Marca brasileira Sestini é acusada de publicidade infantil apelativa e racismo

06 de Setembro de 2017

A empresa de malas e mochilas Sestini, de São Paulo, está sendo acusada de publicidade infantil apelativa e racismo. De acordo com o portal Comunique-se, a marca lançou filmes publicitários em que apresenta a mochila da Barbie, acompanhada de caixinha de som, e a do Homem Aranha, com um bracelete projetor exclusivo do super-herói - burlando a lei que proíbe publicidade para menores de 12 anos e o uso de brindes como estratégia de sedução.

“Há muitos elementos que comprovam que a empresa usou uma estratégia de direcionamento dessa publicidade diretamente ao público infantil para estimular nesse público o desejo de consumo desse produto”, declarou a coordenadora do programa criança e consumo do instituto Alana, Ekaterine Karageorgiadis, ao site.

Além disso, em um de seus comerciais a empresa é acusada de racismo: para promover a mochila das meninas superpoderosas, o filme mostra um concurso de moda em que um turbante é tratado como um acessório vergonhoso.

“Para nós não é nenhuma vergonha, mostra resistência e quanto nós temos orgulho da nossa identidade racial, mas aí as crianças veem na televisão, as crianças negras veem esse símbolo nosso associado a essa palavra, isso tem um impacto no processo educativo dessa criança e aí, mais uma vez, uma tentativa de incutir no nosso povo que nós somos feios, que os nossos símbolos são sujos, fedidos, vergonhosos”, contou Leila Lopes, integrante do coletivo de Oyá de mulheres negras ao Comunique-se.

Segundo o site, a representação foi registrada na Defensoria Pública de São Paulo, onde está sendo analisada. A Sestine confirmou ter recebido uma notificação anterior sobre a prática, mas até o momento não se pronunciou sobre as novas críticas.