Última publicação da Série "Cenários para 2021" | João Paulo Coelho, EZCUZÊ

16 de Janeiro de 2021

Difícil, diferente e transformador.

 

Por mais que 2020 tenha sido bom para alguns negócios e pessoas, esses adjetivos certamente foram comuns a todos. O ano mais desafiador dos tempos atuais provocou um desencaixe geral nos padrões econômicos e sociais que tínhamos até então. 

As restrições impostas pela pandemia e os novos padrões de vida acabaram quebrando uma cadeia consolidada há anos e desregulando uma balança difícil de equilibrar onde as empresas lutavam por margens cada vez menores. Foi aí que alguns ganharam muito e outros perderam quase tudo.

Os reflexos que isso traz para 2021 provocam impactos significativos na indústria da comunicação. E entendo que existem dois pilares principais que vão requerer atenção e ditar como marcas se comunicarão daqui pra frente:

O primeiro deles é a Tecnologia.
A pandemia acelerou a digitalização em seis anos, segundo dados da McKinsey. O que em empresas e órgãos públicos seria um processo moroso de digitalização levando anos para se consolidar acabou acontecendo em dias. A mudança de cultura quebrou o preconceito com o digital e mesmo os consumidores mais resistentes se renderam às facilidades do meio.

Mas nada disso é novidade, a interpretação desse fenômeno é que é importante. O digital deixou de ser um canal de comunicação e definitivamente se consolidou como canal de venda. Além do e-commerce, a disseminação dos meios de pagamento digitais com o surgimento dos open bankings e a rápida assimilação do pix pela população brasileira também é um acontecimento marcante e que vai influenciar na comunicação em 2021.

O digital passou também a se consolidar como meio de prestação de serviço. A medicina se rendeu ao atendimento remoto, a educação se obrigou a compreendê-lo definitivamente como meio, e diversos outros segmentos passaram a enxergar o digital como um canal que não conheciam antes. 

As lives não se sustentaram e morreram sozinhas. Enquanto que Youtube e Netflix ganharam bons concorrentes nos serviços de streaming com a consolidação da Amazon e a entrada da Disney. Emissoras e produtores de conteúdo de todo o mundo estão enxergando no streaming uma alternativa para seus negócios. 

Esse novo cenário tecnológico é que irá guiar as tendências em comunicação para 2021. A presença digital passou a ser muito mais relevante, importante e complexa do que marcas e agências vinham imaginando antes. Tem muito mais a se fazer do que manter um site institucional no ar e publicar alguns posts semanais em redes sociais.

 

O outro pilar é o Comportamento.
As pessoas passaram a ver outras necessidades em suas vidas, mudaram suas prioridades de consumo, e perceberam que alguns padrões rígidos que se vivia anteriormente, como a própria jornada e o local de trabalho, podem ganhar ares mais flexíveis. Ao mesmo tempo em que o trabalho remoto se mostra eficaz, a ausência de contato físico, em especial para equipes que trabalham de forma coletiva, é uma barreira que encontra em modelos “híbridos” uma boa saída. E com isso vem também a necessidade do equilíbrio entre liberdade e responsabilidade.

As mudanças atreladas ao comportamento são certamente as mais complexas e serão entendidas apenas com o passar do tempo. Se pegarmos como exemplo essa relação do trabalho, o impacto provocado interfere em diversos outros campos, seja no trânsito, na necessidade de se ter um carro, no tempo que se perde em deslocamentos, no tempo que sobra para outras atividades, na necessidade de um ambiente de trabalho mais compacto para as empresas, no espaço adequado para se trabalhar em casa, no armazenamento dos arquivos em nuvem, ou mesmo no comércio local que sobrevivia do fluxo de pessoas no seu entorno.

Cada segmento da economia sentirá seus impactos de um jeito, e o comportamento das pessoas com seus novos hábitos de vida é quem irá ditar essas novas tendências. A segurança sanitária passa a ser uma variável importante na decisão de consumo, e mesmo setores como o turismo e o entretenimento, que esperam por um boom em suas áreas, também precisam saber que o fator segurança ainda irá guiar boa parte do comportamento e das restrições de consumo.

A pandemia nos fez olhar as coisa de um jeito diferente. Opções mais flexíveis foram aceitas mais facilmente do que em outros tempos.

Agora é preciso escolher o que fica.

 

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