Coluna Economia | As tendências para o futuro dos pagamentos digitais

25 de Julho de 2021

por Eduardo Erlo

 

Já faz algum tempo que paramos de utilizar dinheiro de papel em todos os nossos pagamentos. Cartões de crédito e débito, bem como compras online, retiraram a necessidade de andarmos sempre com dinheiro físico na carteira, nos preocupando com troco, quantidade e falsificações de moedas e cheques.

Na medida em que isso se torna parte da rotina diária, novas soluções surgem para facilitar ainda mais nossa vida, o que nos proporciona mais liberdade e praticidade. Fintechs e Startups, por exemplo, lançam aplicativos de pagamento rápido que muito se assemelham a redes sociais. Dessa forma, o processo de pagamentos fica mais ágil e tranquilo.

Em 2020, o Banco Central Brasileiro lançou o Pix, um sistema de pagamentos rápido, 24 horas por dia, 7 dias por semana, que funciona através de chaves fáceis de memorizar. Empresas brasileiras e norte-americanas estão encontrando maneiras de trazer o mundo das criptomoedas para o dia-a-dia das pessoas, firmando parcerias com bandeiras de cartões de crédito e aplicativos, onde você tem a sensação de estar gastando criptomoedas para comprar coisas comuns, como supermercado e padaria. O grande, e quase invisível problema com tudo isso, é que todas essas soluções nos dão muito mais facilidade, o que não significa mais liberdade, isso também não diminui o controle que os governos e instituições têm sobre nossos gastos e movimentações.

O Banco Central do Brasil já anunciou publicamente suas intenções de começar a cobrar pelo Pix, na medida em que a população torna a ferramenta, até então grátis, comum em suas vidas. Além disso, as chaves Pix muitas vezes são associadas aos seus dados pessoais, como CPF ou Telefone, deixando muito fácil de rastrear e cobrar taxas e impostos sobre os mesmos.
Aplicativos de pagamentos tornam seus gastos e recebimentos cada vez mais fáceis, ao mesmo tempo que os tornam cada vez mais públicos e controlados. Ao coletar mais informação sobre suas contas, poder financeiro e padrão de consumo, estão livres para utilizarem suas informações pessoais para os fins comerciais que desejarem. E tudo isso com a sua permissão, que foi dada no momento do aceite dos termos de uso da ferramenta, o qual você provavelmente não leu com atenção ao aceitar.

Aplicativos que prometem oferecer formas fáceis de gastar suas criptomoedas, na verdade fazem uma conversão em tempo real de seus ativos criptográficos para moedas fiduciárias, seguindo então o mesmo fluxo de outros pagamentos que utilizam nosso sistema bancário tradicional.

 

Uma perspectiva diferente

Na contra-mão dos novos-velhos apps financeiros, que dão uma interface atraente para velhos e controladores sistemas bancários, encontramos algumas empresas e organizações preocupadas com o real valor da privacidade e liberdade financeira.

A Status, uma empresa internacional que desenvolve ferramentas baseadas em criptomoedas e descentralização para garantir os direitos humanos individuais, possui um produto chamado Keycard. Trata-se de carteira de “armazenamento frio” de criptomoedas, que permite que você guarde a chave privada que dá acesso à sua carteira de forma segura e à prova de hackers.

A Status revela que possui planos ambiciosos para o Keycard, entre eles, criar uma rede de terminais de pagamento onde as pessoas possam utilizar suas criptomoedas para fazer compras do dia-a-dia, sem depender de bandeiras de cartão tradicionais que convertem seus ativos digitais para moedas fiduciárias no momento da compra. Isso faz com que se crie um novo conceito de comunidades cripto-ativas, que funcionam independentemente de regulações governamentais, sistemas bancários defasados e controles de dados pessoais.
"A Status é 100% criptomoedas, portanto, o comerciante (uma loja) pedirá um pagamento em DAI, USDT ou outra criptomoeda e o usuário pagará com Keycard. O comerciante não utilizará o ponto de venda tradicional fornecido por seu banco, mas o app Status fará o papel de ponto de venda ”. A explicação é de Guy-Louis Grau, Gerente de Produto da Status.

A Status ainda não divulgou um cronograma específico para tal produto, mas exemplos como estes nos ajudam a entender tendências de para onde nossa rotina de gastos financeiros está indo.

As próximas gerações, provavelmente, terão isso implícito nas suas vidas, da mesma forma que temos o cartão de crédito hoje. A diferença é que, se tiverem sorte, empresas que realmente se preocupam com sua privacidade e liberdade farão com que suas vidas sejam realmente mais independentes e menos controladas.

 


Eduardo Erlo
é Gerente de Marketing da América Latina na Status.im, empresa cujo objetivo é garantir os direitos individuais através da descentralização, web3 e criptomoedas. Graduado em Ciência da Computação pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), exerce funções há mais de 10 anos na área de tecnologia, passando por cargos em empresas do Brasil, Europa e Estados Unidos. Especialista em privacidade e criptomoedas, estuda e atua com tecnologias relacionadas à blockchain há pelo menos três anos. Através da internet, a partir de Florianópolis, onde reside, trabalha conectando profissionais de diferentes setores para garantir a evolução do conhecimento tecnológico para um número cada vez maior de pessoas.

Imagem de uma pessoa segurando um celular próximo à um aparelho branco.

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