Florianópolis participa do XII Encontro Anual das Cidades Criativas da UNESCO

29 de Junho de 2018

A partir da criação dos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável, a UNESCO começou a desenvolver uma série de ações globais e locais. No âmbito local, a principal ação foi a criação, em 2004 da Rede de Cidades Criativas, com o objetivo de tornar a cultura e a criatividade forças definitivas para melhorar ambientes urbanos, fazendo com que as cidades respondam melhor a desafios como crises econômicas, impactos ambientais, crescimento demográfico e tensões sociais.

 

Campos Criativos

Hoje a Rede de Cidades Criativas da UNESCO conta com 180 membros de 72 países, cobrindo 7 campos criativos: Artesanato, Design, Cinema, Gastronomia, Literatura, Música, e Arte & Mídia. Desde 2014 essa rede conta com a presença de Florianópolis, Cidade Criativa UNESCO no campo da Gastronomia, junto com outras 25 cidades que procuram promover o desenvolvimento econômico sustentável por meio da inovação e da criatividade, utilizando a gastronomia como fio condutor.

 

Certificação

Quando um município recebe a chancela de Cidade Criativa UNESCO, além de um plano de ações que é avaliado anualmente, também há um compromisso obrigatório que deve ser cumprido: a participação em um encontro anual que, em cada ano, acontece em uma das cidades da rede. Em 2018 esse encontro aconteceu entre 12 e 15 de junho em Krakowice, ou seja, no centro urbano formado pelas cidades de Kraków (Cracóvia) e Katowice, na Polônia, cidades criativas nos campos da literatura e da música, respectivamente.

 

O programa deste ano


O AcontecendoAqui conversou com Marcus Rocha, Superintendente de Ciência, Tecnologia e Inovação da Prefeitura de Florianópolis, que participou na Cracóvia e na Polônia durante quatro dias de trabalho intenso, com agenda iniciando às 9 horas de manhã e só encerrando por volta de 9 ou 10 horas da noite, para trazer aos seus leitores o que aconteceu nesse encontro e os resultados práticos para Florianópolis.

Acompanhe o relato de Marcus Rocha:

“Com essa programação conseguimos resultados interessantes, com orientações claras para o trabalho das cidades criativas UNESCO. No caso do campo criativo da gastronomia, ficou muito clara a orientação para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da UNESCO, pois foram definidos três eixos estratégicos que serão trabalhados nos próximos 2 anos:

  1. O envolvimento da cidade em torno do programa
  2. A redução do desperdício e da geração de resíduos oriundos das atividades da cadeia produtiva da gastronomia
  3. Promover alimentação com saúde

Essas diretrizes foram elaboradas com a participação ativa dos representantes do Brasil – Florianópolis, Belém e Paraty –, juntamente com representantes de Alba, Bergen, Gaziantep, Macao, Östersund, Parma, Phuket, Tucson e Zahlé. Mesmo estando em países com realidades muito diferentes, foram percebidos esses desafios e preocupações comuns entre todas essas cidades, demonstrando o potencial desse programa da UNESCO em efetivamente ajudar a promover o desenvolvimento sustentável, desde que haja a convergência de atores globais (como neste caso) e locais.

(da esq. para a dir.) Prefeito de Paraty, Casé Gama, Prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho,
Superintendente de Ciência, Tecnologia e Inovação de Florianópolis, Marcus Rocha)

Por estar ocupando a posição de Superintendente Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação de Florianópolis, estou responsável pela Política de Inovação da cidade, e busco dar apoio a iniciativas do ramo da economia criativa, como esta. Tal trabalho é desenvolvido com forte parceria com a Superintendência Municipal de Turismo, considerando que a gastronomia criativa une as duas áreas (inovação e turismo). Assim, procuramos hoje dar uma atenção a este programa, principalmente considerando que a cadeia produtiva da gastronomia local – principalmente os restaurantes – sofreram bastante com a crise econômica pela qual o nosso país passou pelos últimos anos.

 

Assim, nada mais importante do que trazer a Inovação para o setor gastronômico, principalmente porque Florianópolis já é reconhecida nacionalmente como um centro de inovação tecnológica. Com isso, nosso primeiro desafio é trazer as boas lições e resultados conquistados pelo setor tecnológico local para a área da Gastronomia, considerando toda a sua cadeia produtiva e também áreas afins como o artesanato, a cultura, o design, etc. É um trabalho árduo, dada a complexidade dos setores envolvidos e também a mudança de mentalidade necessária para buscar a inovação em cardápios, ingredientes, processos, utensílios, comunicação, entre outros.

 

Neste momento estamos envolvendo o Programa Florianópolis Cidade Criativa UNESCO no âmbito do Arranjo Promotor de Inovação (API) de Turismo, Economia Criativa e Entretenimento, mecanismo previsto na Lei Municipal de Inovação para dinamizar setores econômicos chave da cidade. Para tanto, a união e a participação ativa dos atores da cadeia produtiva da Gastronomia – principalmente os empresários – é fundamental, pois é a partir do trabalho do API que irão surgir projetos inovadores, que poderão posteriormente pleitear recursos dos mecanismos municipais de fomento à inovação: o Fundo Municipal de Inovação (para projetos mais estratégicos) ou o Programa de Incentivo Fiscal à Inovação (para criar startups que proponham a criação ou o aprimoramento de um produto, serviço ou sistema inovador relacionado direta ou indiretamente à gastronomia).

 

Assim, aproveito este espaço para convidar os atores do setor gastronômico da cidade a participarem do API de Turismo, Economia Criativa e Entretenimento, e do Programa Florianópolis Cidade Criativa UNESCO da Gastronomia. Para mais informações, visite http://www.floripacreativecity.com e http://spii.pmf.sc.gov.br/?p=api&cod=tur , entre em contato e participe“.