O apagão dos aplicativos de mensagens e seus transtornos, segundo profissionais de Santa Catarina

07 de Outubro de 2021

Por mais de sete horas as gigantes Facebook, Instagram e Whats App deixaram o mundo a ver navios

Caiu aí também? Essa foi a pergunta líder na tarde de ontem quando as plataformas de Mark Zuckerberg saíram do ar, segundo nota da empresa, por um defeito interno na empresa. AcontecendoAqui publicou ontem alguns posts que você confere aqui, aqui e aqui.

Hoje, o portal consultou alguns profissionais de Comunicação e Marketing para trazer aos seus leitores um sentimento das consequências desse apagão em seus negócios. Confira os depoimentos que estão em ordem alfabética pelo nome das empresas pelos representantes da CODIRECT, GRUPO ND, GRUPO SCC/SBT, IMPERATRIZ, KOERICH, NSC COMUNICAÇÃO, PUBLYA, REGIONAL FM, TVBV, UNIMED, VOCALI.

 

 

CODIRECT

Prejuízos causados: algumas horas sem gerar leads via Instagram, mas o pior foi a dificuldade de contatar os clientes que tinham reunião agendada porque geralmente fazemos via WhatsApp.
Ações emergenciais: nenhuma. Trocamos WhatsApp por SMS e ligação para falar com nossos clientes. Só aguardamos retornar porque a empresa funcionou normalmente. Nada parou.
Como resolvemos: a externa SMS e ligação. A interna mantivemos na plataforma que usamos para comunicação interna. O grupo de WhatsApp da empresa é só um meio de celebrar os resultados ou reforçar comunicação massiva.
Planos de contingência: não gaste energia com o tal discurso de fazer marketing em "terreno alugado". Instagram e WhatsApp ficam fora do ar poucas horas por ano. Eu manteria as coisas como estão porque ainda é muito lucrativo como forma de divulgação do trabalho de uma empresa de pequeno porte. Ficamos sem poder anunciar no Facebook durante 3 semanas (antes do crash de ontem) porque um hacker invadiu nossa conta e gastou 15000 reais. E por conta disso, nessas 3 semanas investimos em várias outras plataformas, nada foi tão lucrativo e assertivo como Instagram e Facebook.

Uma dica: seja crítico com seus mentores e quem você escolhe para dar conselhos. Muita gente criticando as plataformas (Instagram e WhatsApp). Elas são incríveis e hoje são a melhor alternativa para divulgar o trabalho da sua empresa, mesmo que ontem o dia estivera instável. Foi uma fatalidade - não trate como rotina.    

Luiz Gustavo - sócio fundador da Codirect

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GRUPO ND

O Grupo ND não passou grandes sufocos durante o momento do “apagão”. Apesar do WhatsApp ser uma ferramenta essencial no nosso dia de trabalho, as equipes se adaptaram rapidamente. 
Para comunicação interna, o Grupo ND já utiliza principalmente hangouts, e-mails e o sistema de ramais entre setores e todas as praças da NDTV | Record TV em Santa Catarina. 
As equipes de jornalismo fizeram uso de ligações telefônicas, e-mail e outros aplicativos de troca de mensagens. Houve, sim, um atraso na apuração de informações, mas nada prejudicial para o trabalho de produtores, pauteiros e repórteres. A equipe comercial também se utilizou de ligações e envio de matérias por e-mail para se comunicar com seus clientes. Quanto às mídias sociais, houve leves problemas com as programações de publicações nas redes sociais do Grupo ND, mas nada que tenha afetado gravemente nosso núcleo de comunicação. Ao contrário, hoje estamos comemorando o sucesso de audiência no Portal ND+, que imediatamente publicou matérias sobre o apagão, gerando a curiosidade dos usuários dos aplicativos parados.

Angela Gonçalves - head de Marketing do Grupo ND

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GRUPO SCC/SBT

O maior prejuízo foi a interrupção da interatividade com os telespecatdores e ouvintes, principalmente através do whatsapp. Não foi um prejuízo financeiro, mas de queda de interação. 

Comunicamos a notícia da queda mundial  da soluções Facebook (Face, Whats e Insta) de forma jornalística no SCC Meio-Dia e no Portal SCC10 logo que a informação foi confirmada por fontes oficiais, isso perto das 13h (hora de Brasília). No notíciário noturno trouxemos uma reportagem ampliando o assunto com os impactos para pequenos comerciantes e a população em geral. Nosso portal deixou o assunto em destaque na página principal, já que muitos usuários buscaram a informação em fontes de informação com credibilidade.  

Migramos algumas necessidades de comunicação para o telegram, dos grupos de gestão mais prioirtários. O que não era urgente ficou pra mais tarde. As demadas urgentes foram resolvidas com ligações telefônicas ou e-mails. Lembrando que toda a plataforma Google continuou operando normalmente, onde nosso sistema de comunicação interna está ancorado. 

