ENTREVISTA | Flávia Coradini, nova diretora de criação da Propague

13 de Janeiro de 2016

A nova diretora de criação da Propague, Flávia Coradini, concedeu uma entrevista ao AcontecendoAqui onde conta sua trajetória vitoriosa em agências gaúchas e paulistanas. Depois de trabalhar em várias agências de Porto Alegre ela foi para São Paulo. Nos 13 anos na Capital paulista, ela trabalhou nas agências Carillo Pastore Euro RSCG, Ogilvy, Grey e Leo Burnett onde permaneceu por oito anos. Na Propague desde o início de dezembro, Flávia conta que viver e trabalhar em Floripa era um sonho que se tornou realidade. Leia nossa entrevista e saiba mais sobre Flávia Coradini.

AcontecendoAqui - O que a motivou a trocar São Paulo e uma carreira em grandes agências por Floripa, além das praias, qualidade de vida, segurança...

Flávia Coradini - Aconteceram algumas coisas na minha vida pessoal e, quando percebi, a decisão estava tomada. Mas, antes mesmo de ir para São Paulo, eu já tinha uma vontade grande de morar aqui. Comecei a fazer esse movimento no final de 2014. Conheci algumas pessoas do mercado, fiz milhares de perguntas e conversei com algumas agências. Aí conheci a Patricia, o Roberto e a Gabriela da Propague e senti que aconteceu uma sintonia muito rápida e fácil. Eles me convidaram e aqui estou eu. Isso vai ser bem bacana. 

AcontecendoAqui - Gostaríamos de conhecê-la e saber sobre sua formação acadêmica e experiência profissional antes de Florianópolis.

Flávia Coradini - Sou formada em Publicidade e Propaganda pela Faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal de Santa Maria – RS. Comecei em Porto Alegre, passei por algumas agências e, em 2000 decidi mudar para São Paulo. Comecei a ligar para todas as agências, mostrar portfolio e, em uma semana, arranjei um freela na W/Brasil. Senti que tinha entrado com o pé direito. Fui contratada na Carillo Pastore Euro RSCG no auge do sucesso do Tio Sukita (faz tempo). Lá, conheci o Carlos Righi que se tornou um grande amigo e uma pessoa muito responsável pela rede de pessoas fundamentais que fui conhecendo em São Paulo. Fiquei 5 anos e meio na Ogilvy e, no final de 2008, fui trabalhar com o meu ídolo Ruy Lindenberg na Leo Burnett e só saí de lá 7 anos depois. Estava na Grey até receber a proposta da Propague e mudar para cá, em novembro. 
Tomo um susto toda vez que penso nisso mas já são 20 anos de carreira: 5 em Porto Alegre e 15 em São Paulo. Sempre como redatora. Como Diretora de Criação é minha primeira experiência e estou super animada e ansiosa para saber como vou me sair.

 

AcontecendoAqui - Roberto Costa vem procurando há tempos um criativo multiplataforma e competência para potencializar o uso dos meios. Poderias comentar como você enxerga isso na Propague?

Flávia Coradini - Quando as agências tinham departamentos com equipes dedicadas e especializadas em internet, marketing direto, promoção, eu sempre imaginava o quanto as pessoas deveriam ficar frustradas quando recebiam uma campanha já criada e precisavam desdobrar as peças para “os outros meios”. Era, inclusive, muito desconfortável apresentar a campanha para “os outros departamentos” e dizer: este é o conceito que vocês devem adaptar. Felizmente a gente percebeu que criar separadamente não é a melhor forma. Não dá mais para pensar num comercial de TV sem imaginar que muita gente vai vê-lo pela primeira vez na timeline do Facebook, pela tela do celular. Criando a gente tem a oportunidade de discutir e sentir se um conceito é forte e “se desdobra” fácil. Mas bacana mesmo é ter gente com capacidade de pensar grande, pensar no todo e até de dizer: esse conceito não funciona, não resolve o problema do cliente. 
O Roberto escolheu pessoas criativas para trabalhar em todos os departamentos da Propague. Pessoas que têm essa capacidade de avaliação e, sinceramente, conhecem muito melhor do que eu o mercado local e os nossos clientes. Se a equipe inteira continuar contribuindo, as ideias têm muito mais chances de crescer. Conto muito com isso.

