MEMÓRIA | Para onde aponta Cannes e o futuro da Comunicação?

09 de Outubro de 2017

Esta matéria foi escrita pelo jornalista Ulysses Cruz e publicada no house organ da Fórmula Comunicação no dia 7 de outubro de 2014
 

O Grupo Fórmula, de Santa Catarina, criou recentemente o "Somos todos informação", canal voltado exclusivamente para seus clientes e colaboradores, no qual publica matérias, artigos, reportagens e entrevistas de interesse e relevância para as marcas com as quais mantém relacionamento cliente/agência. Na edição desta semana está publicada uma matéria realizada com o editor do portal AcontecendoAqui, Jailson de Sá, pelo jornalista Ulysses Dutra, profissional responsável pela área de imprensa do Grupo Fórmula. Acompanhe:

 

Para onde aponta Cannes e o futuro da Comunicação?

"Conversamos com Jailson de Sá, editor de um dos maiores veículos de comunicação e marketing de Santa Catarina, o portal Acontecendo Aqui, para responder esta e outras questões. Publicitário por formação e como ele mesmo conta “por dedicação”, Jailson atua na área desde os 17 anos. Iniciou a carreira em Porto Alegre, na Standart Propaganda. De lá, iniciou uma trajetória que o levou até São Paulo. Na cidade passou por diversas agências e brevemente pelo Jornal dos Sports, até que em 1974 entrou no Banco Real, construindo uma carreira de 22 anos, que o fez passar por diversos cargos e setores até ser promovido a diretor da house agency, onde permaneceu até 1997. Nesse ano montou uma agência de marketing cultural, baseada em São Paulo até 2001, quando mudou-se para Florianópolis trazendo a empresa. Em 2003 dedicou-se ao jornalismo com o lançamento do Acontecendo Aqui. No início a pretensão era de fazer algo pequeno, mais como uma “ação entre amigos”, já que seu negócio principal era a agência de marketing cultural. Só que o sucesso foi tão grande, que logo o motivou a lançar também o Clube de Propaganda e Marketing, em 2004, que realizou cerca de 60 eventos em 6 anos,. O Clube recebia mensalmente profissionais de São Paulo, locais e de outros Estados, que realizavam palestras para o mercado de propaganda e marketing catarinense. No último mês de junho, levou o Acontecendo Aqui para cobrir o mais importante prêmio da publicidade mundial, o Cannes Lions, ou Festival de Publicidade de Cannes, realizado na famosa cidade da Riviera Francesa. Trouxe com ele a bagagem recheada de informações sobre os rumos da comunicação, publicidade, inovações e criatividade. Batemos um papo com Jailson sobre esse olhar catarinense em Cannes e outros tópicos relevantes do mercado e seus caminhos. Seguem alguns dos melhores momentos.

 

Cannes Lions 2014

“O que a gente percebe quando se vai em Cannes é que está havendo uma busca por inovação e pelo posicionamento através da invenção de coisas úteis à sociedade. Todo mundo está preocupado em fazer algo que melhore a vida das pessoas e não apenas em fazer uma propaganda “vendedora”, hard sell ou a publicidade pura e simplesmente”. “Foram 37 mil trabalhos inscritos, de 97 países, em 17 categorias, que levam o que há de melhor em cada país para ser apreciado por júris da maior competência. O que se percebe desse volume todo que foi exposto lá, é que não se faz mais propaganda como a gente aprendeu com o Kotler, as marcas não estão mais se preocupando com os 4 P's apenas. Hoje, é preciso fazer uma comunicação capaz de envolver, de conversar, de provocar, de saber qual é a opinião do consumidor, para acertar o produto”. “Cannes mostrou que é necessário para o criativo que olhe para a tecnologia e que ela venha ajudar a criatividade a fazer o novo, a fazer diferente e atender a expectativa do cliente. As marcas e os anunciantes estão tendo coragem de ousar, coisa que é difícil de se encontrar em mercados menores”. “Em conversas que tive com os criativos do Brasil e alguns presidentes de júri, estrangeiros, ficou claro que não adianta você fazer o mais ou menos, o mais ou menos não vai chamar a atenção, não vai engajar e mesmo que chame a atenção e engaje, não vai vender. Quem vai vender é aquele que ouviu, que compreendeu, que trocou ideia com o consumidor e que levou em consideração as suas queixas, suas ansiedades”. “Vim de lá com a percepção de que se eu fosse hoje um anunciante ou uma agência, eu mudaria completamente a maneira de fazer o negócio pela quantidade de informação que eu tive”.  

 

O criativo regional não existe mais?

“Essa pergunta eu fiz para quase todos os criativos. Entrevistei os vice-presidentes das maiores agências brasileiras, que estavam sempre nos júris nas 17 categorias. Ao término da apresentação pelo presidente do júri, eu grudava no brasileiro que estava lá e fazia a ele um questionamento sobre Grand Prix. Numa das entrevistas, com o Anselmo Ramos, que é vice-presidente da Ogilvy, perguntei quais são as chances que um mercado regional como Santa Catarina tem e ele disse que “esse negócio de ficar pensando pequeno só porque eu sou regional acabou. Não tem criativo regional, ideia é ideia, seja onde estiver”, e aí ele deu alguns exemplos de países pequenos e desconhecidos de todo mundo que estavam ganhando Ouro este ano. Então esse é o negócio, nossos criativos aqui não têm que ter medo de ousar”.  

 

As agências integradas

“Eu acho que já é velho falar de on e off, isso já não existe mais. O que existe é uma comunicação multiplataforma e é assim que tem que se pensar. Todo mundo na agência tem que ser criativo e todo mundo tem que pensar em comunicação integrada”. “Para onde isso vai? Irá depender da genialidade da agência em saber ler pesquisas, saber interpretar os pensamentos de vários públicos e qual é a ferramenta mais adequada e em que plataforma eu vou conseguir obter sucesso, aí é que vai estar a arte de uma agência de propaganda”. “A genialidade está em capacitar as equipes para pensarem em multiplataformas, para pensarem como publicitário e não mais o cara da mídia, do planejamento, etc., claro que vão continuar a existir as funções, mas ninguém mais vai ficar estanque no seu cantinho”. “A agência do futuro, que vai sobreviver, será aquela que fizer a integração do pensamento, da pesquisa, da indústria, das ferramentas de mídia, da arte, da comunicação e da redação publicitária. Quem conseguir orquestrar tudo isso vai sobreviver”.