ARTIGO | Não precisamos ter medo do Blockchain

16 de Julho de 2021

por Patrick O'Neill

 
Blockchain é um daqueles termos modernos que parecem despertar o medo em pessoas de certa idade. Como criptomoedas, armazenamento em nuvem e qualquer coisa com o prefixo cyber-, muitas vezes pode parecer um pouco assustador só de pensar. Mas para os profissionais de marketing e comunicação - mesmo que não tenhamos desejo de trocar nossas contas por bitcoin - simplesmente compreender e abraçar a ideia de blockchain pode transformar nossas perspectivas de negócios.

Em 2017, quando minha agência de comunicação passou a ser contatada com mais regularidade por empresas ligadas à criptomoeda ávidas por explorar o mercado latino-americano, nos sentimos obrigados a mergulhar no ecossistema para termos uma melhor compreensão do que estava acontecendo. Isso logo se tornou um mergulho profundo e desde então expandimos nosso conhecimento consideravelmente. Firmamos parcerias com mais de 20 clientes da área de Fintech, fomos reconhecidos com um prêmio por nosso trabalho na Venezuela e na Colômbia e, no ano passado, nos tornamos a primeira agência de relações públicas na América Latina que aceita bitcoin como pagamento.

Menciono isso porque, quando se trata de tecnologia de criptografia e blockchain, é essencial confiar nas pessoas com quem você está lidando. Aconselho qualquer agência de comunicação ou marketing a conduzir sua própria auditoria de empresas e questionar a fonte de todas as informações fornecidas. Declinamos mais do que nosso quinhão justo de clientes em potencial após realizar tal diligência. Ao pesquisar uma empresa que havia entrado em contato conosco, descobrimos que o governo das Filipinas a considerava corrupta; outra foi considerada suspeita pelas autoridades sul-africanas; outra parecia ser um possível esquema Ponzi. 

Essa negligência se manifestou com desconfiança na mídia latino-americana, onde o blockchain está crescendo rapidamente, mas continua sendo um conceito relativamente novo. Muitos meios de comunicação têm medo de cobrir tais histórias e na Colômbia, por exemplo, por muito tempo a imprensa considerou que todas as coisas criptográficas estavam relacionadas a cartéis de drogas e simplesmente se recusou a cobri-lo. Mas se há algo indiscutível na América Latina é que a região não é homogênea. Como agência, é essencial que você entenda cada país individualmente: suas leis e regulamentos, suas percepções sobre fintech, suas práticas financeiras comuns, seus objetivos gerais e suas atitudes em relação ao risco e muito mais.

Fizemos uma pesquisa em 21 países da América Latina  exatamente sobre isso e publicamos os resultados em um e-book gratuito intitulado “Ecossistema, Adoção e Regulamentação de Criptomoedas e Blockchain na América Latina”. Previsivelmente, a incerteza e a falta de confiança foram citadas como os principais obstáculos por trás da relutância em investir em criptomoedas. No entanto, também ofereceu algumas conclusões interessantes, como a descoberta de que colombianos - assim como argentinos, brasileiros e mexicanos - têm um interesse genuíno em investir em criptomoedas como resultado da crise econômica desencadeada pela Covid-19. Essa percepção nos permitiu aproximar a mídia colombiana, que abraçou as notícias e passou a educar seus leitores, ajudando a mudar a percepção no país de que toda criptografia é corrupta.

O relatório, com prefácio de especialistas independentes, demonstra grande interesse pela América Latina, uma região com uma população de aproximadamente 650 milhões de pessoas. O mercado claramente só vai crescer, então,  caso você queira promover seu negócio na América Latina, pode ter certeza de que existem oportunidades para aqueles que estão preparados para fazer seu dever de casa. Seja inteligente,  pesquise cada mercado individualmente,  e você também poderá aproveitar algumas das oportunidades.

Luiz Hadad, um dos principais consultores de blockchain da LATAM, me aconselhou uma vez que você nunca deve ter medo de pedir ajuda. Afinal, todos nós começamos em algum lugar e eu certamente tive muitas perguntas nos primeiros dias. As empresas que buscam entrar na região fariam bem em procurar consultores experientes que entendam o mercado e possam se comunicar em português, espanhol e inglês.

O blockchain, embora indubitavelmente assustador, não precisa ser tão assustador para você ficar longe. Quando desenvolvido de forma responsável e correta, o criptoecossistema tem o potencial de se tornar uma tecnologia fundamental para nos proporcionar liberdade financeira, bem como melhorar o bem-estar e a regeneração de nossa sociedade. E isso é algo de que todos devemos querer fazer parte.

*Patrick O'Neill, Sócio-gerente da Sherlock Communications, nomeado Melhor Profissional de RP da América Latina 2020 pelo PR Week Awards 
 

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