Entidades se unem e pedem para que Google, Amazon e Microsoft não vendam ao governo dos EUA tecnologia de reconhecimento facial

18 de Janeiro de 2019

O receio é que o reconhecimento facial fira direitos humanos e liberdades civis

Com receio de que o reconhecimento facial fira direitos humanos e liberdades civis, 85 grupos de ativistas enviaram cartas para Amazon, Google e Microsoft pressionando as empresas para que não vendam suas tecnologias para o governo americano.

A carta foi enviada no dia 15 de janeiro, e é assinada por grupos como a União Americana pelas Liberdades Civis, o Sindicato Nacional dos Advogados e a Fundação da Liberdade de Imprensa. Eles alertam que a venda da tecnologia para o governo ameaça a segurança de toda a sociedade e prejudica a segurança pública.

Além disso, Jeff Bezos, CEO da Amazon, está sendo pressionado por acionistas que detém mais de U$ 1 bilhão em ações da empresa para que sua ferramenta, o Rekognition, não seja vendido para agências governamentais e que haja uma investigação nas negociações. Os investidores pedem também para que especialistas em direitos humanos e civis sejam consultados e analisem o projeto, dando um parecer sobre a possibilidade do programa ameaçar a liberdade das pessoas.

De acordo com o B9, o Google pelo menos parece estar prestando atenção nas críticas. Em dezembro, a empresa se comprometeu a não comercializar sua tecnologia antes de compreender plenamente os riscos que ela pode trazer. No mesmo mês, Brad Smith, presidente da Microsoft, admitiu estar ciente dos riscos associados à tecnologia de reconhecimento facial e pediu para que o governo tomasse medidas que regulamentem o uso do sistema.

Problemas com a tecnologia

A União Americana pelas Liberdades Civis está especialmente preocupada com o uso da tecnologia. O Rekognition, por exemplo, foi utilizado em 2018 para um teste e combinou equivocadamente 28 membros do congresso com imagens de um banco de dados de presidiários.

Ainda no teste, pessoas de cor foram desproporcionalmente identificados de forma incorreta, indicando que o sistema pode estar viciado. Dos 28 indivíduos reconhecidos por engano, 11 eram pessoas de cor (cerca de 39%), incluindo o deputado John Lewis, um dos líderes do grupo que milita pelos direitos civis. Apenas 20% do congresso é composto por pessoas de cor, o que indica que elas são proporcionalmente mais afetadas pelo sistema de reconhecimento.