O que a crise vai mudar nas relações entre anunciantes, agências e parceiros de tecnologia e mídia

09 de Julho de 2020

por Lara Krumholz*

É difícil ter certezas para o futuro nesse momento, porém, podemos perceber que já há algumas tendências que ganham destaque ao longo desse período de isolamento. De cara, já precisamos entender os desafios estratégicos e industriais dos nossos clientes e ficar mais próximos no cenário que eles vão enfrentar. Para adaptar as nossas soluções de maneira rápida e personalizada, criando um link forte de relacionamento. Os clientes, por sua vez, precisam de mais adaptabilidade, flexibilidade e reatividade.

Outra tendência é a digitalização da sociedade, através da comunicação, que será mais rápida do que o previsto. O trabalho remoto foi a única opção para muitas empresas e mostrou que existe oportunidades, como redução de custos e a otimização da produtividade, mas também novos desafios, a exemplo de colaboração, criatividade ligada às idéias geradas de maneira coletiva etc. Diante do que estamos vivendo, possivelmente, teremos menos encontros físicos com clientes, menos viagens, dentre outros. Outro ponto que chama a atenção é a redução de alguns cargos. Anunciantes, agências e publishers irão focar em pessoas que trazem alto valor agregado, deixando de lado funções de suporte e de coordenação.

O mundo está mudando repentinamente e, é verdade, temos que dar um passo atrás algumas vezes para olhar a situação de longe e não tomar decisões precipitadas. Mas, ao mesmo tempo, precisamos estar prontos para agir com a mesma velocidade que as transformações na sociedade exigem. É hora de repensar a nossa maneira de trabalhar e gerenciar, nos adaptando, desaprendendo e reaprendendo cada vez mais.

A boa notícia é que marcas vão precisar mais do que nunca ser bem acompanhadas para entender essa evolução de mercado, as mudanças no consumo, nas pessoas e também nas suas necessidades. O futuro dessas companhias dependerá da sua capacidade de adaptação, num mundo ainda mais digitalizado e em constante evolução. A relação de confiança pode ser reforçada - ou se quebrar - a depender de como gerencia as dificuldades imediatas provocados pela crise.

Esse novo paradigma reflete sobre a necessidade de entender quais são os novos desafios na relação entre o anunciante e todos os seus parceiros. Essa crise vai acelerar mudanças de transformação digital que já estavam em andamento, mas ganharam outra velocidade a partir do o isolamento social, trazendo um crescimento e engajamento acentuado dos consumidores com o meio digital.

O planejamento de audiência e o social listening, por exemplo, já eram importantes recomendações estratégicas. Agora, crescerão ainda mais. A tecnologia que ajuda a compreender as necessidades e os interesses em tempo real dos consumidores também será impulsionada. Por outro lado, os clientes terão que multiplicar os parceiros para trazer uma diversificação da audiência e também nas formas de engajamento, além de inovar e testar novas ferramentas para acompanhar essas mudanças.

Para quem trabalha na área da publicidade, eu poderia concluir que ousadia será a peça-chave desse novo mundo. Como falou Franklin Roosevelt: "A única coisa que temos a temer é o próprio medo".

*Lara Krumholz é vice-presidente da Dynadmic para América Latina
 

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