Somos um grupo de mídia que não depende das soluções Facebook para existir, apesar de usar todas as ferramentas. Nossa mídia proprietária -- portal SCC10 -- continuou funcionando normalmente com a média de acessos diária mantida. Ou seja, o usuário não precisou vir de uma rede social, ele já sabe onde estamos e como nos encontrar. O mesmo aconteceu com o canal de TV, que sempre foi a referência em entretenimento e informação e não depende das ferramentas Facebook para funcionar. 

Acreditamos que iremos reduzir a dependência das ferramentas Facebook ainda mais, fortalecer os canais de mídia proprietária e fazer o público-alvo saber o caminho de procurar esse canal de forma direta, sem depender de intermediários como Whats, Face ou Instagram.

Guido Schvartzman, diretor de Conteúdo do Grupo SCC SBT

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IMPERATRIZ

Nós não fomos tão impactados, pois não temos vendas pelo WhatsApp, Facebook e Instagram. Para a comunicação interna utilizamos o tradicional e-mail e o SMS.
Portanto, o apagão não causou pra gente nenhum transtorno que abalasse nossas rotinas.
Mas, acredito, que para quem trabalha com vendas pelos aplicativos esse apagão tenha sido muitíssimo prejudicial.

Leandro Hommerding - gerente de Marketing do Supermercados Imperatriz

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KOERICH

No nosso caso o apagão não nos afetou em nada. O impacto para nós foi muito pequeno, pois nossa venda pelo digital é muito forte no Google. Nosso uso de redes sociais é muito pequeno. Então, ter ficado um dia sem essas 3 plataformas não nos trouxe tanto impacto. 
Nós utilizamos para comunicação interna com a equipe, a ferramenta do Google e do Telegram.
Então, no geral, impactou muito pouco mesmo para nós.

Rafael Koerich, Lojas Koerich

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NSC COMUNICAÇÃO

Aqui na NSC o impacto foi mínimo, pois temos canais muito bem estruturados para falar com nossos públicos. O contato com o mercado e com os assinantes é baseado em ferramentas apropriadas. WhatsApp e redes sociais são complemento de comunicação.
No Jornalismo, as apurações, notícias e outras informações foram buscadas por telefone. O ponto curioso foi a mudança de comportamento, pois algumas fontes não atenderam o telefone, não têm mais este hábito. A apuração demorou um pouco mais, dificultou um pouco, mas não houve qualquer prejuízo aos nossos conteúdos. 
Única área impactada foram as postagens em redes sociais, mas não chegou a ser grave.

Romí de Liz, head de Comunicação e Programação da NSC Comunicação

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PUBLYA

“Um dos principais impactos que sentimos na Publya foi relacionado ao fluxo de operações para o monitoramento e configuração de novas campanhas dentro da plataforma do Facebook Ads. 

Assim que percebemos que os serviços teriam um prazo maior do que o comum para retornar, comunicamos via e-mail os clientes ativos e novos (que teriam suas campanhas configuradas) para tranquilizá-los quanto ao status e mantê-los informados durante o processo. 

O Facebook Ads ficou indisponível por cerca de 8 horas, impossibilitando também a entrega dos anúncios. Após o retorno, as campanhas voltaram a funcionar normalmente. Porém, seguindo a lógica natural da plataforma, o orçamento diário que não havia sido entregue ao longo do período de queda foi entregue de forma acelerada durante as horas restantes do dia.

A Publya também possui uma ferramenta de Dashboard que é atualizada em tempo real e recolhe as informações de todas plataformas de mídia. Com a instabilidade do Facebook e Instagram, a análise dos resultados dessas campanhas também ficou temporariamente comprometida.

Ainda é cedo para estimar os impactos nos resultados das campanhas. A Publya está avaliando internamente para identificar e aplicar otimizações que ajudem a minimizar esses impactos. 

A comunicação entre as equipes comerciais e de atendimento com os clientes também foi afetada nesse dia 4 de outubro, visto que o WhatsApp é uma ferramenta que está presente no dia a dia de todas as pessoas. Tivemos que recorrer a ligações e emails para viabilizar esses contatos.

Já a comunicação interna, entre os colaboradores da Publya, não foi muito comprometida por ser realizada prioritariamente pela ferramenta de mensagens Slack, pelo sistema HubSpot, por serviços em nuvem do Google Workspace, além do email. Assim não tivemos alterações significativas em nosso fluxo de trabalho.”

Marcelo Martha, VP Comercial da Publya

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REGIONAL FM

A parada de operação das redes sociais na nossa empresa prejudicou bastante a interatividade entre a emissora e os ouvintes. Há muito tempo temos investido nas redes sociais como uma ferramenta que interage com o ouvinte. Muitas emissoras pelo Brasil tem um certo “receio” de que as redes sociais possam ser maiores do que a própria emissora. Nós, da Regional FM não temos esse receio, e sempre investimos no Facebook, Instagram, Twitter, YouTube e WhatsApp. 

