ENTREVISTA | Paulo Bossle, Ex- Coordenador de Divulgação do Governo de SC

17 de Maio de 2021

O cargo de Coordenador de Divulgação é um cargo de confiança. Atribuo a minha saída a critérios exclusivamente políticos.

 

Paulo Bossle tem larga experiência na função de Coordenador de Divulgação do Governo do Estado de Santa Catarina. Trabalhou por vários anos na SECOM durante o Governo Luiz Henrique da Silveira, cujo Secretário era Derly Massaud da Anunciação. Nesse período - 2007 a 2011 - Bossle desempenhou a função de gerente de mídia. Foi responsável pela implantação do Sistema de Cadastro de Veículos Reguladores. Entre 2013 e 2014, atuou na Casa Civil como coordenador do Sistema de Gestão Integrada Orientada para Resultados. Em 2018 assumiu a diretoria de Divulgação da Secretaria de Comunicação. Em 2021 teve duas passagens pela Secom, onde desempenhou o cargo de Coordenador de Divulgação.
 

Você tem uma larga experiência nos setores privado e público. Neste último, mais precisamente na SECOM, você trabalhou com 3 Secretários: Derly Massaud da Anunciação, Gonzalo Pereira e Miguel Bertolini. Comente essa experiência.

Na verdade foram cinco secretários de Comunicação. Faltou mencionar o Marcelo Rego e o Jefferson Dougas. Cada um com estilos bem diferentes, o que exigiu uma forte adaptação de minha parte. O Derly é uma lenda na Secom catarinense e na comunicação nacional. Implementou o conceito da mídia democrática, espalhando a informação do Governo nos quatros cantos de Santa Catarina. Foi meu maior aprendizado. O Marcelo é um gentleman e, além de conhecer o mercado, goza de excelente reputação nos meios políticos e empresariais. Muito fácil trabalhar com o Marcelo. O Gonzalo teve boas ideias, mas seu estilo personalista me trouxe alguns desconfortos e tive sérias dificuldades de adaptação. O Jefferson Douglas é um excelente jornalista que enfrentou o furacão e a sede de dois anos sem publicidade pelo mercado e sofreu, mas esteve à altura de seu cargo, os efeitos da política. Deu-me todas as condições para reorganizar a Secom. O Miguel Bertolini conhece como poucos a administração pública. A Secom, nos moldes que teve seu maior êxito, foi completamente estruturada por ele. Tem um estilo único de administrar e conhece profundamente o Estado.

Você esteve recentemente, por duas vezes, na Coordenação da Mídia do Governo do Estado. Por quais motivos você saiu do cargo nessas duas vezes?

O cargo de Coordenador de Divulgação é um cargo de confiança. Atribuo a minha saída a critérios exclusivamente políticos. 

Nessas duas oportunidades você esteve na Coordenação de Divulgação da SECOM-SC na gestão interina de Daniela Reinehr e na de Carlos Moisés. Que análise você faz dessa passagem pela Secom?

Primeiro ressalto que não carrego ideologia por onde passo. Fui convidado pelo Trade de Comunicação, obviamente avalizado pelo Governo, uma vez que na prática é quem decide, e encarei como uma missão.
A Secom não dispunha de Contrato Publicitário há cerca de dois anos e sua estrutura estava desfeita, com exceção do Jornalismo. Com a licitação de publicidade em andamento, o atual governo desconhecia os processos administrativos para a condução dos contratos, que iam desde assinatura deles até a efetivação de publicidades. Encontramos uma equipe desfigurada e sem motivação. Reorganizamos a área, com o auxílio da Gerente de Produção - Sra. Fernanda Steffens e deixamos a Secom – Coordenadoria de Divulgação totalmente estruturada, com pessoas alocadas corretamente nas suas funções e prontas para tocar com zelo e disciplina as campanhas do Governo de Santa Catarina.
Fundamental também, e isso procuro enfatizar muito, é o respeito que o Governo tem que ter com os veículos de Comunicação. É chave para o sucesso de qualquer gestão.

Sendo você um técnico, conhecedor dos meandros dos veículos de Comunicação, respeitado pelo trade, ao que você atribui a sua saída da Coordenação de Divulgação?

Como disse acima, o cargo de Coordenador de Divulgação é um cargo de confiança. Apesar de não ter ideologia, pois sou um executivo, é inegável que erroneamente possam atribuir que faço parte de algum lado, quando na verdade tenho sempre o Estado como META. Faz parte do momento em que vivemos. 

O Governo do Estado colocou no ar várias campanhas, inclusive na 2ª gestão interina da Vice Governadora. Qual sua análise sobre as campanhas já veiculadas?

A legislação eleitoral obriga os governos nas diferentes esferas, a cumprir um rigoroso esquema quanto às publicidades institucionais no período que antecede uma eleição. A publicidade possível no ano eleitoral é a média dos gastos dos três últimos semestres. O Governo De Santa Catarina é severamente prejudicado, pois não tinha contrato nos anos de 2019 e 2020. Sendo assim, para não deixar o ano de 2022 sem a possibilidade mínima de ter campanhas institucionais, as agências se viram na obrigação de auxiliar o governo nessa missão, o que se mostrou particularmente difícil, pois apesar de o Governo de Santa Catarina ter excelentes coisas para mostrar para a sociedade, a pandemia e sua necessidade de contínuas atenções e informações, ofusca sua gestão exitosa.

Três agências de publicidade atendem as principais Secretarias que anunciam regularmente. Como tem sido a entrega delas nesse período de emergências oriundos da pandemia?

As agências, algumas novas no trato com o Governo, precisaram ser “treinadas” para atender as demandas, com criatividade e pessoal. Estão fazendo bem o seu papel. Por óbvio que as mudanças de gestão atrapalharam e atrapalham um pouco. Todas devem ter uma dificuldade com a ausência de um foco - escopo -, capaz de nortear as campanhas com maior efetividade. Acredito que o Governo tem a missão de dar o rumo correto para as agências mostrarem todo o seu potencial criativo, auxiliando o Governo Carlos Moisés.

O que você recomendaria para as próximas campanhas?

O Governo Carlos Moisés dispõe de um excelente time para auxiliá-lo na sua gestão. Sem descuidar da Pandemia, as campanhas devem mirar no foco que o Governador der para sua gestão. Não confundir Carlos Moisés com Governo do Carlos Moisés. Assisti à uma entrevista do Governador no seu último retorno onde uma frase colocada me despertou a atenção de maneira excepcional. Mais ou menos assim: “... além de fazermos no presente, precisamos planejar agora olhando o futuro.” Achei que isso poderia nortear as próximas campanhas. Esse FOCO NO FUTURO é que entendo que deva ser o mote do Governo Carlos Moisés, sem desprezar o presente.  
Acho que Carlos Moisés deveria seguir sua intuição de cidadão, sem descuidar da gestão. Com isso tenho a  convicção de seu pleno êxito.

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