Influenciadora denuncia rede social por racismo algorítmico

26 de Outubro de 2020

Após publicar fotos de pessoas brancas, produtora de conteúdo teve aumento em seu alcance de 6000%

A produtora de conteúdo Sá Ollebar, mulher negra, denunciou o aumento de seu alcance em 6000% após publicar fotos de pessoas brancas em seu perfil no Instagram.

“Antes eu pensava que meus posts não apareciam porque eu não tinha a casa perfeita, a floresta perfeita e não morava na praia”, desabafou a criadora de conteúdo em sua rede social. “Hoje eu moro na praia, construí́ uma casa de quase 400m2, tenho mais de 600 plantas e adivinha? Não adianta!”. (Assista ao desabafo completo aqui)

A situação se encaixa no termo “racismo algorítmico”. Uma pesquisa promovida pela Black Inlfuence com 760 criadores de conteúdo mostrou influenciadores brancos recebiam em média 51,1% a mais do que negros. O alcance das publicações é um dos fatores levados em conta quando a marca procura um influenciador.

Tarcizio Silva, autor da obra “Comunidades, Algoritmos e Ativismos Digitais: olhares afrodiaspóricos”, levanta casos que demonstram os impactos da desigualdade racial nas plataformas digitais. Os exemplos vão de aplicativos de beleza que embranquecem as fotos dos usuários, a buscas no Google pelo termo “mulher negra dando aula” que resultam em pornografia. No caso do Instagram, a plataforma utiliza do aprendizado de máquina para compreender as preferências do usuário e entregar conteúdo.

“Este desenho de relações reproduz e intensifica o pior dos meios de comunicação de massa, mas com um verniz de rede social e opacidade algorítmica”, explica Tarcizio Silva, em entrevista ao Portal R7.

Para quem desconhece o termo “racismo algorítmico”, o desabafo da influenciadora pode parecer exagerado, mas é só a realidade enfrentada por pessoas que vivem ainda à margem de uma sociedade que tem muito ainda a aprender e praticar quando o assunto é racismo.

 

Notícias Relacionadas