“É mais que abrir a porta, é buscar que a porta seja do mesmo tamanho para brancos e negros”

25 de Novembro de 2020

Afirmação foi feita pela psicóloga Alessandra Carrascoza durante o Peopletech Summit

 

Profissional participou de um painel no Peopletech Summit 2020, realizado pela Vertical Peopletech da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) no mês de novembro. Evento abordou temas importantes que dividem opiniões e fazem parte do dia a dia dos profissionais de Recursos Humanos. 

Painel
Vagas Afirmativas para Pessoas Negras foi o tema de um painel com a participação de Alessandra Carrascoza, psicóloga e Especialista  I&D; Camila Bonetti, líder de Sucesso do Cliente na Feedz; Vitor Martins, da Resultados Digitais; e mediação de Hóttmar Loch, CEO e co-founder da Nohs Somos.

O debate abordou casos recentes, como as vagas exclusivas para negros nos programas de trainee das empresas Bayer, Ambev e Magazine Luiza. “Quando essas empresas tomam essa decisão, nada mais estão fazendo do que materializar pautas que já eram do desejo da comunidade negra do Brasil, tornando visível para outras empresas que isso de fato não é algo errado, [...] é uma urgência de mercado que as empresas precisam se adequar todas as vezes que elas falam de diversidade e inclusão”, explicou Vitor Martins.

Alessandra Carrascoza afirmou que as minorias não vão chegar em grandes empresas num processo natural porque as pessoas que estão em lugares de decisão ou no poder não são da mesma bolha e do mesmo segmento. Por conta disso, considera importante criar ações afirmativas para que se mude o ecossistema e minorias possam chegar nas vagas e processos seletivos.

“Essa foi a realidade que a gente viveu na Feedz, em que não tínhamos candidatos negros, então como íamos contratar uma pessoa se a gente não tinha nem o candidato. A vaga afirmativa foi o jeito de furar essa bolha”, exemplificou Camila Bonetti. A Líder de Sucesso do Cliente ainda ressaltou que é preciso tirar a vaga e a empresa do centro do problema, já que a situação é maior, envolvendo a realidade do local onde a empresa está inserida.

Na conversa, também foi abordado sobre os vários comentários negativos que a divulgação das vagas afirmativas da Feedz e de outras empresas receberam nas redes sociais. Para Vitor Martins, as ações afirmativas para negros incomodam porque a sociedade não entende ou aceita a política de cotas, já que se pensa que todos somos iguais. Vitor acredita que todas as vezes que forem feitas tentativas de vagas afirmativas haverá um confronto. “Há um país que acredita que há racismo, mas que não se reconhece nesse lugar como daquele que opera o racismo”, ressaltou o colaborador da Resultados Digitais.

Para além das vagas, Hóttmar Loch ressaltou que é necessário analisar e entender onde as pessoas negras atuam na empresa. “A gente tem que entender que quando falamos de minoria, não significa uma menor parcela da população. Hoje, mais da metade da população é negra, preta ou parda, e nisso vem a própria injustiça racial”, lembrou o CEO da Nohs Somos, startup que auxilia empresas na gestão inclusiva.

A psicóloga e especialista I&D trouxe para o debate que, além de abrir vagas afirmativas, é preciso analisar como essas pessoas se desenvolvem na empresa, porque não existe ambiente inclusivo se ações como essa não se sustentarem. “É mais que abrir a porta, é buscar que a porta seja do mesmo tamanho para brancos e negros, é o que eu faço quando as pessoas já estão lá dentro, porque pode ser tão cruel quanto”, disse Alessandra Carrascoza.

O Peopletech Summit 2020 aconteceu de forma online nos dias 10 à 12 de novembro, com patrocínio da Ahgora, DOT digital group, Progic e Pulses e apoio da Associação Brasileira de Recursos Humanos (SC) e Liga Ventures. A Vertical Peopletech da ACATE, que organizou o evento, é composta por mais de 10 empresas de base tecnológica que atuam no desenvolvimento e comercialização de soluções para gestão de pessoas. O grupo atua em rede a chave para o desenvolvimento mútuo e fortalecimento do setor de tecnologia para gestão de talentos.