AcontecendoAqui - A maioria das agências procura se diferenciar na criação. Quais os valores e diferenciais que você agrega ao time da Propague?

Flávia Coradini - Não sei se é um diferencial mas o fato de ter sido sempre muito aberta a experimentar e querer me adaptar facilita as coisas e as relações. Mudar de cidade, de agências, de chefes, de clientes, de duplas, mudar de função agora. Eu sempre quero que dê certo. Acho que a primeira coisa que falei para a minha equipe de criação, quando fizemos nossa primeira reunião foi: eu preciso de vocês. Já trabalhei em lugares que um diretor de criação novo significava uma ameaça, deixava todo mundo em pânico. Eu gostaria que as pessoas sentissem o quanto são fundamentais na equipe. Espero que elas sejam comprometidas, dedicadas, pilhadas e felizes. Não vai ser fácil, mas eu gostaria que fosse leve e divertido. Se a gente conseguir isso, o trabalho brilha. Outra vantagem de se aventurar e trabalhar em tantas agências e com tantos clientes diferentes é que isso te dá um repertório enorme. Ter essa experiência com segmentos muito variados costuma me ajudar demais. 

AcontecendoAqui - Por que, na sua opinião, os criativos gostam tanto de ter seus trabalhos premiados?

Flávia Coradini - Olha, eu não inventei os prêmios. Quando cheguei eles já estavam aí. E já que estão, eu também quero ganhar (rsrsrs). 
É meio que unânime - todo mundo comenta que o dia a dia do trabalho criativo numa agência está ficando muito chato. Tem gente demais, com opiniões demais, avaliando o trabalho da gente com check lists técnicos demais, sem nenhum grau de abstração nem nenhuma vontade de apreciar o que estão vendo. Parece muito mais fácil apontar problemas. Passar por tudo isso vai deixando a gente calejado, desanimado. Pior: pode nos levar a fazer do jeito que vai ser aprovado e não do jeito mais criativo. Nós gostamos muito, muito, muito de ganhar prêmio porque passar por tudo isso é uma pirambeira danada. E, quando um trabalho consegue driblar todas as etapas, é um super mérito. É sinal de que “vencemos”. Dá um fôlego novo. 
Mas não são só os criativos que gostam de prêmio, não. Os clientes e as agências sabem muito bem que prêmio é muito bom para os negócios. Eles são a consagração de um trabalho que deu resultados. 

AcontecendoAqui - Quais prêmios você tem na sua estante?

Flávia Coradini - Eu não sou uma publicitária cheia de medalhas mas tenho meu leãozinho em Cannes e sou feliz demais por isso. Já ganhei no London Festival, New York Festival, El Ojo de Iberoamérica, FIAP, Facebook Awards, Effie Awards, ABP, CCSP, Wave, Colunistas e outros que nem lembro mas que sempre dão alegria. Esse ano fui finalista no One Show, queria muito, achei que ia dar, quase deu. Mas não virou. 
Tive uma experiência que me deu mais alegria do que ganhar qualquer prêmio: fiz uma música em parceria com o cantor Wando numa campanha. Ficamos amigos e, no dia da gravação dos filmes, ele autografou uma das calcinhas do cenário com dedicatória para mim. Essa vale ouro e está na minha parede.

AcontecendoAqui - A Propague historicamente é uma das mais premiadas nas competições regionais. Você pretende continuar apostando nisso?

Flávia Coradini -  - Claro que sim. Prêmio enche a agência de prestígio, mostra que estamos cuidando bem dos nossos clientes. E atrai os olhares de novos clientes. Ganhar prêmios gera novas oportunidades para todo mundo. Queremos.

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