Fomos uma das primeiras emissoras a investir nesses aplicativos e oferecer para o ouvinte uma opção de se comunicar conosco. Todas as nossas promoções são feitas pelo WhatsApp e temos dois números: O de Recados (48) 9 9177-2494, e de Promoções (48) 9 9182-2320.
Ontem, quando os aplicativos deixaram de operar, todas as promoções também paralisaram. É muito ruim voltar ao velho e bom telefone em programas que tínhamos a opção de receber a mensagem de texto ou um vídeo...

Usamos sempre as redes sociais para transmitir as lives da promoção “Troca Troca”, e ontem não foi possível fazer, pois há essa necessidade de mostrar a abertura das caixas. 

Em primeiro lugar, o que mais nos prejudicou foi a diminuição da interação entre emissora e ouvinte. Em segundo lugar, o próprio atendimento comercial é feito sempre por WhatsApp e não tivemos acesso, foi substituído pelo e-mail que hoje é “envelhecido”.

Portanto, a existência dessas redes sociais faz a diferença em qualquer empresa, ainda mais a nossa, sendo na área da comunicação.

Tenho um programa chamado “Defesa do Cidadão”, que passa de segunda à sexta, às 7 da manhã. Esse programa é todo produzido pelo ouvinte, onde ele manda fotos da própria rua, manda vídeo, grava ou escreve um pequeno texto sobre a denúncia. É assim que produzimos todos os dias esse programa, tudo via WhatsApp.

Isso também se transformou muito na comunicação, pois, o ouvinte virou um repórter da Rádio Regional. São todos casos reais, acontecidos nos bairros, nas ruas e em todas as cidades de abrangência da rádio.

Também em casos pontuais, como: acidentes em rodovias, incêndios ou filas, os ouvintes sempre mandam vídeos, fotos e áudios em modo mais rápido pelo WhatsApp.
Eu digo que hoje, viver sem um aplicativo de conversa complica muito o dia a dia das empresas, dos negócios e das pessoas.

Luiz Carlos Goedert, fundador da Rádio Regional FM

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TVBV

A instabilidade ocorrida no WhatsApp, Instagram e Facebook, registrada nesta segunda-feira, não gerou prejuízos para o Jornalismo da Tv Barriga Verde. 

É indiscutível que tais ferramentas são  extremamente relevantes e que facilitam e muito nas demandas rotineiras do nosso trabalho. Mas, ontem, assim que percebemos a instabilidade agimos rapidamente e recorremos aos meios mais tradicionais (ligação, SMS, e-mails), resolvendo o problema nos bastidores e também externamente com as fontes, concentrando a comunicação em outros meios e aplicativos. 

No caso de um novo apagão, os Coordenadores de Jornalismo da TVBV, Leo Pereira e Leda Limas sugerem manter essas outras plataformas de comunicação ativas, para que possam ser utilizadas quando necessário. 

Lembrando sempre de que as mídias sociais vieram para agregar valor e não para nos limitar.

Precisamos nos lembrar de que o nosso papel como TV e rádio, propagadores de informação, foi mais uma vez engrandecido, visto que, foi através do nosso serviço que a população tomou conhecimento do apagão e do andamento para resolução.

Adilson da Silva, superintendente do Grupo Barriga Verde

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UNIMED

O apagão não gerou prejuízos à Unimed Grande Florianópolis. O que aconteceu foi o remanejamento de postagens para outros horários e a intensificação dos canais oficiais de atendimento ao cliente. Contamos também com canais de atendimento no telegram, ferramenta de chat e outros canais para contato.

Nossas ações emergenciais foram canalizadas para outras redes sociais da cooperativa, como Linkedin e Twitter, visto que o relacionamento com as redes socais Facebook e Instagram estava comprometido. 

Pela comunicação interna, a situação que impactou o mundo inteiro não gerou problemas, pois a cooperativa organizou-se via e-mail e ferramenta de chat corporativa. A comunicação externa prosseguiu da mesma forma pelos canais oficiais 0800 e chat online via site. 
 
Para situações como essas é importante envolver todos os times de comunicação com o cliente (como ouvidoria, relacionamento, marketing) e fortalecer nos canais oficiais operantes do momento as formas de contato com a empresa. Esses canais podem ser encontrados em chatbots, aplicativos, portais de relacionamento com o cliente, chat online.

Richard Oliveira, CEO da Unimed Grande Florianópolis

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VOCALI

Na Vocali temos processos bem organizados e não sofremos muito com a queda das redes sociais no dia 4 de outubro. Segunda-feira já é o dia da nossa reunião gerencial, então alinhamos o que foi preciso por videochamada mesmo. Além disso, costumamos usar o hangouts do Google para conversas mais rápidas com os colaboradores, e sempre e-mail com os clientes, de forma que não tivemos prejuízos na nossa comunicação nem interna, nem externa. A única questão mais crítica foi sobre o agendamento de posts dos clientes para os quais gerenciamos redes sociais - quando tudo voltou ao "normal", conferimos o que tinha entrado ou não para reagendar e reorganizar os cronogramas de postagens.
Lembrando que não é estratégico deixar todo o conteúdo dependente apenas de redes sociais.

Rachel Sardinha, diretora de Marketing da Vocali Comunicação
 

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