driven os dados falam - na maioria das vezes berram - com você. 

Espero que tenham gostado.
Estou sempre aberta a feedbacks, críticas e sugestões no
fernanda@clearinovacao.com.br  
 

Obrigada pela leitura!

Data Driven é o futuro das empresas

Fernanda Bornhausen Sá

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    Fernanda Bornhausen Sá é psicóloga com especializações em administração e orientação profissional. Possui mais de 20 anos de experiência na área de comunicação e publicidade, como sócia e dirigente de agências onde atendeu grandes marcas como a Caixa Seguros e a Malwee. É Presidente voluntária do IVA onde idealizou e lançou o www.voluntariosonline.org.br É sócia e diretora da Clear Educação e Inovação e Fellow do Synergos Institute.