Como a mídia programática está revolucionando o mercado da publicidade

02 de Setembro de 2019

A mídia programática trabalha para a criação de valor e não é necessariamente voltada a conversão

Segundo o estudo Programmatic Marketing Forecasts publicado pela Zenith em 2018, 65% dos investimentos globais em publicidade digital em 2019 serão transacionados programaticamente. A expectativa é que, até 2020, esse valor represente 68% dos gastos com anúncios, totalizando US$ 98 bilhões. Mas o que isso representa para o mercado de mídia e publicidade?
 

Segundo Edu Sani, CEO da AdsPlay Midia Programática, por ser a mídia mais assertiva do marketing digital, a forma de compra e venda de publicidade está se ajustando e se tornando cada vez mais focada em dados e direcionamento. “Na mídia programática, os planejamentos são baseados em informações reais de volume de usuários e é possível, segmentar o público, além de definir o tipo de anúncio para cada um”, diz.
 

Também possibilita filtros mais específicos que anúncios criados para mídias sociais, repercutindo nas demais ferramentas que o anunciante utilizar, como Facebook ou Google Ads, o que acaba influenciando na conversão. Com antecedência, também é possível criar um storytelling que resulta em campanhas mais robustas do que apenas trabalhar com um anúncio padrão que vai impactar todos os públicos.

 

Com a notoriedade da mídia programática e a alteração no modelo de negócio das agências, novos horizontes se abriram para os profissionais da área. Fazendo um paralelo com os operadores do mercado financeiro, o media trader administra as campanhas publicitárias e compra, via plataformas de leilões, espaços de anúncio em tempo real, sempre baseado nos objetivos traçados para cada ação. “Com todo o movimento de mercado, é natural que o perfil dos profissionais das agências esteja mudando e novos colaboradores sejam necessários. Por ser uma função relativamente nova, o foco na hora da contratação ainda são as soft skills uma vez que os procedimentos técnicos podem ser ensinados”, diz Sani.

 

Empresas de grande porte também estão investindo em mídia programática e DMPs (Data Management Platform) para criar os seus próprios dados e utilizá-los em campanhas com maior assertividade e menores custos. Essa é uma estratégia chamada de 1ª Party Data, ou seja, transformar meus dados em cookies para posteriormente utilizar na mídia programática. Uma gigante que seguiu essa tendência recentemente foi o McDonald´s, que adquiriu a empresa de tecnologia Dynamic Yield, e utilizará suas ferramentas para personalizar os cardápios digitais dos restaurantes, com base na hora do dia, clima e preferências regionais.

 

Para o mercado, a tendência é que a programática tome cada vez mais espaço, influenciando o comportamento do consumidor e criando um outro tipo de relação dele com anúncios. “Se antes os anúncios eram considerados chatos e incômodos, com a programática é possível impactar a pessoa certa no momento certo, criando mais engajamento e conversão, uma vez que as campanhas passam a fazer mais sentido para ele”, diz Sani. “Ganha o anunciante, que utiliza seu budget da forma certa, e ganha o usuário porque não vai receber anúncios aleatórios e vai se privilegiar com informações assertivas”.

 

E o que podemos esperar para os próximos anos? Segundo o especialista, o investimento em mídia programática só tende a aumentar. Por mais controverso que possa parecer no meio da publicidade, a mídia programática trabalha para a criação de valor e não é necessariamente voltada a conversão. As agências terão que pensar estrategicamente em como utilizar dados no dia a dia, para gerar melhores resultados.

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